JOE BONAMASSA TOTALMENTE ACÚSTICO

05 julho, 2013
Joe Bonamassa An Acoustic Evening At The Vienna Opera House
Cinco músicos que nunca tinham tocado juntos, alguns nunca haviam se encontrado antes, todos de estilos bastante distintos e que se reuniram no palco sem nenhuma fonte de eletricidade para os instrumentos. A única linguagem em comum entre eles era a Música.

Para o produtor Kevin Shirley, reunir Joe Bonamassa, Arlan Schierbaum, Lenny Castro, o irlandes Gerry O'Connor e o sueco Mats Wester foi um grande desafio e o resultado foi surpreendentemente espetacular, o album An Acoustic Evening At The Vienna Opera House.

Evidente que, para esses extraordinários músicos, este desafio estava em suas próprias mentes. Foram somente 3 dias de ensaios e 3 apresentações antes do registro final, cuja turnê começou com um show em Montreux, seguiu para Toulouse, Lyon até a gravação ao vivo no Viena Opera House, Austria, um palco de grande importância musical, pela sua história, que sempre vibrou ao som de grandes orquestras clássicas.

O Viena Opera House foi inaugurado em 1869 e teve um momento de silêncio durante a segunda guerra mundial quando foi atingido por uma bomba em 1945, sendo reconstruído 10 anos depois.

Este album foi gravado com instrumentos totalmente acústicos, nenhum deles plugado, alguns muito interessantes como os tocados pelo sueco Mats Wester, como a Mandola, uma tipo de Mandolim e muito popular na Irlanda, e a Nyckelharpa, instrumento tradicional sueco datado do século 14, cheio de chaves e tocado com arco na posição horizontal, como um lap steel. Gerry O'Connor toca Banjo, Mandolin e Violinos; Arlan Schierbaum encarrega-se do Acordeon, Piano e Harmonium, instrumento similar ao orgão porém de tamanho reduzido; Lenny Castro nos instrumentos de percussão; e Bonamassa se reveza entre os 12 violões distribuídos no palco, incluindo dobros e violão de 12 cordas.
O repertório é composto por 21 composições já gravadas por Bonamassa. Para Mats Wester, isso foi mais desafiador pois não conhecia nenhuma delas e as estudou profundamente para traduzi-las ao seu instrumento, e o mais importante, para seu estilo, visto que Mats tem uma cultura musical bastante diferente e muito enraizada no Swedish Folk.
Assim como para o percussionista porto-riquenho Lenny Castro, que utilizou instrumentos que não costuma usar ao vivo, no palco, como Cajon, Washboard e o Bodhran (Irish Drum).

Uma sonoridade impressionante.

Joe Bonamassa

Para quem está acostumado com o peso e o som caloroso e envolvente da Les Paul de Bonamassa, vai se surpreender com esse show. Ele mesmo afirma que sente a falta da energia elétrica da guitarra, mas sempre mostrou muita destreza no violão aço e já havia realizado uma turnê solo explorando outras roupagens de seus temas originais.
Neste quinteto acústico um outro objetivo foi alcançado, os temas foram novamente arranjados e adequados à realidade de cada instrumento, mas sempre mantendo a essência dos registros originais.
É uma compilação de varias fases de Bonamassa, que inclui Mountain Time (So It's Like That, 2002); Woke Up Dreaming (Blues Deluxe, 2003); Palm Trees, Helicopters and Guns e High Water Everywhere (You and Me, 2006); Jelly Roll, Around the Bend, Richmond, Ball Peen Hammer, Sloe Gin e Seagull (Sloe Gin, 2007); Athens to Athens, From the Valley, The Ballad of John Henry e Jockey Full of Bourbon (The Ballad of John Henry, 2009); Dust Bowl, Slow Train e Black Lung Heartache (Dust Bowl, 2011); Driving Towards the Daylight, Dislocated Boy e Stones in My Passway (Driving Towards the Daylight, 2012).

E o Blues-Rock tão marcante destes temas aqui dá lugar ao novo, um encontro com uma atmosfera celta, às vezes um tanto rústica, com citações evidentes de Ragtime e Country, um nostálgico Folk setentão e, lógico, o Blues, tudo isso com uma textura muito particular.
Eloquente, inspirador, simplesmente espetacular.

Bonamassa é um verdadeiro alquimista, segue seu caminho musical sem se preocupar com rótulos e sempre buscando novas fronteiras. Ainda vai surpreender muita gente que ainda o acha um produto de mídia, mas o cara realmente sabe das coisas e toca demais.

O DVD está muito bem gravado e ainda traz entrevistas, os bastidores da turnê e a preparação para a apresentação final no Viena Opera House.
Registro obrigatório.



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