BLUES ACRIDOCE

26 setembro, 2016
O guitarrista Carlos Café lança Blues Acridoce, acompanhado pela banda Expresso Blues formada por Pedro Leão no baixo, Fafá nos teclados e vocais e Rui Lessa Junior na bateria e percussão.

O disco foi gravado entre dezembro de 2014 e maio de 2015, e traz um repertório de 12 composições, 11 delas autorais. Assim como no disco anterior, "Bagagem Código Blues", Café faz sua homenagem a grandes guitarristas, como Carlos Santana no tema "Viva Santana", que abre o disco; Hendrix, em "If six was nine"; e B.B.King em "O rei do blues", tema gravado ao vivo com a participação do guitarrista Renato Rocha.

Blues Acridoce é uma produção independente pela Café&Café Produções Artísticas.
A arte da capa é de Carlos Chagas.


Com a palavra, Carlos Café -

O disco traz no título o significado da mistura; é o blues em fusão com outros elementos?
Sim, o blues misturado com nossas influências tropicais e também é alusivo ao nosso espírito bem-humorado e emotivo. No aspecto musical, eu procuro inserir minhas múltiplas influências para criar uma sonoridade original, autenticamente brasileira, sem perder a raiz original do blues-rock, que sempre foi meu norte na música. No âmbito das letras, transito entre o satírico e o contemplativo, daí Acridoce.

No repertório, uma homenagem a Carlos Santana abrindo o disco e uma interpretação de Hendrix. São grandes influências na sua música?
São influências fortíssimas. Nos outros CDs já tinha citado outras, como Johnny Winter, BB King, Albert Collins; faltavam esses dois - Santana, por fazer também essa ponte eloquente da sonoridade latina com o blues-rock, e Hendrix. Acho que nem precisa dizer, pelo conjunto da obra. Estranho muito um guitarrista que não gosta de, pelo menos, alguma coisa de Hendrix. Ele inventou a sonoridade da guitarra moderna. Para mim, é um semi-deus.

A banda Expresso Blues também está na base do disco anterior, "Bagagem Código Blues". É importante a consolidação do grupo no desenvolvimento das composições?
Sem dúvida. Nesse trabalho ainda mais do que no CD Bagagem Código Blues.
Aqui, como estávamos com uma formação estável, pudemos trabalhar bastante testando e formatando os arranjos até sua forma final. O trabalho foi realizado em blocos de 3 ou 4 músicas. Trabalhamos, ensaiamos e gravamos em módulos ao longo do ano de 2015 em meu estúdio.
Tenho muito que agradecer a dedicação desses músicos: Pedro Leão, Rui Lessa Jr e Fafá. Conseguimos um resultado tão orgânico e consistente devido a essa integração das pessoas com o trabalho.


Fale sobre os equipamentos usados nessa sessão.
Gravamos primeiro baixo e bateria. No baixo, usamos um pré da Sansamp, timbrando e mandamos direto para a linha. A bateria foi gravada com 8 microfones: Caixa - SM57, Bumbo - AKG D112, Over - par de MXL 603S, Contra-tempo - Audio Technica, e nas outras peças microfones dinâmicos da Nady. A guitarra foi gravada com técnicas alternativas, SEMPRE com amplificadores e alto-falantes, nunca usei esses simuladores/modeladores.
Os amplificadores usados foram: Fender Hotrod Deluxe (modificado), Pedrone 5F4 vintage, Pedrone Café Blues; todos com válvulas 6L6.  Os falantes foram Celestion Gold 10 (alnico), Jensen P12N (alnico), Weber 12A125 (alnico). Os microfones foram: Shure SM57, MXL R144 (ribbon) e Nova da M-Audio para ambiência. Nesse disco eu experimentei gravar mandando a mesma guitarra para dois amps/falantes diferentes simultaneamente, gravados em canais separados. O resultado foi fantástico, produziu uma dobra com um timbre super-rico e com peso. Na mix eu mandei o som de cada sistema para um canal diferente. Delays e reverbs eu adicionei depois, na mix. Para a voz eu usei o Rode NT2A, excelente microfone.
Tudo passando pela placa Tascam US 1800 e gravado no Sonar X3.

Produzir um disco de forma independente sempre é um desafio imenso. Como você vê o mercado da música atualmente?
Eu vejo a gravação de um CD como um registro que eu preciso fazer, não como uma opção de carreira ou negócio. É um projeto artístico.
Inclusive eu não gosto de usar a palavra “carreira” para se referir à minha vida de músico, são mais de 30 anos dedicados a esse projeto. O lado bom dessa independência é que eu não preciso negociar minhas idéias e projetos com nenhum executivo. O aspecto artístico na produção do CD é preservado.
Eu acho que o mercado da música está procurando formas de se reinventar. No início dos downloads de arquivos MP3 da internet, isso era visto como um movimento de resistência às grandes gravadoras e a tudo de ruim que elas representavam. As grandes corporações sofreram um enorme baque em seus orçamentos por causa dessa nova tecnologia. Passados 20 anos do início desse movimento, o resultado é meio “turvo”. Para o consumidor há um número cada vez maior de arquivos de música disponíveis, alguns de forma “gratuita”, outros pagos. Os pagos, em sua maioria, continuam na mão das mesmas corporações. Claro que os valores arrecadados diminuíram, mas as empresas continuam, praticamente, as mesmas; e os valores que são repassados aos artistas (quando acontecem) são mínimos.
Acho que o mais importante é que deve haver uma mudança drástica no comportamento dos consumidores de música. Eles precisam apoiar seus artistas comprando seus CDs e produtos independentes, esse ciclo é necessário para a manutenção da qualidade da arte em todas suas modalidades. O que vemos, cada vez mais, é o produto de entretenimento ocupando todos os espaços de divulgação e negócio. Esse espaço sempre houve e sempre haverá, mas não dessa forma monolítica. Se não fossem as atitudes de instituições como o Sesc e outras, não teríamos condições de exercer nossa arte com dignidade.

Obrigado Carlos Café, e sucesso.

Blues Acridoce é distribuído pela Tratore; você pode adquirir também nas lojas Pops DiscosBaratos Afins e diretamente com Carlos Café pelo e-mail caferj@terra.com.br

Leia também a entrevista com Carlos Café sobre o disco "Bagagem Código Blues" -

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