O MULTIVERSO DE EMANUEL HILGENBERG

10 setembro, 2015
A teoria do Multiverso ficou evidente no início dos anos 60, cujas hipóteses surgiram a partir da Teoria da Relatividade de Einstein e da mecânica quântica da Teoria dos Muitos Mundos de Hugh Everett. Para tornar tudo isso mais complexo, a Teoria das Cordas vem unificar essas duas tendências da Física Moderna; em analogia, essa gama de energia se assemelha à vibração das cordas de um violão, que, estimuladas em diferentes frequências, produz diferentes partículas que formam o universo. De fato, nosso universo está em constante expansão e pode ser parte de outros tantos universos.

Assim se intitula o disco do guitarrista Emanuel Hilgenberg, mais um novo talento que vem comprovar que a música instrumental brasileira está muito viva e muito criativa.
Para quem começou ouvindo rock, logo se identificou com o instrumental de Stevie Vai e Satriani; e deu um salto para o jazz entrando no mundo de Miles, Coltrane, Hancock, Shorter e Hubbard; além da música brasileira de Milton Nascimento e a guitarra de Toninho Horta, estes que exercem grande influência na sua música.
Para Emanuel, é um hábito de escolher um músico e ouvir tudo dele, todas as suas fases.

Multiverso traz um repertório de 7 composições, todas arranjadas por Emanuel; um passeio instrumental com ares das Minas Gerais e aquele tempero jazzístico. Ao seu lado, Marcelo Hilgenberg no violão, Fabiano de Castro no piano, Ricardo Itaborahy nos teclados, Vinicius Dorin nos sopros, Dudu Lima no contrabaixo e Gladston Vieira e Leandro Scio na bateria.

Multiverso

Com a palavra, Emanuel Hilgenberg -

Fale da sua formação musical.
Cresci em Visconde de Mauá, sul do RJ, e me mudei para São Paulo há 3 anos. Me interessei pela música quando assisti a gravação do CD "Bach", do meu pai, Marcelo Hilgenberg. Neste disco ele está com os músicos que gravaram comigo, e fiquei fascinado. Comecei tocando e ouvindo Rock aos 15 anos, e logo me interessei por guitarristas como Greg Howe, Satriani, Steve Vai, mais na linha instrumental. Meu pai me ensinou sobre harmonia e improvisação, e aos 16 comecei no Instituto Musical Rogério Valente em Volta Redonda, com o próprio Rogério.
Asssim que me mudei para São Paulo iniciei o curso de Bacharelado em instrumento, a guitarra, na FAAM, e tive aulas com Mozart Mello e Michel Leme no IG&T e também com o Fernando Corrêa. Foi quando comecei a me dedicar ao Jazz e a ouvir mais o estilo, e músicas brasileiras do Clube da Esquina, Toninho Horta, Milton, estes que tiveram grande influência nesse meu trabalho. Atualmente continuo cursando a FAAM, tenho aulas particulares com Michel Leme e toco, entre outros projetos, em duo com meu pai no "Hilgenberg Jazz", me apresentando em diversas casas noturnas e festivais.

Como foi juntar esses grandes músicos para a gravação do disco?
O contrabaixista Dudu Lima e o pianista Fabiano de Castro são amigos do meu pai há muito tempo; o baterista Leandro Scio e o tecladista Ricardo Itaborahy já tinham participado junto com o Dudu no CD "Bach". Tive contato com o saxofonista Vinícius Dorin pelo Fabiano, com quem ele já tinha gravado.Todos toparam na hora.
Foi uma grande honra poder gravar ao lado dessas pessoas maravilhosas, exemplos como músicos e como pessoas. Quando eu era mais novo fui em um show do Stanley Jordan com o Dudu Lima, e gravar com ele este meu trabalho, e com todos os outros, foi uma experiência incrível.

Emanuel Hilgenberg

Todas as composições são arranjos seus. Como você pensa a música?
A ideia é conciliar os arranjos com os ritmos, os andamentos e a formação. Tento deixar os temas bem livres, sem muitas convenções, com improvisos que dêem tempo de se criar uma estória. Também acho legal umas surpresas como dobrar o andamento, a música alternando entre binário e ternário, uns vamps modais, solos de bateria, sempre dando toda abertura para os músicos pois essa é a intenção - que cada músico mostre a sua personalidade a favor da música.

Sua guitarra soa bem natura neste trabalho. Que equipamentos usou nesta sessão?
Eu gravei com uma Epiphone 335 dos anos 90 com cordas lisas .12, ligada direto em um pré amp Avalon Vt 737. Depois foi colocado um reverb de leve. O disco foi gravado em sua maior parte no Nave Studio em Juiz de Fora (MG) pelo Ricardo Rezende (Kiko), e o piano e o sax no Estúdio Guidon em São Paulo onde moram o Vinícius e o Fabiano.

O título do disco tem um contexto metafísico. A música transcende o universo?
A teoria do Multiverso sugere que, além do nosso universo, existam outros universos com características distintas, e para mim a música é isso - a cada vez que é tocada ela toma uma forma diferente, uma introdução diferente, uma interação no meio, um final alternativo. Daí esse paralelo com o Multiverso, onde você tem a forma e com ela pode se obter todas as variações possíveis.

Obrigado Emanuel Hilgenberg, e sucesso.

Para adquirir o disco "Multiverso" faça contato com Emanuel Hilgenberg pela sua página no facebook.