A VOZ E O SWING DE CÉCILE MCLORIN SALVANT

08 agosto, 2013
Cecile Mclorin Salvant

Ela nasceu e cresceu em Miami, a mãe é francesa e o pai haitiano. A cantora Cécile McLorin Salvant começou os estudos no piano clássico aos cinco anos e logo estava cantando no Miami Choral Society.
Mudou-se em 2007 para a França, inicialmente para estudar ciência política, mas acabou iniciando o estudo de canto clássico e barroco e aprendeu sobre improvisação nas aulas com o saxofonista Jean-François Bonnel. Ampliou seu repertório vocal, começou a cantar em palcos com seu primeiro grupo e após diversas apresentações gravou, aos 19 anos, o album Cécile juntamente com o quinteto do saxofonista Bonnel.

Em 2010 despontou como a vencedora do Thelonius Monk International Jazz Vocal Competition, e ela não era só a mais jovem finalista, era também uma desconhecida com um visual bem diferente das demais participantes.

E para ela, Monk é uma de suas grandes influências, pela seriedade e aspecto intelectual e divertido de sua música e, mesmo crescendo ouvindo Bille Holliday, Sarah Vaughan e Dinah Washington, Monk sempre estava lá.
Aos 23 anos e com repertório e estilo das grandes cantoras de Jazz, Cécile apresenta seu novo e excelente album intitulado Woman Child (Mack Avenue). E está acompanhada por um time de primeira que traz o também emergente Aaron Diehl piano, Rodney Whitaker contrabaixo, James Chirillo guitarra e Herlin Riley bateria.

No repertório, canções que foram marcadas em muitas vozes. Encontramos Bessie Smith nos temas St. Louis Gal, um Blues gravado em 1929 e aqui em duo com James Chirillo, e Baby Have Pity On Me, também intimista com Chirilo e colorida pela percussão de Riley, ambas com uma roupagem bem rústica;
I Didn't Know What Time It Was nos remete às versões de Billie Holliday e Sarah Vaughan, aqui, mais uma vez, a textura blue com inspirados solos de Whitaker e Diehl.
What A Little Moonlight Can Do, que inspirou Carmen McRae, Betty Carter, Ella Fitzgerald, se introduz em forma de balada com Cécile explorando sua extensão vocal e o tema se transforma em andamento acelerado e contagiante com Diehl largando a mão.
Prelude-There's A Lull In My Life também foi gravada por Ella e é uma balada bem ao estilo, introduzida com um ar ellingtoniano pelo piano de Diehl.
O tema título, Woman Child, foi a primeira canção escrita por Cécile e mostra sua devoção pela cantora Abbey Lincoln, a quem ela atribui sua inspiração para compor. O tema é quase como uma autobiografia, em que fala sobre a arte e como ela a interpreta, na perspectiva de uma mulher adulta e de uma criança.
Cécile assina também o tema Deep Dark Blue.
Mais canções do início do século 20 com Nobody, escrita por Bert Willians em 1906; John Henry, tradicional canção de trabalho, mergulhando na tradição afro-americana; Le Front Cache Su Tes Genoux, escrita em 1930 pela poeta haitiana Ida Salomon Faubert; e You Bring Out The Savage in Me, que, conforme texto do encarte do album, é a primeira interpretação gravada por uma cantora de Jazz desde seu original em 1935 por Valaida Snow.
Ainda o standard Jitterbug Waltz, que Cécile interpreta solo, ela mesmo ao piano.

"Ela tem equilibrio, elegância, alma, humor, sensualidade e inteligencia."
Wynton Marsalis  
Que bela voz e que belo disco.
Mais sobre Cécile McLorin Salvant em  www.cecilemclorinsalvant.com