A PEQUENA GIGANTE HIROMI

29 setembro, 2013
Hiromi
foto : Earl Gibson III, AP

Ela nasceu na província japonesa de Shizuoka, Japão, e conquistou o mundo com seu estilo empolgante e vigoroso de tocar piano. Hiromi omeçou o estudo do piano clássico aos 6 anos e aos 14 já tocava com a Czech Philharmonic Orchestra. Destino e sorte a fizeram encontrar, por acaso, com Chick Corea, e no dia seguinte ao encontro já estava convidada para dividir o palco com ele.
Em 1999, ganhou uma bolsa de estudos e partiu para a Berklee, em Boston, onde teve como mentor o pianista Ahmad Jamal, que produziu seu primeiro album solo, Another Mind (2003, Telarc).

Este que vos escreve teve a oportunidade de vê-lá no Blue Note, uma pequena japonesa que chega ao palco com um jeito apreensivo, um olhar atento na lotada platéia e dando a impressão de que era sua primeira apresentação, tal o estado de êxtase que ela transpirava.
Sua discografia contempla tanto a roupagem acústica e mais jazzística, em trio, quanto a pegada fusion junto com o grupo Sonicbloom, o qual ela lidera em uma onda em que pilota teclados e que tem como coadjuvante o ousado guitarrista David Fiuczynski, aliás, não poderia existir outro guitarrista que dialogasse tão bem com Hiromi.
Em projetos paralelos, gravou um excelente álbum em duo com Chick Corea (2008, Stretch Rec), lançado no Japão; e o trio com Stanley Clarke e Lenny White intitulado Jazz in the Garden (2010, Contemporary Rec).

"Quando voce escreve uma música dificil, ela não soa dificil; a dificuldade é fazer esta música soar como se fosse facil de tocar", disse ela em sua entrevista para a revista Downbeat.

E essa pequena guerreira afirma que tem muita inspiração em Bruce Lee e Jackie Shan, compondo até uma homenagem no tema Kung-Fu World Champion em duas versões (Brain, 2004; Spiral, 2006); e ainda protagonizou a trilha para o cartoon Tom & Jerry (Another Mind, 2003).

Hiromi ao piano é incendiária, contagiante, intensa, de habilidade e técnica impecáveis. Ela traz também para o repertório composições clássicas, incorporando Beethoven na Sonata número 8 e Debussy em Clair de Lune, ambas com bela roupagem jazzística.

Hiromi
Seu álbum Move (2013) é o segundo da série que ela intitula The Trio Project, iniciada com Voice (2011), ambos lançados pela Telarc. E o trio que a acompanha é formado por dois gigantes e de formações bem distintas - as seis cordas do baixista nova-iorquino Anthony Jackson e a pegada fusion baterista inglês Simon Philips.
Mesmo em formato acústico, Hiromi não larga as intervenções no teclado eletrônico, mas é sua pegada no piano que impressiona, seu ataque, sua sensibilidade, é uma verdadeira usina de ideias e ela empurra o time, que não perde tempo e, literalmente, "quebra tudo".

Ela descreve o álbum Move como uma trilha sonora para um dia, do despertar com a faixa título até o adormecer com o tema "11:49pm". E é um dia realmente intenso, que passa por momentos frenéticos como a enérgica "Brand New Day", a suíte intitulada "Escapism", dividida em três partes - "Reality", a bela e melódica "Fantasy" e "In Between"; e ainda espaço para o funkeado de "Margarita!".
Um discão.


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