A NOVA ONDA DO VIOLINO: ZACH BROCK

10 janeiro, 2016
Instrumento de origem clássica, o violino ampliou sua fronteira no século passado e se inseriu no jazz em várias formas. Desde Stuff Smith, violinista da era do swing, ao Quintette du Hot Club de France liderado por Stephane Grapelli ao lado do guitarrista Django, que o instrumento vem ganhando novos rumos; e Grapelli, sem dúvida, tornou-se uma referência e influenciou as gerações seguintes, por sorte muita criativa, que deram nova textura ao movimento do jazz que insistia em se transformar e formar novos públicos. Na passagem dos anos 60 para os 70, o instrumento ganhou destaque nos nomes de Jerry Goodman, Jean-Luc Ponty e Zbigniew Seifert, que inflamaram a febre do jazz-rock nesse período. Mais tarde surgiram os nomes de Didier Lockwood, Daror Anger, Christian Howes, Nigel Kennedy e Regina Carter, entre outros, cada um na sua própria onda - do experimental ao jazz.


O contemporâneo violinista Zach Brock mantém esse legado, com o aval de Ponty, que não teve dúvidas ao citar o nome de Brock quando questionado pelo baixista Stanley Clarke sobre quem se destacava no instrumento no cenário atual.
Brock cresceu na cidade de Lexington, Kentucky, e começou o estudo do violino aos 4 anos de idade. Quase perdeu a vida ao ser atropelado quando andava de bicicleta, o que o levou a uma lenta recuperação deixando-o fisica e emocionalmente instável e sem estima pela vida e pela música. Mas ainda assim tinha o violino como uma válvula de escape enquanto recuperava-se na casa de seus pais.

Seu interesse pelo jazz o fez mudar-se para New York em 2005. Tomando gosto pelo violino de 5 cordas, instrumento transformado na onda do jazz-rock, recebeu de Stanley Clarke um vital conselho para que focasse no instrumento de 4 cordas, o padrão desde o século 16 quando o mesmo foi criado. Outras grandes inspirações de Brock são o guitarrista Pat Martino, que foi seu professor e quem o ensinou a se tornar mais expressivo com o instrumento e ser um verdadeiro líder de grupo, e o pianista Phil Markowitz, que mostrou a ele como compor fazendo a fusão do jazz com o clássico. Com Markowitz, gravou o álbum "Perpetuit" (2014), que contou com os baixistas Jay Anderson e Lincoln Goines, o baterista Obed Calvaire e o percussionista brasileiro Edson "Café".

Almost Never Was Serendipity Purple Sounds

Pela gravadora Criss Cross, lançou três álbuns geniais - "Almost Never Was" (2012), ao lado de Aaron Goldberg, Matt Penman e Eric Harland; "Purple Sounds" (2014), em uma referência aos trabalhos de violinistas com guitarristas na era jazz-rock, em que se destacam Ponty e Seifert, convidando o guitarrista Lage Lund ao lado de Matt Penman e Obed Calvaire; e "Serendipity" (2015), novamente com Goldberg, Penman e Harland, em um repertório que visita Ponty, Charlie Parker e Leonard Bernstein, além de temas autorais.


www.zachbrock.com/