LOWDOWN BOOGIE

25 fevereiro, 2014
Reunir dois dos nossos maiores expoentes do Blues em um mesmo album é mais que garantia de qualidade, sem exagero, é a certeza de que a Música vai soar do jeito que a gente gosta, com muito improviso e muito groove.
Assim é Lowdown Boogie, protagonizado pela guitarra de Igor Prado e o piano de Ari Borger, mais um lançamento Chico Blues Records. Acompanhados pelo contrabaixo de Rodrigo Mantovani e a bateria de Yuri Prado, a dupla traz convidados muito especiais - o guitarrista Junior Watson e os sopros de Denilson Martins e Sax Gordon.
O Boggie é a temática deste projeto e é a oportunidade de resgate de compositores da primeira metade do século passado nas teclas de Edgar Hayes, Jimmy Yancey e Lil Armstrong, nos sopros de Lee Allen, John Hardee e Morris Lane e o eletrizante Chuck Berry.
Piano Blues, R&B e Rock´n´Roll bem primitivos em uma fusão com sonoridade bastante original.
O album foi gravado de forma totalmente analógica utilizando tapes de rolo, sem overdubs, justamente para se obter o calor autêntico dessas gravações.


O Boogie foi muito popular na década de 30, e é um estilo pianístico de execução do Blues caracterizado por figuras de baixo na mão esquerda, no formato de riffs, enquanto a mão direita improvisa uma linha melódica sincopada, assim define o Glossário do Jazz (Mario Jorge Jacques). Segundo historiadores, o ritmo referia-se aos passos de uma dança afroamericana, o shuffle.
E ninguém melhor que Ari Borger para representar o estilo em nossas terras, um especialista, e esse reconhecimento o levou ao palco Piano Boogie no Cincy Blues Festival edição 2013 junto com outros pianistas do estilo. Nem preciso falar sobre Igor Prado, nosso embaixador do Blues e do Jump Blues, sempre presente em publicações especializadas do estilo como a Living Blues e a Blues Revue. É "o cara" !

Lowdown Boggie abre bem no estilo cinquentão com "Fat Meals & Greens", tema de Edgar Hayes, e já coloca o convidado Junior Watson em cena. Essa atmosfera primitiva continua em "Newborn Shuffle", tema de Igor Prado, que abre o improviso seguido por Borger e pelo jovem Denilson Martins, que rasga o sopro com uma energia que por pouco não nos teletransporta para os inferninhos de época.
"Joogie Boogie" resgata Lil Armstrong, ela que foi a segunda esposa de Louis Armstrong e que teve grande influência nas sessões de Hot Five and Hot Seven, grupo do trompetista na época, participando como pianista e cantora. No tema, um contagiante improviso de Borger e novamente Denilson Martins tomando conta do espaço.
O tema título é uma composição de Borger e retrata bem o estilo, e ele, como sempre, muito à vontade, e ainda espaço para os desenhos de Igor. Ainda nessa onda, "Boogie Oogie Barbecue", composição de John Hardee, um flerte com o R&B e um toque primitivo de Jazz no sopro de Denilson.
Borger coloca o hammond em foco em "Bee Hive", composição de Lee Allen, e Denilson novamente toma a frente com belo improviso. "Rocking at the Philarmonic" traz uma composição de Chuck Berry, e agora Igor é o dono da bola, desfilando riffs no melhor estilo e uma pegada invocada.
"Blues for Rafa" é outra composição de Borger, um Slow Blues envenenenado, protagonizado pelo piano e ainda espaço para um estonteante improviso de Igor. Ainda no melhor estilo da época, "Blue Jeans", composição de Morris Lane, que foi integrante da banda de Lionel Hampton nos anos 40, e mais um convidado aparece em cena, Sax Gordon, que também aparece em "Rock It", um clássico dos Rocking Brothers, grupo pioneiro da era Rock´n´Roll nos anos 50.
O disco ainda traz duas faixas bonus - "Getting Fat" (Igor Prado) e "Yancey Special" (Jimmy Yancey); e quando você acha que o disco chegou ao fim, tem uma surpresa pra você

Cada faixa desse trabalho é uma viagem sonora.
Lowdown Boogie foi eleito como destaque instrumental do ano pela Blues Junction.
Obrigatório.



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