DRIVE ME

09 agosto, 2015
Artur Menezes é, sem dúvida,  um dos grandes nomes que surgiram na guitarra Blues nacional. Com o lançamento de seu terceiro álbum, Drive Me, se consolida como mais que um grande guitarrista, mostrando que a veia de composição está muito viva.
Drive Me traz 9 temas, 8 deles autorais e cantados em inglês, e 1 interpretação do tema "Cartão Postal", resgate do original composto por Rita Lee em um dos álbuns mais fantásticos do Rock Brasil - Tutti Fruti (1975).

Um super time está ao seu lado neste trabalho - Wladimir Catunda na bateria e Nino Nascimento no baixo, os convidados muito especiais Jefferson Gonçalves na gaita e Adriano Grineberg no hammond e piano elétrico, as vozes de Eloiza Paixão e Estela Paixão, e os metais de Paulo Malheiros no trombone, Sidmar Vieira no trompete e Luiz Neto no sax tenor.

Artur Menezes

Um imponente Chevrolet Impala sessentão ilustra a capa do álbum, e é o ronco dos motores que abre o repertório com o tema título em um Country-Rock contagiante. Mantendo a pressão, "I Have Screwed Up" coloca balanço cadenciado na forma Blues; e a pegada Rock se faz presente em "Bitterness", todas com intensos improvisos.
A balada "Getting Cold" ganha um ar Soul com a adição dos metais, e não diferente desse clima está "More Than You Know", ambas com desenhos de solos interessantes e um registro mais clean da guitarra.
Os metais também se mostram pontuais para a funkeada "Too Soon"; e dois temas instrumentais - "Novos Ares" e "Nosso Shuffle", esta com aquela atmosfera Texas Blues.
Fechando o álbum, o único tema cantado em português, "Cartão Postal", em duo acústico com a harmônica de Jefferson Gonçalves.

Com a palavra, Artur Menezes -

GC: "Drive Me" é mais um passo importante na sua carreira. Como deu-se a ideia desse trabalho? 
AM: É o meu terceiro disco solo. Estou muito feliz com o reconhecimento, pois o disco está maravilhoso e o público e crítica estão gostando bastante. A ideia foi a de seguir naturalmente nessa onda de fazer um Blues moderno misturando com vários outros estilos que gosto, como Funk, Soul, Rock e Country.

GC:  Talento e criatividade o levaram a representar boas marcas de instrumentos; e tem um pedal de efeito "drive" com seu nome. É importante essa parceria entre fabricante e músico? 
AM: Sim, é bem importante, mas não é essencial. Mas é interessante ter o nome vinculado a grandes marcas. Traz uma espécie de selo de qualidade e reconhecimento pelo trabalho. A parceria mais recente que fechei foi com a Suhr Guitars, uma das melhores guitarras no mundo, realmente um instrumento excepcional.

GC: Filho de cantora, Lucia Menezes, influência musical que vem de berço. Assim sendo, a música sempre foi regra em casa, certo? O que Artur Menezes sempre ouviu e, hoje, gosta de ouvir? 
AM: Isso. Desde criança vivo neste ambiente musical. O que eu costumo ouvir varia bastante, depende do momento. Às vezes descubro um artista que me emociona e então fico um bom tempo escutando e estudando sua obra. Um cara que venho escutando bastante ultimamente é o guitarrista Matt Schofield. O mais bacana é que o meu segundo show no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival este ano vai ser antes do show do Matt.

Artur Menezes

GC:  Você partiu cedo para vivenciar a Música nos EUA, em Chicago, terra de tradição do Blues. O quão importante foi essa experiência na sua formação como músico? 
AM: Foi legal beber o Blues direto da fonte. Ao vivo, a música bate mais forte, entra por osmose, então peguei bastante do estilo ouvindo e tocando junto, essas coisas. Mas o mais importante nesta experiência foi ver que lá na terra do Blues os artistas mais velhos e tradicionais estavam mesclando o Blues com outros estilos como Hip-hop, Funk e Soul, e isso me deu o estalo pra poder fazer um Blues sem amarras e sem estar preso em fórmula ou figurino. Pensei - "Poxa, se aqui no EUA, terra do Blues, muitos artistas, até da velha guarda, não estão com essa obrigação de serem tradicionais, por que eu, cearense, brasileiro, teria que ser?"

GC: Você vem conquistando seu espaço com um trabalho de muita qualidade, e recentemente levou seu som em turnê pela Europa e México. O mundo respira Blues? 
AM:  Acredito que sempre vai. O Blues nunca vai morrer, é uma música muito forte e cheia de sentimento. Costumo dizer que existem dois tipos de pessoas - as que gostam de Blues e as que não o conhecem. Quem conhece passa a gostar. O que acontece é que o estilo não recebe a atenção e reconhecimento merecido da grande mídia, mas tenho certeza que isso vai mudar.

GC: Duas faixas instrumentais em "Drive Me". Podemos esperar um trabalho nessa linha no futuro? 
AM:  Não tenho muita vontade de fazer um disco todo instrumental. O que noto é que um trabalho todo instrumental é muito apreciado por músicos e por um público mais restrito. A canção é mais acessível e conquista mais gente.

Obrigado Artur Menezes, e Sucesso.



Arte da capa do álbum é de Pedro Grangeiro e fotografia de Ana Lu Grosso.
Artur Menezes é endorser da Suhr Guitars, Fire Custom Pedals e Santo Angelo Cables.