A NOITE DE CHICK COREA & THE VIGIL EM PALCO CARIOCA

03 setembro, 2014
Chick Corea & The Vigil
foto : Vinicius Pereira
O pianista Chick Corea é um protagonista da música contemporânea, já viajou por várias tendências e participou da transformação do Jazz liderada por Miles no final dos anos 60. Um músico extraordinário, e, mais vez, a oportunidade de vê-lo em palco carioca, agora no Vivo Rio, na formação de seu novo grupo - The Vigil.
Corea veio ao Brasil para o Festival MIMO, sediado em várias cidades, e, apesar dos contratempos na sua saída da Argentina, que o fez cancelar algumas apresentações, a passagem pela capital carioca entusiasmou os amantes da boa música.

No palco, Corea alternou no piano e sintetizadores, acompanhado pelo californiano Charles Altura na guitarra e violão, o cubano Carlitos Del Puerto no contrabaixo, Tim Garland nos sopros, o venezuelano Luisito Quintero na percussão e Marcus Gilmore na bateria. Um super grupo, muito antenado e com muita liberdade dada pelo líder, que estava muito à vontade e interagindo com o público.
A formação no álbum de estúdio - The Vigil (2013) - contou com o contrabaixista frances Hadrien Feraud, e teve as participações do contrabaixo de Stanley Clarke, do sopro de Ravi Coltrane, da voz de sua esposa Gayle Moran Corea e do percussionista Pernell Saturnino.

E foi uma noite de várias homenagens em 2 horas de apresentação. Na abertura, Corea homenageou Wayne Shorter com "Fingerprints", em uma versão rearranjada do tema "Footprints"; seguiu dedicando "Royalty" ao baterista Roy Haynes, belíssimo tema autoral inserido no album The Vigil. Corea e Haynes estiveram juntos em um dos seus mais extraordinários albuns - Now He Sings, Now He Sobs (1968).
Haynes, curiosamente, é avô do baterista Marcus Gilmore.
E estando na terra da bossa nova, fez, especialmente para essa turnê, uma leitura fantástica de Jobim em "Desafinado". Fez graça com seu próprio nome, lembrando que também se chama "Antonio" (Armando Anthony Corea), assim como o mestre Jobim; e desenvolveu o tema com uma pegada bem latina, dando espaço para os improvisos de Altura e Garland, que, ao tenor, desenhou belos e melódicos improvisos.
Outro homenageado da noite foi um músico de grande inspiração para Corea, Paco de Lucia, com o tema "Zyryab", título de album homônimo de Paco (1990) que teve a participação do líder da noite. Uma interpretação com várias nuances, introduzida em duo por Corea e Altura ao violão, seguida pelo duo por Garland e Carlitos, e finalizada com todo o grupo com a típica textura spanish, onda que Corea sempre explorou com maestria.
Outro tema do album The Vigil, "Portals to Forever", introduzida por um longo improviso do percussionista Luisito Quintero, que fez a platéia participar junto com palmas e ritmos, e cujo tema deu sequencia em uma intensa viagem sonora, dando um ar progressivo e muito espaço para experimentações de Corea nos synths e um longo solo de Gilmore.
Para fechar a noite, não podia faltar a clássica "Spain", cuja melodia foi desenhada na flauta por Garland e Corea promoveu um verdadeiro diálogo com a platéia, fazendo todo mundo cantar junto.

Um gigante, sempre !