O LOBO WARREN

18 novembro, 2013
Com timbre muito particular, da família dos instrumentos de percussão, o vibrafone tem em suas teclas um tubo metálico oco afinado e um disco de diâmetro menor no topo deste tubo. Esses discos estão ligados a um eixo girado por um motor elétrico que, uma vez acionado ao toque de uma tecla, as notas soam em um efeito de vibrato, causado pela abertura e fechamento rápido dos tubos. O músico pode variar a velocidade de rotação, controlando esse efeito. Com o motor desligado, os tubos ficam abertos e o vibrafone apresenta um som semelhante ao de um sino. A extensão usual de um vibrafone compreende 3 oitavas.
Criado no início do século passado para compor a percussão das orquestras dos teatros populares, o vibrafone rapidamente se inseriu no Jazz e se popularizou nas mãos de Lionel Hampton, em plena era do swing, inserindo no estilo a primeira geração do instrumento. Mais tarde, outro gigante protagonizou com maestria o instrumento, Milt Jackson, a frente do Modern Jazz Quartet, dando ao bebop um colorido especial. O legado do instrumento foi levado adiante e ganhou importância na música contemporânea e no Jazz pelas baquetas de Bobby Hutcherson, Gary Burton, Roy Ayers, Joe Locke, Steve Nelson, Stefon Harris, entre outros.

Warren Wolf

Aqui em foco, um dos representantes desta nova geração no instrumento - Warren Wolf .
Desde os 3 anos de idade tem intimidade com o vibrafone e a marimba, a bateria e o piano. A influência veio pelo pai, percussionista amador, e mergulhou fundo em vários estilos de música - Clássico, Ragtime e o Jazz.
Estudou música clássica por oito anos na Baltimore School for the Arts, e partiu para a graduação em Berkelee, Boston, onde estudou com o vibrafonista Dave Samuels, e lá começou a explorar a fundo o Jazz. Milt Jackson e Bobby Hutcherson eram suas referências no vibrafone, mas foi Charlie Parker sua grande influência, assim como Miles, Hancock e Corea, que fortemente definiram sua direção.
Voltou aos palcos e atuou como sideman nos grupos de Bobby Watson, Christian McBride, Wynton Marsalis, Cyrus Chestnut e Ron Carter.
Warren Wolf foi apelidado pelo pai como Chano, em homenagem a Chano Pozo, que liderava as congas no grupo de Dizzy Gillespie.

Após gravar dois album com lançamento exclusivo no mercado japones - "Incredible Jazz Vibes" e "Black Wolf", Warren assina com a gravadora Mack Avenue em 2011 e lança o album "Warren Wolf", que teve a seção rítmica formada por Christian McBride, também produtor do album, Peter Martin, Gregory Hutchinson e os sopros de Jeremy Pelt e Tim Green.
McBride não economiza elogios a Warren, afirmando ser um músico extremamente talentoso e criativo e um dos mais extraordinários surgidos na última década.

O album Wolfgang (2013, Mack Avenue), traz novamente McBride na produção, também dividindo o contrabaixo com Kris Funn; no piano Benny Green, Aaron Goldberberg e Aaron Diehl; na bateria Lewis Nash e Billy Willians Jr; e o vocal de Darryl Tookes no tema "Setembro", dos nossos ilustres Ivan Lins e Gilson Peranzzetta. Além de composições próprias, Wolf assina 6 das 9 composições, traz "Frankie e Johnny" (Hughie Connon), que Warren lembra a primeira que ouviu o tema intepretado por Milt Jackson, Ray Brown e Stanley Turrentine, e aqui, para ele, é um tributo que McBride presta a Ray Brown; e "Le Carnaval de Venise" (Jean-Baptiste Arban), uma valsa em duo com Diehl.
O líder aparece contagiante em "Grand Central", cujo título foi inspirado por um expectador em uma apresentação no Dizzy´s Club que, ao ouvir o tema, afirmou sentir-se em plena estação novaiorquina na hora do rush.
Outro duo com Diehl na belíssima "Wolfgang"; e um destaque para as teclas de Benny Green em "Things Were Done Yesterday".

Warren WolfUm passeio pelo Blues e pelo Clássico, e o líder afirma - "Quis mostrar a beleza do instrumento. Em um quinteto, voce fica limitado; já em quarteto voce pode me ouvir mais. Muitas vezes o vibrafone é tocado suportado pelo outros instrumentos, aqui mostro que eu mesmo posso segurar a onda."