O QUE ROLOU NA SEGUNDA SEMANA DO RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES 2014

18 agosto, 2014
Mais um final de semana com muita música no Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras.
E quem abriu a noite de sexta-feira foi o tecladista Adriano Grineberg, na carona do lançamento de seu novo album - "Blues for Africa", em que coloca a tradição e cultura africanas numa fusão com o blues e com todas as tendências. Fez um tributo aos orixás e as forças da natureza, evocados em vocalizes, e, além dos temas do novo album, destacou a tradicional e contagiante "Walking by Myself" (Jimmy Rodgers) e "What´d I Say" (Ray Charles).

Badi Assad

Única representante feminina nesta edição do festival, a violonista Badi Assad subiu ao palco ao lado do percussionista Marcos Suzano. Apesar de ambos terem participado de muitos trabalhos em estúdio, esta foi a primeira vez que estiveram juntos no palco. Abriu com o tema "Pega no Côco", composição que deu a ela o prêmio de composição no International Songwriting Competition. Ainda em destaque no repertório, "Básica"; o clássico do Eurythmics "Sweet Dreams are Made of This"; e uma belíssima "Ponta de Areia", em que fez uso de harmônicos e uma citação de "Asa Branca" em seus improvisos vocais percussivos, característica muito particular de Badi. Dedicou parte da apresentação em performance solo, interpretou blues e country, e falou sobre seus novos trabalhos - "Amor e Outras Manias Crônicas", dedicando aos casais que se amam e se odeiam; e "Cantos de Casa", seu primeiro album para o público infantil, e como todos nós somos crianças, colocou toda a platéia para cantar "Qualquer Coisa por Voce".

Seguiu a noite com uma das novidades do festival, a holandesa The Jig, um super septeto trazendo um naipe de metais com barítono, tenor e trompete e os integrantes muito divertidos, carregando uma forte pegada Funk setentão com muito groove. Animou o público.
E o tão esperado Randy Brecker chegou com uma apresentação bem fusion, acompanhado pelo excelente Barry Finerty na guitarra, nosso grande Andre Vasconcelos no baixo elétrico, Oli Rockberger teclados e Rodney Holmes bateria. Brecker fez muito uso de efeito no sopro, alterando um pouco a sonoridade do instrumento; e deu muito espaço para o o guitarrista Finerty. Relembrou os Brecker Brothers em "Above and Below" e seu clássico "Some Skunk Funky", com direito a um espetacular solo de André Vasconcelos.

Popa Chubby

A noite de sexta-feira fechou com o blues-rock incendiário do guitarrista Popa Chubby. Conquistou o público logo nos primeiros ataques da guitarra, uma Strato bem surrada, usando e abusando da linguagem do blues. Sentado por quase toda a apresentação, teve ao lado o baixista Francesco Beccaro e o baterista Richie Monica. Popa fez bastante uso do wha-wha e da microfonia, brincou com a introdução de "Stairway to Heaven", mandou "Hey Joe" (Hendrix), o clássico "Further up on the Road" (Bland) e fez um eletrizante leitura do Mágico de Oz em "Somewhere Over the Rainbow" (Arlen). Ainda mostrou destreza na bateria, dialogando com Francesco e Monica na base do improviso, e jogou as baquetas para o público. Fechou a apresentação com "Hallelujah" (Cohen). No palco de Iriry, a mesma vibração.

