DOWNBEAT CRITICS POLL 2018

28 junho, 2018
O destaque da edição 66 da premiação Downbeat Critics Poll fica para os artistas em ascensão, mostrando a linguagem do jazz sempre se renovando.

Assim destaco a pianista Kris Davis e a saxofonista Ingrid Laubrock, expoentes do movimento da improvisação livre, do "free jazz"; a cellista Tomeka Reid; a cantora Jazzmeia Horn; e os nem tão em ascensão, para mim já bem maduros, os guitarristas Julian Lage e Jakob Bro, e o contrabaixista Thomas Morgan.
Da votação tradicional, a importância da inclusão do saxofonista Benny Golson e da pianista Marian McPartland no Hall of Fame, pela longa carreira e pela imensa contribuição ao universo do jazz, por décadas; ambos estão na histórica foto de Art Kane "A Great Day In Harlem".

Ainda em destaque, um histórico registro em disco de Miles Davis, mais uma edição da série 'Bootleg', a sexta, agora com Coltrane intitulada "The Final Tour", em 4 discos gravados da última turnê de Coltrane como sideman em Paris em 1960.
O pianista Vijay Iyer ganhou novamente o título como músico de jazz, já havia levado o prêmio nos anos de 2016, 2015 e 2014; a voz de Cécile McLorin Salvant, agora com o disco "Dreams And Daggers"; o trompetista Ambrose Akinmusire, merecido pelo seu último disco ao vivo no Village Vanguard "A Rift in Decorum"; e, em memória, o piano de Geri Allen, que faleceu em junho do ano passado.

A lista completa estará publicada na edição de agosto da revista.

Confira os premiados -

Hall of Fame: Benny Golson and Marian McPartland
Jazz Artist: Vijay Iyer
Jazz Group: Vijay Iyer Sextet
Jazz Album: Cécile McLorin Salvant, Dreams And Daggers (Mack Avenue)
Historical Album: Miles Davis & John Coltrane, The Final Tour: The Bootleg Series, Vol. 6 (Columbia/Legacy)
Big Band: Maria Schneider Orchestra
Trumpet: Ambrose Akinmusire
Trombone: Wycliffe Gordon
Soprano Saxophone: Jane Ira Bloom
Alto Saxophone: Rudresh Mahanthappa
Tenor Saxophone: Charles Lloyd
Baritone Saxophone: Gary Smulyan
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Nicole Mitchell
Piano: Geri Allen (1957–2017)
Keyboard: Robert Glasper
Organ: Dr. Lonnie Smith
Guitar: Mary Halvorson
Bass: Christian McBride
Electric Bass: Steve Swallow
Violin: Regina Carter
Drums: Jack DeJohnette
Percussion: Hamid Drake
Vibraphone: Stefon Harris
Miscellaneous Instrument: Akua Dixon (cello)
Female Vocalist: Cécile McLorin Salvant
Male Vocalist: Kurt Elling
Composer: Muhal Richard Abrams (1930–2017)
Arranger: Maria Schneider
Record Label: ECM
Producer: Manfred Eicher
Blues Artist or Group: Bettye LaVette
Blues Album: Taj Mahal & Keb’ Mo’, TajMo (Concord)
Beyond Artist or Group: Kendrick Lamar
Beyond Album: Kendrick Lamar, Damn. (Interscope/Top Dawg Entertainment)

Artistas em ascensão -

Jazz Artist: Kris Davis and Julian Lage
Jazz Group: Nicole Mitchell’s Black Earth Ensemble
Big Band: John Beasley’s MONK’estra
Trumpet: Amir ElSaffar
Trombone: Jacob Garchik
Soprano Saxophone: Jimmy Greene
Alto Saxophone: Caroline Davis
Tenor Saxophone: Ingrid Laubrock
Baritone Saxophone: Alex Harding
Clarinet: Matana Roberts
Flute: Rhonda Larson
Piano: Orrin Evans
Keyboard: Elio Villafranca
Organ: Roberta Piket
Guitar: Jakob Bro
Bass: Thomas Morgan
Electric Bass: Mimi Jones
Violin: Scott Tixier
Drums: Johnathan Blake
Percussion: Satoshi Takeishi
Vibraphone: Behn Gillece
Miscellaneous Instrument: Tomeka Reid (cello)
Female Vocalist: Jazzmeia Horn
Male Vocalist: Jamison Ross
Composer: Tyshawn Sorey
Arranger: Amir ElSaffar
Producer: Flying Lotus

