O TRIO DO PIANISTA GUSTAVO FIGUEIREDO

27 outubro, 2014
O pianista mineiro Gustavo Figueiredo lança seu primeiro álbum solo - { trio } - acompanhado pelo contrabaixista Pablo Souza e pelo baterista Marcio Bahia.
A força da música das Minas Gerais revelando novas fronteiras com o Jazz contemporâneo.

Um repertório cheio de nuances e atmosferas muito particulares em 9 composições, 8 delas autorais e 1 composição de Milton Nascimento - "Canção do Sal".
O álbum abre com uma roupagem bem brasileira no tema "Brasil Fest", um contagiante levada em samba-jazz com espaço para o improviso do contrabaixista Pablo Souza. E quando o assunto é música brasileira, o baterista Marcio Bahia deita e rola.
Gustavo realiza homenagens para sua filha nos belos temas "Manuela" e "Passeio no Parque", aqui alternando modulações entre o piano Rhodes e o acústico. "Emily" traz uma introdução melódica muito familiar em piano solo, e a composição ganha nova dinâmica ao longo da interpretação, cujo tema celebra a chegada da sua primeira sobrinha. "2011" apresenta uma forte assinatura do Jazz europeu, principalmente para quem tem familiaridade com o som do E.S.T., aqui caracterizado pela condução do contrabaixo de Pablo Souza.
O piano Rhodes se apresenta como protagonista em "Mark 1"; e um tributo mais que especial para o pianista Thelonious Monk em "Thelonious Groove", com destaque também para as baquetas de Marcio Bahia.


Com a palavra, Gustavo Figueiredo -

GC: Conte um pouco sobre sua formação musical.
GF: Comecei minhas primeiras aulas de teclado aos 12 anos com alguns professores particulares. Logo depois entrei na Pró-Music, escola de música em Belo Horizonte, onde também estudei teoria musical. Em grande parte do tempo, estudei sozinho, por vídeo-aulas, métodos e ouvindo grandes músicos. Retomei aulas de teoria com Lúcio Martins, harmônia e improvisação com Enéias Xavier e com o pianista Irio Júnior, e fiz também um curso de Jazz com o guitarrista Mattew Warnock, professor de Jazz na Western Illinois University.

GC: É seu primeiro álbum solo, na formação de Trio, e dois grandes nomes da nossa música instrumental ao seu lado. Fale sobre a proposta deste trabalho.
GF: Essa é uma formação que gosto e ouço muito, os trios de Jazz. Procurei fazer um CD sem muito exagero nos improvisos, queria mostrar mais as composições e arranjos, claro que com a liberdade dos improvisos, mas sempre na medida.
Quanto aos músicos, foi uma coisa muito natural. Há algum tempo tenho a honra de tocar no trabalho do grande baterista Marcio Bahia, que pra mim é um dos maiores do mundo, e fiquei muito feliz por ele ter aceitado o convite de participar do meu trabalho. Deixou sua marca e fez toda a diferença. Quanto ao baixista Pablo Souza, é um parceiro de muito tempo, tocamos em muitos trabalhos juntos e durante quase 2 anos tivemos um trio de Jazz tocando semanalmente em uma casa de Belo Horizonte. Então também foi uma ótima escolha.

GC: Você faz uso do Piano Rhodes, cuja sonoridade nos dá uma atmosfera e dinâmica muito particulares. Como o instrumento se integra na sua música?
GF: Na verdade, eu sempre me vi na necessidade de tocar usando timbres de piano elétrico, pois nem sempre temos uma estrutura ideal com piano nos teatros, festivais ao ar livre e casas de show. Então uso muito teclado, e como o timbre de piano acústico é muito difícil de se aproximar, uso muito a simulação do piano elétrico do Fender Rhodes, que eu adoro. Quando é possível, usos os dois no show, piano acústico e elétrico.

GC: Influências sempre são importantes na criação da nossa identidade musical. Você também acredita que toda a experiência musical que a gente carrega forma nossa musicalidade? 
Fale sobre algumas das suas influências.
GF: Com certeza! Tocar com músicos diferentes, com linguagens, estilos e exigências diferentes, faz com que nossa bagagem musical aumente e, assim, consequentemente vamos moldando a forma de tocar. Acho muito importante ouvir cada estilo para entender a concepção, e isso ajuda muito na musicalidade quando vamos tocar.
Algumas grandes influências - Cesar Camargo Mariano, Bill Evans, Herbie Hancock, Keith Jarrett, Brad Mehldau, Chick Corea, Milton Nascimento, Toninho Horta e Miles Davis.

GC: O piano é um instrumento harmonicamente muito completo, permite várias experimentações e diferentes abordagens. Como a criatividade se integra no seu processo de composição?
GF: Realmente o piano é muito completo devido a sua grande extensão e facilidade na visualização das notas. Eu não componho muito. Tenho momentos de inspiração por alguma coisa que acontece e esta inspiração pode se transformar em música, mas há momentos em que simplesmente me concentro em compor. Na maioria das vezes, junto com a composição, tenho idéias de arranjos que posso manter ou desenvolver mais quando vou me acostumando com a música. Sempre gravo uma guia quando termino o processo, que pode ser uma simples ideia ou até a composição toda, que às vezes sai de uma só vez.

Gustavo Figueiredo

GC: 3 álbuns marcantes para Gustavo Figueiredo.
GF: Vou citar alguns que me marcaram e que até hoje me inspiram -
"Samambaia: Cesar Camargo Mariano e Helio Delmiro". Gravado no ano em que nasci (1981). O Cesar é um músico que me inspira muito, principalmente na sua condução e swing, é muito autêntico. Acho isso a coisa mais difícil para um músico conseguir.
"Bill Evans: At Montreux Jazz Festival". Gravado em 1968. É pra mim um dos melhores trios de Jazz, com Jack Dejohnette e Eddie Gomez. Este foi um dos discos me fizeram apaixonar pelo Jazz. Sempre me surpreendo com a forma com o Bill Evans interpretava e conduzia a harmonia.
"From Ton to Tom: Toninho Horta". É um disco genial, de 1998. Toninho Horta faz uma homenagem à altura para o grande mestre, Tom Jobim. É um disco emocionante e inspirador com arranjos incríveis.

Obrigado Gustavo Figueiredo, e sucesso.

gustavofigueiredo.com.br