SOBRE CADA CANTINHO DE BADI ASSAD

07 setembro, 2014
Nós, amantes do violão, sempre teremos uma referência na assinatura musical dos Irmãos Assad, nas cordas harmonizadas de Sergio, Odair e a irmã mais nova - Badi Assad.
Um berço de música, que tem na verve clássica e instrumental elementos que transpiram emoção, virtuosismo e profunda beleza melódica, nos transportando em uma viagem de vibrações sonoras.
Este que vos escreve não podia perder a oportunidade de trocar algumas palavras com ela, Badi Assad, violonista que, um dia, quando a ouvi pela primeira vez interpretando solo os temas Valseana e Farewell, arranjadas por seus irmãos, me encantou profundamente, e me fez tê-la, a partir daquele momento, como uma das referências no instrumento.
O papo, muito descontraído, ocorreu no backstage do Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras.

Badi Assad

Os primeiros álbuns refletem o virtuosismo de Badi como instrumentista, cujos temas se enchiam de pontuações improvisadas, muita harmonização e a voz se colocando como contexto percussivo. São trabalhos geniais como "Solo" (1994), "Rhythms" (1995) e "Echos of Brasil" (1997).
Ao lado de Larry Coryel e John Abercrombie, gravou "Three Guitars" (2003), excepcional registro instrumental em que Badi manteve seu estilo próprio. Ela, muito original, disse quando aceitou o convite - "Eu topo, mas só se eu puder fazer minhas traquinagens"; e assim formaram juntos 3 escolas de violão na mais perfeita sintonia. Podemos até vislumbrar um novo trabalho nessa onda, mas Badi nos revelou que tem um projeto futuro com o incendiário violonista Roy Rogers, cujo trabalho também contará com um harpista. Interessante combinação, vamos aguardar.

A violonista Badi viu-se em certo momento da vida limitada com o instrumento devido a um problema na mão, diagnosticada com distonia focal, o que a levou a parar de tocar, obrigando-a a reinventar-se e fazer da voz o principal elemento da sua musicalidade. Mesmo após a recuperação, o violão de Badi deixou de ser protagonista, e a voz - o canto, a música falada - determinou a direção na sua carreira. Vieram os álbuns "Verde" (2005), "Wonderland" (2006) e "Amor e Outras Manias Crônicas" (2012), este que deu a ela seu primeiro prêmio internacional - Songwriting Competition - com a composição "Pega no Coco", na categoria World Music.
Comemorando 20 anos de carreira, lançou seu primeiro DVD, intitulado "Badi" (2010).

Para Badi, o corpo também é um instrumento, ele fala, ele canta. O violão, por ser um instrumento melódico e harmônico, nos dá muitas possibilidades, e é aí que entra em foco a capacidade criativa. Questionada sobre como ela desenvolve esse processo, Badi é muito assertiva -
"A criatividade não tem regra, não tem um começo, meio e fim; e quando somos criativos, não somos só com a arte, somos criativos na vida, a criatividade faz parte do ser. E com a música, ela está aliada com a técnica, e quando se consegue juntar essas duas coisas voce tem uma liberdade muito maior."
E sobre o que ela pensa quando toca, Badi diz que a imaginação é o veículo propulsor, toca sempre imaginando algo. Mesmo em seu momento atual, em que não faz mais música instrumental, Badi faz da letra a sua imaginação, vive cada palavra daquilo que está cantando e busca sentir de fato a emoção que está fluindo, procurando interpretar a música e levá-la ao seu extremo.

Solo Rhythms Amor e Outras Manias Crônicas Cantos de Casa

Quando o assunto é música, Badi é uma alma inquieta, sempre buscando surpreender a si próprio, e tem isso como um desafio. Assim, lançou "Cantos de Casa" (2014), seu primeiro álbum voltado para o público infantil, que, alias, tem sido sua grande paixão.

Sobre o que gosta de ouvir, não hesita em falar de Bjork, a quem tem como uma artista criativa, que leva suas experimentações para o mundo pop; e Tori Amos, pianista que também faz do corpo um instrumento, e esclarece, curiosamente, que após ver Tori ao vivo passou a tocar em pé.

badiassad.com/