www.downbeat.com

COLEÇÃO DE VINIL

26 junho, 2018
Coleção de Vinil é o disco de estreia do guitarrista e violonista Marcelo Pfeil. O título representa o trabalho no sentido da variedade de estilos e diversas influências que o artista carrega em sua música - o jazz, o samba, a bossa nova, o soul, o baião, o shuffle, o erudito e o choro.

Marcelo Pfeil é formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Uni Rio) e pós-graduado em Orientação Educacional e Pedagógica pela Universidade Cândido Mendes (UCAM) cuja dissertação desenvolveu o tema “Oportunizando, nas aulas de Música, o aprendizado de violão para os alunos das escolas regulares do Ensino Fundamental”. Complementou sua formação com uma temporada de dois semestres no Conservatório de Música de Kreuzberg em Berlim, formou-se em Harmonia e Improvisação pelo Centro Ian Guest de Aperfeiçoamento Musical, onde teve aulas com o próprio Ian Guest, estudou violão com Luiz Otávio Braga, Maria Haro e Maurício Carrilho e cavaquinho com Jayme Vignolli e Luciana Rabello.


O que o motivou a batizar a obra com este título foi promover uma reflexão sobre a relação que ele tinha com a música, sem tantos apelos externos, como afirma no texto do encarte do disco. Diz ele -
Naquelas tardes em meu quarto, não dispunha de toda a informação do mundo. Nada brotava na tela em décimos de segundo. Amigo virtual eu desconhecia, amizade instantânea me fugiria à compreensão. O que seria isso, isolamento, timidez? Talvez. Naquelas lentas tardes, em minha pequenez maravilhava-me um mero encarte. 
Havia cumplicidade e escassez rica em possibilidades. E contemplava intenções com escuta atenta à agulha que tecia o detalhe”.

Marcelo Pfeil tem ao seu lado Alex Rocha no baixo; Lúcio Vieira na bateria; Marcelo Martins e Zé Canuto nos sopros; Vander Nascimento no flugelhorn; Vanessa Rodrigues nos teclados; Naife Simoes na percussão; e Mac Willian Caetano no djembê e efeitos.
O repertório é autoral e traz 9 composições explorando uma diversidade musical bem brasileira. O disco abre com "Trapézio" em uma atmosfera muito particular e um belo desenho melódico com Zé Canuto ao soprano; "Olha o Rapa!" chega cheia de balanço e conta com o sax de Marcelo Martins, que também  aparece no groove de "Zona Leste"; "Andar da Carruagem" dá um ar sessentão ao som do orgão nos teclados de Vanessa Rodrigues.
Tem um choro para Pixinguinha em "23 de abril"; uma mistura de raizes em "No calor da hora; traz um jazz tradicional na formação de trio em "Montmartre"; faz uma balada-bossa em "Ateliê", aqui com o flugelhorn de Vander Nascimento; e um espaço para o belíssimo tema em violão solo em "Onde mil lagos havia".



"Coleção de Vinil" foi gravado no Studio Master 112 em um processo bem acústico explorando os microfones, e na mixagem poucos plug-ins aproveitando a acústica do estúdio. Dos instrumentos, Marcelo Pfeil usou uma Ibanez Artcore com captadores Gibson Classic 57 em linha ligada no amp Fender; um violão Ovation Celebrity e um cavaquinho do luthier Carlinhos, ambos microfonados; além de, eventualmente, usar instrumentos do estúdio - uma Strato Fender e uma 335 Gibson.
A direção artística do disco é de Marcelo Pfeil, mixagem e gravação de Marcelo Frisieiro e masterização de Toney Fontes. Desenhos de capa de Hildete Vodopives e projeto gráfico de Marcia Lisboa.

