CONCEPÇÃO

08 novembro, 2016
O guitarrista Rodrigo Chenta lança o EP intitulado Concepção com duas composições autorais na estética da música contemporânea erudita.
Um trabalho único, experimental.
O tema título é uma peça para guitarra acústica solo; e “Suite for Schafer” é dividida em 6 movimentos, em que a guitarra, com improvisações e bastante liberdade, interagiu com a voz de Roberto Agnelli, que leu textos selecionados de 3 livros do autor canadense Raymond Murray Schafer.

Para quem não conhece, Schafer é escritor, compositor e educador musical, e também um dos responsáveis pelo desenvolvimento da terminologia "soundscape", trazendo à reflexão o conceito de ambientação sonora.


Com a palavra, Rodrigo Chenta -

O experimentalismo como protagonista. 
Como deu-se o processo de criação para a guitarra solo nesse trabalho? 
A primeira composição chamada “Concepção” foi criada em agosto de 2013 durante um concerto em uma escola de música na cidade de São Paulo. Trata-se de uma peça literalmente improvisada, criada no momento da performance. Este concerto foi gravado em vídeo e gostei tanto que resolvi posteriormente transcrever o resultado daquela improvisação musical. A ideia foi criar tensões não importando em qual tonalidade. O pensamento ali, de fato, não foi tonal. Pensei apenas no som que queria e a intenção desejada com o resultado dos complexos sonoros resultantes das escolhas que fiz naquele dia. Gostei da escolha do uso de arpejos, ralentandos, crescendo e o uso da mão direita em locais diferentes do instrumento para mudar o timbre.

Na segunda composição, “Suite for Schafer”, a guitarra acústica improvisa o tempo todo, no entanto, interage com o texto como nos movimentos “ritmo”, “caos” e “sussurro”, por exemplo. A voz teve liberdade de basicamente escolher os momentos de pausa. A escolha do Roberto Agnelli para ler os fragmentos de textos foi fácil, pois já o conhecia há quase 10 anos e sabia da voz maravilhosa que ele tem. Gravamos tudo ao vivo, sem cortes e com take único no estúdio do André Ferraz.

Raymond Schafer é uma referência no conceito de paisagem sonora. 
Qual sua expectativa em colocar texto e música juntos?
O meu objetivo na música “Suite for Schafer” foi proporcionar momentos de reflexão para quem a escutasse. Tive contato com a obra de Raymond Murray Schafer no departamento de música na pós-graduação da UNESP. Fui privilegiado ao ser aluno especial para o mestrado com a professora Marisa Fonterrada, que traduziu para o português três livros do Schafer que foram usados como referência para a escola dos trechos que o Roberto Agnelli leu no EP. Eu dividi esta música em seis movimentos onde cada um tratou de um assunto. São textos que sempre me incomodaram no sentido de provocarem reflexões sobre assuntos mais elevados da música.
Pelo feedback das pessoas que já baixaram o EP, vejo que o resultado esperado em relação a proposta de reflexão funcionou. Muita gente tem me falado de suas respectivas impressões e fico feliz que estão saindo da zona de conforto e pensando um pouco mais sobre música.

Haverá continuidade desse projeto?
Este projeto especificamente foi único. O lancei no formato de EP porque não é grande o suficiente como um full-album. Outros trabalhos experimentais virão com certeza no ano que vem, mas com propostas bastante diferentes e que gerarão álbuns completos.
Vou gravar o terceiro CD e primeiro EP com Ivan Barasnevicicus em duo de guitarras archtop (holowbody). Em 2017 gravarei um CD instrumental somente com música brasileira regional e atualmente estou na fase de escrita dos arranjos e escolha de quem gravará comigo. Terá samba, baião, xote, ijexá; tudo com saxofone, flauta, viola caipira, voz, percussão e guitarra acústica.

Obrigado Rodrigo Chenta, e sucesso.

Você pode fazer o download do EP na página de Rodrigo Chenta -
www.rodrigochenta.com/discografia, disponível nos formatos WAV e MP3.



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