O CAMALEÃO ADEMIR JUNIOR

16 setembro, 2013
Camaleão significa "leão da terra", nome derivado das palavras gregas chamai (na terra, no chão) e leon (leão). Seu movimento é lento para não ser notado antes do ataque e sua mudança de cor tem um papel importante na comunicação durante as lutas entre a espécie. As cores indicam se o oponente está assustado ou furioso, mas também ajuda em sua camuflagem, embora esta não seja uma ocorrência frequente, e sim ocasional.

Ademir JuniorAs múltiplas formas do camaleão aqui se apresenta na forma de sopro, no sax de Ademir Junior - arranjador, compositor e um mestre na improvisação.
Iniciou o estudo da música aos 7 anos, com a clarineta, influenciado pelo pai, mas levou um tempo para começar a levar o assunto a sério. Aos 13 anos já se apresentava como clarinetista. Ingressou na UnB e teve a oportunidade de estudar com o clarinetista Luiz Gonzaga Carneiro, o trompetista Moises Alves e o saxofonista Idriss Boudrioua, mas a paixão pelo sax só veio aos 18 anos por influência do saxofonista Widor Santiago, e teve nestas pessoas seus verdadeiros tutores.
E não demorou para se apaixonar pelo som de Coltrane, Brecker, Shorter e Branford, entre muitos outros mestres do instrumento cuja música tanto o influenciou.
Ademir Junior já tem três discos lançados - Gratidão (2002), Vitória na Cruz (2007) e Brasilidades (2009).

Camaleão é o título que dá nome ao seu novo trabalho, o primeiro de uma trilogia em que pretende mostrar suas diversas influências como Choro, Erudito, Samba, Jazz, Salsa, Bolero e Pop - "Todos esses estilos me influenciaram e me ajudaram a entender as belezas que a música produz em nossa vida interior e como influencia em nossa vida cotidiana", diz Ademir no encarte do disco.

Neste novo trabalho, Ademir formou um super sexteto com Jesse Sadoc trompete, Lula Galvão guitarra, Vitor Gonçalves piano, Jefferson Lescowich contrabaixo e Rafael Barata bateria; e as participações especiais de Bob Mintzer, Alexandre Carvalho e Idriss Boudrioua.
Ademir assina 6 das 9 composições, Jesse Sadoc contribuiu com 3. E a atmosfera hard bop está presente por todo o disco, e Sadoc é realmente um expoente nessa onda, orgulho nosso em ter um instrumentista desse nivel. E é bom demais também ouvir novamente Lula Galvão tocando guitarra, matando uma saudade do tempo que ele abraçava o instrumento nas boas jams do final dos anos 80.

O disco abre com o tema Melhor de 8, dando as "boas-vindas" ao fraseado contagiante de Ademir. O samba-jazz aparece em A Prata e o Ouro, com um belo diálogo entre Ademir, Sadoc Vitor e Barata ao final do tema; faz uma roupagem gipsy no tema título, que se transforma ao longo do tema, com muito balanço, espaço para o improviso de Vitor e novamente um belo diálogo entre Ademir e Sadoc; o tema Livre Acesso nos remete a uma bela viagem, um retrato fiel da nossa música instrumental com aquela levada de baixo balançado em um arranjo que nos faz, literalmente, flutuar sobre as notas.
Duas baladas - Feelings e Elegia pro Freddie, homenagem de Sadoc a Freddie Hubbard e que traz uma atmosfera a la "João Donato".
Bob Mintzer aparece no tema JC, uma homenagem a Coltrane, e junto com Ademir abrem o tema no melhor ensemble, e aqui participa o guitarrista Alexandre Carvalho. Idriss participa da composição Entre Amigos. O disco fecha com JT, outro tema na melhor escola sambop.
Um disco espetacular.


www.ademirjunior.com/

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Ademir Junior