Você encontra o disco nas plataformas digitais iTunes, Spotify, Deezer e pode adquirir o CD físico nos shows e na página pessoal do artista no Facebook.

SIMPLICIDADE

11 junho, 2018
O duo de guitarras formado por Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius apresenta o quarto trabalho - Simplicidade, em que traz um repertório autoral com 6 composições, destacando três suítes - "Suíte das Orquídeas" com 4 movimentos, "Suíte 4" e "Suite da Bailarina" com três movimentos cada. Com muitas experimentações, o duo faz uso de afinações alternativas, o que torna o trabalho do guitarrista bastante desafiador pois desconstrói as formas de acordes e digitação dos improvisos como se está acostumado usando a afinação padrão.
O título do disco foi uma forma de representar o conceito deste trabalho. Apesar da complexidade harmônica que se apresenta em alguns temas, o duo quis trazer simplicidade na execução comparado aos últimos trabalhos, além do processo de gravação no estúdio. Isso também se reflete na arte da capa do disco, um fundo branco com algumas linhas vermelhas.

É como se diz por aí - a simplicidade é a máxima sofisticação, e aqui não foi diferente.

O disco abre com "India", resultado de uma imersão que Ivan fez sobre a música deste país e a sua diferente riqueza de timbres e instrumentos, um mergulho em um universo cheio de modalismos. Interessante perceber a instrumentação do tema com afinação DADG#AD, cuja sonoridade fica bem explicita na introdução dando uma atmosfera bem folk, depois ganhando dinâmicas variadas com riffs, harmônicos e aqui Chenta conduzindo o improviso. "Latin do Cachorro" faz um trocadilho com o latin jazz explorando a rítmica percussiva nas guitarras, cadenciam um forrózinho e desenvolvem nossa linguagem instrumental com aquela alternância de baixos fazendo base para os improvisos, aqui destaca-se o solo de Ivan.
"Suite das Orquídeas" descreve o gosto de Ivan pelas flores, pelas plantas, e foi uma forma de transpor esse sentimento em uma pluralidade de formas musicais. Novamente a afinação fora do padrão, DGDGBD, e a melodia tem um tratamento diferenciado em cada movimento. O primeiro e terceiro movimentos se desenvolvem com um intenso riff , com Chenta e Ivan dialogando vozes em acorde e melodia; o segundo e quarto movimentos repousam em uma atmosfera mais densa, um ar um tanto progressivo, desenvolvidos com serenidade e delicadeza pela guitarra de Ivan. "Alegria" é o sentimento de Chenta em um momento de aquisição de um novo violão quando fez o registro da melodia que lhe veio à mente; traz uma roupagem mais funkeada, aqui Ivan faz o primeiro improviso e Chenta o segundo. "Suite 4" também é uma composição de Chenta, cujo título refere-se a sua quarta suite criada. Aqui percebe-se forte influência mineira com uma roupagem bem contemporânea, muito evidente no primeiro e segundo movimentos, destacando os improvisos de Ivan e Chenta respectivamente. "Suite da Bailarina" fecha o disco em três movimentos - Dança do Amanhecer, Dança das Águas e Dança do Entardecer, inspiração de Ivan para sua filha Pietra composta na Serra do Cafezal, lugar que, inclusive, inspirou tema homônimo gravado no disco "Novos Caminhos". Novamente o uso de afinação alternativa, DGDGBD, dando uma atmosfera bastante peculiar em todos os movimentos. Chenta improvisa nos primeiro e terceiro movimento, Ivan no segundo.

"Simplicidade" foi gravado ao vivo no Estúdio Baeta por Thiago Lima Diatroptoff em janeiro de 2018, com mixagem e masterização de Pedro Pimentel. Rodrigo Chenta está no canal esquerdo e Ivan Barasnevicius no canal direito.

www.rodrigochenta.com/duo

Você pode ouvir o disco nas plataformas digitais Spotify e Deezer.



Mais Ivan Barasnevicius e Rodrigo Chenta -

Standards II Antítese Novos Caminhos 3136