O TALENTO MULTIFACETADO DO BATERISTA BRIAN BLADE

21 maio, 2014
Brian Blade
Brian Blade é um dos mais extraordinários bateristas em atividade, não à toa lidera as baquetas nos grupos dos saxofonistas Wayne Whorter e Joshua Redman há tanto tempo.
Blade nasceu na Louisiana, em Sherveport, cerca de 500 kilômetros ao noroeste de New Orleans, cidade que mistura o blues, o country, folk e o jazz. Teve a música inserida em sua vida pelas canções gospel na igreja em que seu pai, Brady L. Blade Sr, foi pastor durante 25 anos. Aos 9 anos iniciou o estudo do violino e, inspirado pelo irmão mais velho, partiu para a bateria, e começou a ouvir Coltrane, Charlie Parker, Miles, Art Blakey, Monk e Elvin Jones, este que é uma de suas grandes inspirações.
Em 1997 criou a Fellowship Band com o pianista Jon Cowherd,  um trabalho realmente magnífico e que nos transporta em uma verdadeira viagem sonora. Integram a Fellowship Band os sopros de Melvin Butler e Myron Walden e o contrabaixo de Chris Thomas, e traz convidados como os guitarristas Marvin Sewell, Jeff Parker e Kurt Rosenwinkel.
O grupo, aqui, tem 4 discos gravados - Brian Blade Fellowship (1998, BlueNote), Perceptual (2000, BlueNote), Season of Changes (2008, Verve) e Landmarks (2014, Blue Note).
Blade também gravou um disco totalmente autoral em que a bateria não é protagonista, Mama Rosa (2009, Verve), um trabalho muito particular em que Blade mostra sua total versatilidade tocando guitarra, piano e cantando, dando um ar contemporâneo na música Folk, quase psicodélico, mostrando uma musicalidade singular e que poucos ousam colocar em prática.

Para Blade, a ideia do título, Landmarks, representa "o fato de estarmos aqui e agora, e passamos deixando sinais ao longo deste caminho".

Brian Blade

O baterista Fernando Baggio, colunista do site obaterista.com e integrante do grupo Instrumental RdT, tem verdadeira admiração por Blade, e não economiza palavras. Diz ele -
abre aspas
O que Brian Blade e seu grupo Fellowship representam para a música atual vai muito, muito além do universo do jazz. Sempre digo que ele é o amanhã. Seu estilo vem de uma profunda conexão com suas próprias crenças e verdades. Brian vem da escola dos Young Lions e tocou com muitos músicos locais, incluindo a família Marsalis, e caminhou para um norte bem diferente, sem perder as raízes. Sua estética em suas composições também deixa muito claro esse caminho. Brian encanta pela sua essência, pela sua energia, comove pela intensidade e conexão plena com a música, em êxtase transcendental.
Tecnicamente, ou “baterísticamente” falando, Brian Blade tem um toque particular, tira um som muito próprio do instrumento. Usa uma afinação baixa para os padrões do jazz, o que ressalta uma carga emocional em suas interpretações. É também um exímio apreciador dos sons dos pratos. Isso é relevante para o seu som. A maneira como ele usa os timbres, volumes, sons, enfatiza a beleza de suas performances. Blade “toca” pausas como ninguém; aproveita e cria tantos espaços em suas interpretações quanto pode, e isso mais uma vez traz densidade profunda em seu som. Dinâmicas, acentos explosivos, mudanças rítmicas repentinas, pulsação perfeita, timbres incríveis, enfim, muitos maravilhosos atributos para esse que é o maior baterista em atividade.
Brian faz música para sentir, e ele, mais que ninguém, sente cada milésimo de segundo dela. Antes de qualquer técnica musical, é isso que ele parece querer ensinar a todos mais que qualquer coisa: sinta e seja fiel a sua música. Viva Brian Blade!
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Obrigado Fernando Baggio, disse tudo.


brianblade.com/

Confira o trabalho do baterista Fernando Baggio com o RdT -

Rapazes do Trio