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04 setembro, 2013
Rachel Z
Rachel Carmel Nicolazzo é Rachel Z.
Eu conheci essa moça em uma formação bem inusitada, ao lado do grupo do saxofonista Wayne Scoferry no Jazz Standard. Nesta sessão, ainda estavam o pianista Orrin Evans, o contrabaixista Hans Glawischnig e o baterista Jason Brown.
Rachel Z, com um ar de mulher-gato, pilotava os teclados dando uma outra textura e uma abordagem um tanto eletrônica ao característico som acústico e straight ahead de Wayne.
Uma boa surpresa.

Rachel Z é uma nativa de NY, e teve a música e a arte no berço - a mãe cantora de ópera e o pai pianista. Cresceu frequentando o Metropolitan Opera House, onde a família assistia apresentações todas as semanas. Começou o estudo do piano clássico aos 7 anos e quando ouviu Miles Davis, aos 15, resolveu trocar o clássico pela improvisação, formando grupos locais fazendo covers de Joni Mitchell e Steely Dan. Graduou-se no New England Conservatory, premiada com honra em performance, e passou pela Berklee College e a Manhattan School of Music, onde teve  a oportunidade de estudar com Joanne Brackeen e Richie Beirach.
Nessa época tocava em pequenos grupos nas redondezas de Boston ao lado de Miroslav Vitous, Bob Moses e George Garzone. Retornou para New York e integrou o grupo Steps Ahead até 1996.
Colaborou com o premiado album de Wayne Shorter, High Life (1995, Verve), no qual foi convidada para elaborar um sistema computadorizado que simulasse uma orquestra e cujo registro foi premiado com o Grammy de melhor album contemporâneo na época. Mais tarde Rachel realizou um tributo a Wayne Shorter no excelente album On the Milky Way Express (2000, Crossover).

Em seu primeiro album solo, "Trust the Universe" (1992, Columbia Rec), que teve a produção de Mike Mainieri, dividiu-se entre o tradicional e o contemporâneo e teve as participações de Charnette Moffett e Al Foster de um lado e Victor Bailey e Lenny White de outro, ainda os sopros de David Sanchez e David Mann. Em "Room of One" (1996, NYC Rec), fez um tributo às mulheres artistas com arranjos realizados por Maria Schneider, registro que levou quatro estrelas pela Downbeat; e realizou um tributo a Joni Mitchell, que tanto a influenciou, em "Moon at the Window "(2002, Tone Center). Fez parte do projeto fusion chamado Vertú (1999, Sony Music) ao lado de Stanley Clarke e Lenny White e que ainda contou com o violino de Karen Briggs e a guitarra de Ritchie Kozen. Além de participar de vários trios em que fez novas leituras para o Jazz de temas do universo do pop-rock assinados por Steely Dan, Peter Gabriel, The Police, U2, Rolling Stones, entre outros.

The Trio of OzEm destaque aqui está o excelente projeto Trio of Oz (2010, Crossover), que traz Rachel Z junto com o marido e baterista Omar Hakim e a contrabaixista Maeve Royce em uma sessão contagiante. A proposta neste primeiro album do trio, que foi eleito na época de seu lançamento como o melhor album do ano pela Jazziz Magazine, é aproximar temas do Rock com a linguagem do Jazz, uma iniciativa que tem sido muito bem aceita e seguida por muitos grandes músicos do universo jazzístico.

O tema de Alice in Chains (Angry Chair) abre o album, e Rachel está contagiante com direito a uma citação de Softly as Morning Sunrise em seu improviso. Ainda Coldplay (Lost); a presença do rock alternativo dos 80 com New Order (Bizarre Love Triangle) e Depeche Mode (In Your Room); Stone Temple Pilots (Sour Girl); Morrisey (There is a Light); o rock independente do Death Cab For Cutie (I Will Possess Your Heart) e The Killers (When You Were Young); e uma bela versão para o clássico The Police (King of Pain).
Um discão.

rachelz.com/
thetrioofoz.com/


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