HOLLAND, GARRETT E SNARKY PUPPY CONTAGIAM A EDIÇÃO CARIOCA DO BMW

03 junho, 2014
Kenny Garrett
foto : Vinicius Pereira

Não foi a melhor edição do maior evento de Jazz da capital carioca, mas trouxe, como sempre, atrações de peso e que, sem a menor dúvida, sensibilizou os amantes da boa música a irem até o Vivo Rio.
A noite de sábado abriu inspirada com o trio do contrabaixista Dave Holland, cuja expectativa era a apresentação do quarteto Prism, album homônimo lançado ano passado  e que foi assunto aqui.
As ausências do guitarrista Kevin Eubanks e do baterista Eric Harland, integrantes originais do quarteto, não tiraram o brilho da apresentação, e Holland ao lado do baterista Obed Calvaire e do pianista Craig Taborn, que chamou pra si a responsabilidade de preencher o espaço deixado pela guitarra de Eubanks.  O repertório do album Prism conduziu a apresentação, e Holland realmente muito à vontade, um gigante, esbanjou técnica em pontuações solo e teve ao lado um Taborn em noite inspirada, explorando o piano acústico e o Rhodes nos temas "Evolution", "The Meaning of Determination", "Breathe" e "The Watcher", esta que teve um diálogo empolgante entre Holland e Calvaire. Um super show e a noite de Jazz se encerrou aí !

A noite de domingo prometia com a abertura do pianista Ahmad Jamal, sempre escoltado pelo contrabaixista James Camack e, nesta apresentação, com o baterista Ben Riley e a adição do percussionista Manolo Bradena. É fato que Jamal não é o mesmo dos velhos discos, com aquela liberdade contagiante nas improvisações; mas sem dúvida é uma das lendas vivas do Jazz. Vale destacar a interpretação do tema "Poinciana".

E a noite ferveu quando Kenny Garrett subiu ao palco de forma arrasadora, em uma apresentação contagiante.
Acompanhado por Vernell Brown piano, Corcoran Holt contrabaixo, McClenty Hunter bateria e Rudy Bird percussão, Garrett apresentou um mainstream frenético, fez improvisações livres, colocou cadências latinas, vibrações coltraneanas, África, psicodelia, ritmo, tudo em uma intensidade absurda e ainda com direito a citações de Brown para It Don´t Mean a Thing (Ellington) e do líder para St.Thomas (Rollins). Até o gongo na parafernália percussiva de Bird soou original em um tema de fazer "pirar a cabeça" de muita gente.
Ao final, deixou rolar uma temática funky, puxou a platéia nas palmas e fez um final apoteótico, colocando todo mundo junto com a banda. Simplesmente sensacional !

A noite fechou com a garotada do Snarky Puppy, não à toa uma das grandes revelações do cenário musical contemporâneo. O grupo é originado do Brooklin, NY, e faz uma fusão contagiante do Jazz, do Funk e do Rock. Liderado pelo baixista Michael League e o pianista Bill Lawrence, a super banda ainda trouxe na formação o excelente tecladista Corey Harris, Chris Mcqueen na guitarra, Mike Maher no trompete, Justin Stanton revezando-se no trompete e teclados, Chris Bullock no tenor e flauta, Nate Werth percussão e Robert Searight na bateria.
No repertório, o album "We Like It Here", com destaque para os temas Lingus e What About Me; e League aproveitou para contar histórias, pontuou improvisos a la Jaco e, no ritmo de baião do tema "Tio Macaco", chamou ao palco o percussionista Bernardo Aguiar, que representou com maestria a nossa percussão com direito a um diálogo improvisado com Nate Werth e uma citação de "Asa Branca" na pele do pandeiro.
Um grupo fantástico, sem dúvida uma inspiração da atmosfera musical novaiorquina.

Ano que vem tem mais !