Durma com esse barulho -
REVELATION: CYRUS CHESTNUT

30 julho, 2018
Pianista extraordinário, Cyrus Chestnut foi um dos young lions sob a liderança do trompetista Wynton Marsalis nos anos 80. Com destreza absoluta na linguagem do jazz, é um dos meus pianistas preferidos.
Aqui uma sessão gravada ao vivo, sem edições, nos dias 7 e 8 de junho de 1993 no Clinton Studios, NY, Cyrus ao piano ao lado do contrabaixista Christopher Thomas e do baterista Clarence Penn.
Este disco preza pela qualidade de gravação, em sistema analógico, com engenharia de som de Jim Anderson.

ALFREDO DIAS GOMES RESGATA REGISTRO INÉDITO CHEIO DE GROOVE

26 julho, 2018
Um registro inédito até hoje.
O baterista Alfredo Dias Gomes resgata uma sessão gravada no ano 2000 na formação de power trio ao lado do guitarrista Norman Sharp e do baixista Igor Araújo.
Este trabalho ficou arquivado por muito tempo pois na época da gravação precisava prensar na fábrica pelo menos 1000 cópias e ter uma distribuidora para colocar os CDs nas lojas. Pela dificuldade com a distribuição, o mesmo não foi prensado. Foi passando o tempo e Alfredo Dias Gomes realizou outros trabalhos, mudou equipamentos, tecnologia, e o disco acabou não lançado.
Na época, a ideia de gravar o disco veio de uma música do guitarrista Norman Sharp que um aluno apresentou para Alfredo, que gostou muito da onda e então resolveu gravar "Norman’s Funk", que abre o disco. Empolgados, decidiram gravar o disco e toda a base foi feita ao vivo no estúdio, com alguns playbacks de melodias de guitarras e teclados, estes feitos por Alfredo Dias Gomes.

Pensando que tinha perdido as sessões de gravação do disco, o sobrinho de Alfredo, Arthur, lhe mandou uma música em que estava tocando baixo em cima de uma base feita, e, para sua surpresa, era sua própria música “Ecos”, gravada só com teclados quando fez a composição. Diz ele - "Levei um susto, a música era legal e lembrei da gravação com a banda, tinha que recuperar isso." A partir daí fez uma busca em mídias arquivadas e diversos backups antigos até reencontrar o disco. No atual mundo do streaming e download, Alfredo remixou o disco, mandou masterizar online nos EUA e, agora pronto, disponibiliza para distribuição nas plataformas digitais..
O repertório traz uma pegada bem funkeada, é um power trio cheio de groove, e esse momento musical era a onda que Alfredo estava na época. Igor tinha tocado com o Tim Maia e Norman era um guitarrista com muito swing, e com ambos formou a banda perfeita para o disco que queria gravar. Na época tinha algumas músicas inéditas, foram feitos arranjos para algumas que já tinha gravado em outros discos e foi fechado o repertório. 
O tema “Renata”, autoral, foi dedicada à sua filha e gravada em seu primeiro dico solo (1991), esta que foi muito tocada na época na Globo FM e tem aqui um arranjo bem intimista. “Ladeira da Fonte”, originalmente em ritmo de afoxé no disco Atmosfera (1996), ganhou uma versão rock-instrumental. "Starlight” foi composta na mesma época da música "Ecos" e se apresenta como um pop-rock instrumental, de melodia com muito feeling. O super groove “Copa 79” é uma composição do baixista Igor Araújo, com destaque para seu solo. O funk-rock “Camaleão” foi mais tarde gravada no disco Corona Borealis (2010), mas com arranjo mais jazzístico. “Existe um Lugar” foi uma homenagem a uma casa de shows dos anos 80 de mesmo nome localizada no Alto da Boa Vista, lá onde Alfredo montou sua primeira banda instrumental, e este tema também foi gravado no primeiro disco solo do baterista e aqui ganhou uma versão jazz-rock, com destaque para o solo de bateria.

Para Alfredo, foi uma felicidade ouvir esse disco depois de 18 anos e descobrir que o mesmo continua muito legal.
18 anos depois, Norman Sharp está morando em São Paulo fazendo trilhas para documentários e compondo para um disco solo; Igor Araújo fundou o grupo Banda Du Rio e atua como baixista e diretor musical.

Você pode adquirir o disco "ECOS" na CD Baby e iTunes, e ouví-lo na plataforma digital Spotify.

