PAISAGEM SONORA, PELAS MÃOS DO GUITARRISTA EUDES CARVALHO

13 fevereiro, 2016
A palavra soundscape, de origem inglesa, refere-se a um dos elementos da ambientação acústica. O termo foi criado pelo compositor e ambientalista canadense Murray Schafer, cuja ideia consiste, em resumo, na percepção dos sons naturais, nas expressões sonoras dos seres vivos e os sons originados pela indústria tecnológica; enfim, tudo que pode ser sensibilizado pelo ouvido humano. A definição do termo foi padronizada pela ISO (International Organization for Standardization) em 2014.

Eudes Carvalho, guitarrista, violonista e compositor, protagoniza essas formas sonoras com o lançamento de seu primeiro álbum solo, Paisagem Sonora.
Natural de Brasília, iniciou na música ainda adolescente guiado pelo som do rock, da mpb e do pop, mas foi na Escola de Música de Brasília que descobriu o jazz e fez dele seu principal meio de expressão. Mestre pela própria universidade, partiu para a América e ingressou na University of Louisville, motivado por um programa de intercâmbio do governo brasileiro, e lá teve a oportunidade de estudar ao lado de Eddie Gomez, Lionel Loueke e Jamey Aebersold, entre outros.
Eudes também é integrante do grupo BeJazz.


Com pleno domínio da linguagem do jazz e com registro bem clean da sua guitarra, Eudes Carvalho apresenta em Paisagem Sonora um repertório de 11 composições, 7 autorais, em que mostra a força do nosso instrumental contemporâneo nos temas "Seu Olhar", "Amanhã" e "O Prazer de Viver" (Eudimar Braga, Eudes Carvalho); e nas belíssimas baladas "Saudade", "Novembro" (Naiara Lima) e "Bye Bye Brasilia" (Paulo André Tavares). O traço jazzístico aparece forte em "Avenida Sucupira", "SG4" e "4th St"; carrega o blues a la Wes em "Terça na Pinguela" (Jonathan Gardner); e traz um ar mineiro em "Minha Fotografia da Serra Dourada" (Hamilton Pinheiro).
Um belo registro da nossa música instrumental, em que Eudes Carvalho traz ao seu lado o contrabaixista Oswaldo Amorim, o pianista Misael Silvestre e o baterista Pedro Almeida.

Com a palavra, Eudes Carvalho -

O quanto é desafiador lançar um álbum de música instrumental por aqui?
Lançar um disco instrumental no Brasil é um desafio gigantesco, quem já viveu isso sabe do que estou falando. Este desafio começa na captação de recursos financeiros, e se estende por todo o processo - desde a gravação até a prensagem do CD e durante a divulgação e lançamento do trabalho, fase esta na qual me encontro no momento. Neste trabalho contei com a ajuda de muitos amigos e de pessoas que realmente acreditaram no meu som. Tenho que ressaltar  também a importância da Secretaria de Cultura e do Fundo de Amparo a Cultura do Distrito Federal (FAC-DF); fui contemplado no Edital Cassia Eller e isto me ajudou na captação de recursos financeiros para a realização do projeto.

Fale um pouco sobre os músicos que o acompanham no álbum.
São grandes amigos e a participação deles na gravação deu um toque especial. O responsável pelos pianos, Misael Silvestre, é um grande músico da cidade e possui uma forma pessoal de tocar e se expressar; na bateria, Pedro Almeida trouxe toda a fluência musical que possui, o que ajudou na construção da concepção do trabalho; e Oswaldo Amorim no contrabaixo acústico, intitulado entre os melhores contrabaixistas do Brasil, músico ativo no cenário musical brasiliense, foi meu professor na Escola de Música de Brasília e teve papel fundamental na minha formação musical.


O jazz se tornou predominante na sua formação. Que influências você carrega na sua música?
Eu tive meu primeiro contato com a música por volta dos 16 anos ouvindo rock e mpb, mas foi na Escola de Música de Brasília (EMB) por influência do professor Genil de Castro que descobri o jazz e comecei a me dedicar ao estilo. Mais pro fim do curso na EMB, tive contato com outro músico aqui de Brasília muito importante na minha formação chamado Paulo André Tavares, ele trouxe o lado do violão brasileiro me apresentando músicos como Toninho Horta, Hélio Delmiro e Lula Galvão. As minhas principais influências são os grandes músicos de jazz como Bill Evans, Jon Coltrane e Miles Davis, mas não posso deixar de lado músicos brasileiros como Tom Jobim, Hermeto Pascoal, Victor Assis Brasil, Milton Nascimento e Toninho Horta, que sempre me fascinaram com suas composições. Sobre os guitarristas de jazz sempre me chamou muita atenção aqueles que tocam com guitarras acústicas ou artchops estilo 175 ou L5. Acredito que, principalmente, por causa da sonoridade clássica da guitarra jazz. Os mais importantes na minha formação são Wes Montgomery, Jim Hall, George Benson e Pat Metheny, sendo que ultimamente tenho ouvido muito Peter Bernestein e Lage Lund.

Muito importante ter composições próprias, é a veia criativa em processo de transformação.
Como você trabalha o processo de composição?
Grande parte das minhas composições acontecem quando estou praticando. Geralmente a composição nasce a partir de algum motivo melódico, rítmico ou sequencia harmônica que chama a  minha atenção. A partir disso começo  a desenvolver a composição, realizo diferentes harmonizações para a mesma melodia até chegar a uma combinação que soe bem aos meus ouvidos. Procuro então, uma forma para a composição que me agrade e escrevo na partitura. Ao ouvir o trabalho, as pessoas mais acostumadas a ouvir musica instrumental e jazz vão perceber que algumas das composições possuem os formatos clássicos de standards de jazz. Além da consagrada forma AABA, algumas composições possuem o formato dos standards de jazz de 32 compassos ou do blues de 12 compassos; em outras faixas eu simplesmente optei em não seguir forma alguma deixando a música acontecer, realizando assim uma mistura de compassos e formas.

Que equipamentos usou nessa sessão de gravação?
Eu utilizei basicamente duas guitarras - uma Ibanez AF 105 com ponte de madeira e uma Gibson 175. Em uma das faixas gravei com um violão Godin Grand Concert Duet Ambiance, Sobre efeitos, utilizei um reverb Holy Grail da Electro Harmonix e em algumas faixas um delay Kronos da Fire. Utilizei amplificadores Fender e Roland.

Obrigado Eudes Carvalho, e sucesso.

Você encontra o álbum Paisagem Sonora nas principais plataformas digitais como iTunes, Google Play, Amazon. O disco físico pode ser adquirido entrando em contato direto com Eudes pelo site www.eudescarvalho.com