NA CARONA COM LARRY CORYELL

17 agosto, 2013
A música do guitarrista texano Larry Coryell definitivamente não tem fronteiras.

Uma ampla discografia em que atuou nos mais diferentes cenários, deixando sua assinatura em excelentes trabalhos desde seu primeiro registro em 1968. Seu disco "Spaces" de 1970 (Vanguard) foi um marco em sua carreira, na época acompanhado por John McLaughlin, Chick Corea, Miroslav Vitous e Billy Cobham, um super time e cujo trabalho foi recriado junto com Cobham em 1997 convidando Bireli Lagrene e Richard Bona na gravação de Spaces Revisited (Shanachie Rec).
Foi mentor do The Eleventh House, grupo fusion criado no início dos anos 70, que também tinha Randy Brecker e Alphonse Mouson.

No final dos anos 70, formou o Guitar Trio, uma onda gipsy contemporânea ao lado dos violões de Paco de Lucia e John McLaughlin. Nos anos 90 desembarcou em nossas terras para integrar o projeto Live in Bahia ao lado de Romero Lubambo, Dori Caymmi e os saudosos Nico Assumpção e Marcio Montarroyos. E ainda nessa formação de trio de violões, em 2003 integrou o Three com John Abercrombie e a nossa Badi Assad. Sem falar nas formações em power trio, destacando os registros ao lado de Mark Egan-Paul Wertico (Tricycles, 2004) ou Victor Bailey-Lenny White (Traffic, 2006); ou mesmo na onda Jazz ao lado de Kenny Barron, Buster Williams e Marvin Smith (Shining Hour, 1989) ou com Joey deFrancesco e Jimmy Cobb (Wonderful! Wonderful!, 2012); só para ilustrar alguns deles.
É inegável sua flexibilidade em fazer música.

A verdade é que o sangue jazz-rock corre forte em suas veias e o disco The Lift (2013, Wide Hive Rec) comprova que isso está mais vivo que nunca. Ao lado de Matt Montgomery baixo, Lumpy bateria e Chester Smith hammond, Coryell realiza outra verdadeira viagem sonora e não economizou o drive na sua guitarra, no melhor estilo jazz-rock. E ele sempre foi fã das archtops, sua preferida é a Gibson Super 400.
São 12 faixas que soam como uma verdadeira jam fusion, com espaço para um psicodélico blues em Arena Blues e uma velocidade intensa em The Lift, que tem na base a marcação precisa da guitarra de Coryell, no melhor estilo setentão, e o colorido do hammond de Chester Smith, que participa ainda das faixas Lafayete e Rough Cuts.
Uma outra roupagem blues aparece em Broken Blues, porém revestida com um ar mais Rock e cadenciado pelo walking de Montgomery. Espaço para uma balada em Counterweight; e em Stadium Wave mais uma vez temos como protagonista a marcação base da guitarra de Coryell.
Dois temas acústicos, Clear Skies e First Day Of Autumn, que fecha o disco.
Um show de riffs e, para os amantes da guitarra, um registro obrigatório.



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