 

Durma com esse barulho -
SOUL BATTLE: OLIVER NELSON

24 julho, 2018
Uma sessão eletrizante com três tenores extraordinários - Oliver Nelson, King Curtis e Jimmy Forrest, acompanhados pelo pianista Gene Casey, o contrabaixista George Duvivier e o baterista Roy Haynes.
Oliver Nelson assina 4 das 6 composições - "Blues At The Five Spot", "Blues for M.F. (Mort Fega)", "Anacruzes" e "In Passing"; Jimmy Forrest assina "Soul Street"; e o sexteto interpreta o clássico "Perdido" eternizado originalmente por Duke  Ellington.
Gravado em 9 de fevereiro de 1960 no Van Gelder Studio com engenharia de som do próprio Rudy Van Gelder. Lançado pela gravadora Prestige.

 

A NOVA ONDA DO GUITARRISTA IGOR PRADO

07 julho, 2018
Nossa maior referência do blues, o guitarrista Igor Prado tem um novo projeto com o grupo JustGroove, cuja proposta é fazer um blend de blues, soul e funk americano com beat e swing afro-brasileiro.
Ao seu lado estão grandes músicos da cena black & gospel nacional - o baixista Rael Lúcio, o guitarrista Jesiel Oliveira e o baterista André Azevedo. O projeto se iniciou em fevereiro deste ano com alguns shows que resultaram no EP Fu#ky U All e o grupo já tem uma tour de lançamento no Brasil e uma internacional para o ano de 2019. O repertório faz, num estilo muito próprio, novas leituras de D'Angelo, Justin Timberlake, The Meters, cruza Tim Maia e Jorge Ben, e mergulha em Johnny 'Guitar' Watson e BB King.
O resultado chamou atenção do mercado dos EUA, e já tem convite de um produtor musical de renome da terra do Tio Sam para um novo disco que será gravado no final deste ano, provavelmente uma continuação do laboratório do "Fu#ky U All".

No repertório do EP -
"Tell me whats on your mind" é uma versão em cima da música da banda de New Orleans "The Meters", em um beat diferente em que o backbeat funk se encontra com um quase partido alto envolvido por três guitarras rítmicas hipnotizantes e um slap bass bem ao estilo 70's funk.
"Your gonna have a murder on your hands" é uma composição do bluesman Little Milton em uma versão mais contemporânea misturando influências do west side blues, Buddy Guy, Jimmy Dawkins e até mesmo do Phil Guy, falecido irmão mais novo de Buddy Guy, este que ensinou muita coisa a Igor Prado em tours na sua adolescência. Na parte vocal, a forte influência de Al Green, Little Richard e Michael Jackson.

Em projetos paralelos, Igor Prado irá produzir o novo disco do cantor e compositor californiano Earl Thomas, este que tem colaborações fantásticas com artistas de renome como Etta James, Joe Cocker e Solomon Burke.
Tem mais - o projeto "James Brown Legacy" ganha forma e a guitarra funk e rítmica vem como protagonista em um universo que figuram nomes como Jimmy Nolen, Hearlon Martin, Al McKay e Jerome Smith.

Com a palavra, Igor Prado -

Depois de muitos trabalhos com artistas americanos, "JustGroove" vem com uma nova proposta. Fale sobre este projeto e o novo grupo que te acompanha.
Sim, é uma nova fase que estou curtindo demais. Começou assim - um amigo em comum já tinha me falado do Jesiel Oliveira, que é um monstro do funk-gospel, o cara já é uma referencia; e o Rael Lúcio, também experiente baixista e produtor musical dessa cena black e do gospel e que já tinha feito uns trabalhos pra mim acompanhando o trompetista americano Boney Fields. No final do ano falei com ambos, descobri que os caras praticamente cresceram juntos na mesma igreja e decidimos começar esse novo projeto, que é uma mistura de tudo o que a gente gosta. O Jesiel indicou o jovem André Azevedo, que tem uma pegada violenta de black-groove do gospel e também se conhecem e tocam há muito tempo. Os três tocam com uma galera da pesada, somente para citar alguns artistas como Seu Jorge, Mano Brown, Thalles Roberto e Banda Black Rio.
A conexão que esses caras tem tocando - Jesiel, Rael e André Azevedo - é absurda, eles tocam black music funk, soul e gospel desde criança na igreja e todos vem de um legado de músicos muito da pesada. O tio do Rael é o baixista Ted Furtado, que foi da banda Kadoshi, precursor e lenda viva nessa onda de black funk-slap no Brasil.