Sábado pela manhã, Zuzo Moussawer mandou a chuva embora e empolgou o público da Praça São Pedro. Ao lado do guitarrista Mauro Hector e do baterista Plinio Romero, Zuzo mostrou-se um mestre do tapping, e desfilou um contagiante repertório instrumental passeando pelo Choro, R&B e Jazz. Fez, em sua performance solo, 'Stela by Starlight" (Young) e "The Chicken" (Jaco); abraçou um contrabaixo double-neck, cantou "Superstition" (Wonder) e fechou com o standard "Freddie Freeloader" (Miles).
Cheguei de noite no palco principal na apresentação da big band Rio Jazz Orchestra liderada pela voz da Taryn Szpilman que, com um repertório no melhor do swing das grandes orquestras de Jazz, interpretou "'It Don´t Mean a Thing" (Ellington) e "The Song is You" (Kern). Chamou ao palco o guitarrista Toninho Horta, que mandou uma homenagem a Moacir Santos com "Nana" e resgatou do seu repertório os temas "Beijo Partido" e "Diana". Taryn fez um tributo a Stevie Wonder com "For Once in my Life" e "Sir Duke", e fechou a apresentação no melhor estilo das big bands com "In the Mood" (Miller).

Scott Henderson

A noite seguiu com o power trio formado por Scott Henderson, Jeff Berlin e Billy Cobham, e foi uma das apresentações mais intensas do festival, uma verdadeira jam de fusion com Henderson em uma noite muito inspirada, tocou um absurdo. Não sobrou espaço vazio na apresentação, mantendo a atenção do público por todo o tempo, sobrando improviso para todo lado. O mestre Cobham segurou a onda pela ausência de Dennis Chambers, e no repertório destaque para a abertura com uma invocada versão de "Equinox" (Coltrane), e ainda "Black Market" (Weather Report) e "Come Together" (Beatles).
Uma verdadeira pedrada essa apresentação, literalmente "quebraram tudo".

E a grande atração do festival, sem dúvida, foi o nome de Al Jarreau. Muito simpático, muito à vontade e muito feliz com o público que lotou a cidade do Jazz em Costazul, que curtiu o repertório de alguns de seus clássicos como "Mornin" e "Black and Blues". Levou a apresentação para um lado intimista ao lado do violão de John Calderon interpretando "Só Danço Samba" (Jobim), desenhou improvisos vocais e fez o púbico cantar empolgado "Mas Que Nada" (Benjor). Teve seu momento jazzy com "Better than Anything", trouxe o baixista Chris Walker para cantar junto, falou sobre seu novo trabalho em tributo a seu amigo George Duke e, como não podia faltar, fechou a apresentação com "Your Song" (Elton John), levando o público ao verdadeiro delírio. Um showman !

E a noite fechou com a empolgação da Rockin' Dopsie Jr. & The Zydeco Twisters, que deixei para curtir no incendiado palco de Iriry. E realmente se houve uma reencarnação de James Brown, ela se deu na Louisiana. Rockin' Dopsie Jr fez um verdadeiro bailão e colocou todo mundo dançando com versões empolgantes de Creedence, Beatles, James Brown, citações dos Jackson Five e Michael Jackson, Prince, Stevie Wonder e um verdadeiro medley de Rock´n´Roll cinquentão. Um super grupo que traz acordeon e washboard na formação, além dos metais, sem deixar de lado o tempero de New Orleans, berço do grupo.
Uma festa !

Al Jarreau

No domingo pela manhã, o saxofonista Glaucus Linx e grupo levou seus Spirituals Blues no palco da Praça São Pedro. Artista em ascensão na capital carioca, Glaucus coloca muita raiz africana em sua música e faz questão de expressar essa magia e a espiritualidade com o público, principalmente nas baladas; e fez seu tributo a Dave Brubeck com uma versão invocada de "Take Five". Super show!

E, como sempre, já aguardamos a edição de 2015. Pela aceitação do público, que manteve uma boa regularidade nos dois finais de semana do festival, podemos esperar que esse novo formato em duas semanas permaneça. Tanto a produção como a prefeitura de Rio das Ostras não acreditam que esse formato possa esvaziar ou promover uma perda do interesse do público devido ao deslocamento dos que residem fora do estado.
E assim vamos aonde está a boa música.
Até a próxima !

Confira o que rolou na primeira semana do Festival -

Michel Leme DVD Na Montanha