O ESPAÇO-TEMPO DE IVAN BARASNEVICIUS

12 setembro, 2014
Ivan Barasnevicius Trio

A palavra "continuum" tem origem em conceitos físicos e filosóficos, cujo significado se associa ao espaço e tempo. Da mesma forma que Einstein afirmou não haver distinção entre esses elementos, a filosofia também discorre do fato de que não é possível existir contato entre os mesmos. E isso tudo vai um pouco além, levando até a teoria da existência dos universos paralelos, proposta por Hugh Everett no meio do século passado.

Mas o assunto aqui não é física, é música.
Na carona da semântica da palavra, os elementos aqui são desenhados por harmonias e improvisos.
Continuum é o segundo disco do guitarrista Ivan Barasnevicius, um super trio em que está acompanhado pela baixista Dé Bermudez e a bateria de Thiago Costa.

Este novo trabalho mantém a mesma proposta do disco de estréia, "Sintese" (2012), promovendo uma mistura de tendências que passam pelo rock, jazz e ritmos brasileiros, além de muita experimentação e improvisação.

Com a palavra, Ivan Barasnevicius -

Qual a proposta do disco?
A proposta deste disco é aprofundar as experiências de cruzamentos de sonoridades apresentadas no disco "Síntese", lançado em 2012. Apesar disso, vale lembrar que boa parte das composições já existia na época do lançamento do primeiro trabalho. Mas, certamente, com todo o aprendizado que tivemos no primeiro disco, conseguimos melhores resultados neste novo trabalho. Acaba sendo um grande desafio, tanto para os executantes quanto para o técnico de gravação, pois muitas vezes é como se tivéssemos duas ou três formações diferentes na mesma música.

A formação nesse disco é a mesma do disco de estréia. Fale um pouco sobre o grupo que o acompanha.
Sobre a Dé, como já citei em outras oportunidades, o mais interessante é que posso escrever para ela sem me preocupar com limitações. Grande instrumentista que é, toca o que estiver escrito, inclusive frases de difícil execução, já que um dos instrumentos que usa é de 6 cordas, e improvisa e conduz livremente sobre as harmonias propostas.
O Thiago também é um exímio instrumentista, que toca há muito tempo Jazz e música brasileira com diversos grupos, apesar de já ter tocado Rock por muito tempo, o que faz com que tenha um repertório de referências bastante eclético, sem limitações. Em ambos os casos, é muito confortável trabalhar com gente assim, pois é possível escrever sem limitar a criatividade.

O formato de Trio é sempre um desafio interessante, que exige muito mais dos músicos sobre ritmo e harmonia. É esse o caminho?
Sim, exatamente! Essa formação é interessante pois os três precisam fazer de tudo um pouco - improvisar, conduzir, convencionar. Em nosso trabalho, muitas vezes o baixo assume o papel de solista, o que torna necessário alguns procedimentos para que a guitarra e a bateria não tirem o espaço do baixo neste momento. Ou seja, é necessário que todos tenham cuidado com a dinâmica. Outro ponto é o trabalho com a variedade de timbres dos instrumentos. Mas estas são apenas algumas das questões, existem muitas outras particularidades, vantagens e desvantagens de se trabalhar em trio.

Influências à parte, há uma forte diversidade de texturas em sua música, entre abordagens melódicas e pegadas mais intensas com uso de drive. Como você trabalha as composições ?
IB : A proposta musical do trio é promover a junção de elementos muitas vezes conflitantes em uma mesma música, o que muitas vezes causa estranheza para quem ouve. Conseguir equilibrar estas sonoridades é um grande desafio, ainda mais quando se trata desta formação.
Por exemplo, em "Granizo" temos a mistura de elementos do Heavy Metal com uma levada de Samba-Jazz. Claro que tudo fica estilizado, mas a idéia é criar uma sonoridade diferente, mas de forma que os arranjos e composições tenham sempre a cara do grupo.

Fale sobre o processo de gravação do disco e os equipamentos usados.
"Continuum" não foi gravado ao vivo, e sim por camadas. Como somos apenas três, acabamos muitas vezes mudando os timbres dos instrumentos durante as músicas, como uma forma de ampliar as possibilidades de sonoridades. Para este formato, a gravação ao vivo prejudicaria o trabalho mais detalhado com os timbres utilizados. Assim, optamos pela gravação em camadas.
Os equipamentos foram mais variados do que em "Síntese", embora sejam coisas relativamente simples. Acredito que a sonoridade está antes de qualquer coisa nas mãos do próprio músico. Mas de qualquer forma, utilizei minha velha Gibson SG e Marshall Valvestate bem antigo nas faixas "Granizo" e "Groove pra Dé"; usei uma Telecaster com um P90 no braço plugada em um Fender Deluxe para gravar "Bizuca" e as partes com distorção de "Groove pra Dé"; e uma guitarra acústica com cordas flat plugada em um Fender Ultimate Chorus para "Hipnose", "Acalanto" e a faixa-bônus "Minuano", que, conforme falei será lançada posteriormente. Ainda, um violão canadense de cordas de aço emprestado do André Ferraz para gravar "Acalanto" e meu violão de nylon Caltram '98 para "Minuano".
Já a Dé utilizou seu Ibanez BTB de 6 cordas; e sua mais recente aquisição, um Fender fretless, utilizado nas faixas "Acalanto" e "Hipnose".


"Continuum" pode ser comprado no formato digital no iTunes e na cdbaby.com; em ambos canais é possível encontrar também disponível o primeiro trabalho do trio - "Síntese".
www.ivanbarasnevicius.com

Obrigado Ivan, e sucesso.