Por quê apostar nessa mistura de blues, funk e elementos de música brasileira?
A idéia dessa nova fase é misturar e mesclar tudo o que eu ouvi desde pequeno no rádio e em casa nessa onda blues, funk, rock, swing brasileiro e tudo mais. Ao mesmo tempo que eu ouvia Living Colour, Nirvana e Red Hot Chili Peppers no rádio, eu estava estudando Muddy Waters e Willie Johnson e rolava Jorge Ben, Choro e Partido Alto nas festas da minha família. Acho que essa vibe é a ideia central desse novo trabalho.
Na minha humilde opinião soa mais verdadeiro, soa mais “eu” mesmo. Não existe mais a preocupação de soar blues dos 40 ou 50 e nem de soar “blues” muitas vezes; mas é difícil porque toda minha base musical é calcada no blues, então tá rolando uma coisa muito interessantes nesse trabalho. Estou muito feliz.

Sobre equipamentos, o que mudou no seu setup para essa fase mais funky?
Nudou bastante, começando pelas guitarras - estou usando basicamente a velha Fender Strato (aquela com os 2 captadore Z90 da Harmonic Design) e a nova Telecaster que leva meu nome, uma Custom Shop do luthier Paulo Chiara aqui de Sampa - é uma Tele semi sólida com 3 captadores P90 que tem defasagem para fora de fase nas posições do meio. A sonoridade para esse trabalho mais funk é bem mais aguda e bem menos média do que os trabalhos de blues tradicional. Ambas agora com cordas Dean Markley, Blue Steel 0.10, que sou endorser desde o ano passado.
Sobre os amps adicionei um Peavey Pace dos anos 80 transistorizado, e é isso mesmo - transistor! É engraçado como a resposta do transistor, que é mais rápida do que a dos valvulados, faz mais sentido para coisas altamente rítmicas tipo funk. É por isso que a maioria dos guitarrista de funk, soul, gospel americano usam amps transistors. Pouca gente sabe, mas o BB King estava usando transistor nos últimos 20 anos da carreira, aquele LAB Series que o George Benson tb usa. Mas também continuo usando direto o meu Marshall Bluesbreaker Clone com falantes Weber Ferromax. Outro amp que a galera do blues odeia e o pessoal do funk ama é o Roland Jazz Chorus, que o Jesiel usa e eu adoro também para ao vivo.
Sobre os pedais, estou igual a uma criança pois sempre usei praticamente amp valvulado, cabo e reverb de mola outboard, e agora tenho a liberdade de usar o que eu quiser no som, na minha pedaleira que foi customizada pelo André Chiara da Chiara Guitar Parts. Tem uma fonte Voodoo Labs e um buffer Emerson Concord, sugestão do mestre Marcos Ottaviano que me ajudou muito nesse lance dos pedais também. A ordem é: Afinador Polytune da TC Eletronics + 01 Fuzz-Octave Experience Perscription Eletronics + 01 Octave Boss OC-2 + 01 Mellow Yellow Tremolo da Mad Professor + 01 RT-20 aquela Leslie da Boss + 01 RV-5 Digital Reverb + 01 Equalizer GE-7 da Boss. De vez em quando eu uso um auto-wah que tá com o Jesiel, aquele Ibanez antigo dos 80’s. Estou reaprendendo a usar todo esses efeitos, as dinâmicas, etc.
Mas tem uma curiosidade mesmo com tudo isso - nas gravações do EP foi usado muito a guitarra ligada direto em linha, toda a base rítmica com eu e o Jesiel tocando em Pan aberto. São 2 guitarras em linha! Como o Nile Rodgers já falou faz tempo - "não tem nada mais FUNKY do que uma guitarra elétrica em linha".

Falando de outros projetos, você está produzindo o disco do vocalista Earl Thomas e tem o "James Brown Legacy" com o baterista Sorry Drummer. Qual o momento destes projetos e o que podemos esperar?
É verdade! Estou compondo e escrevendo muita coisa, aprendi muito sobre composição com o cantor-compositor Earl Thomas na nossa última tour no Brasil e ele, pra mim, é o maior compositor vivo dentro do circuito, não à toa que Etta James, Joe Cocker, Tom Jones e Solomon Burke gravaram muita coisa dele. Inclusive estou produzindo o próximo disco dele e muito feliz e honrado com o convite. Ele acredita muito nesse blend de blues e funk americano com o swing brasileiro.
O projeto "James Brown Legacy" me trouxe, além da experiência uma amizade muito legal com a galera do hip-hop, e o Sorry Drummer, lendário batera da cena. Os DJ's Luciano Rocha e o Erick Jay me inspiraram muito nesses últimos meses, respeito e gosto muito dessa nova geração do rap e hip-hop brasileiro.
Quero mergulhar ainda mais nesse lance do James Brown pois toda a base do funk está ali naquelas guitarras e quero trazer essa vibe do rap/hip-hop cada vez mais pro meu trabalho solo também.
Enfim, vem mais novidades por ai!

Obrigado Igor Prado, e sucesso.




www.igorpradoband.com

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