MINGUS MINGUS MINGUS BIG BAND

22 junho, 2013
Charles Mingus foi um dos grandes contrabaixistas do universo do jazz, polêmico, atuante, louco como somente ele poderia ser. Sua música sempre foi muito intensa, tantas vezes ilustrada por intervenções vocais e ferozes improvisos.
Como descreve o jornalista Roberto Muggiati no livro "Saindo da Sarjeta" (Ed. Zahar), Mingus sempre foi uma pessoa sensível aos problemas sociais e humanos que o cercava, e isso pesou demais levando-o a se internar em um hospital psiquiátrico. O livro retrata uma biografia de Mingus, porém resume-se muito à vida leviana que o protagonista levava.

Meu primeiro álbum de Mingus foi "Tijuana Moods", um vinil duplo, espetacular, uma verdadeira aula de jazz. O álbum trazia todos os alternate takes dos temas principais, e a primeira edição lançada em CD simples não trazia todos eles, deixando de fora justamente uma das mais intensas do álbum, Ysabel´s Table Dance. Mais tarde foi lançada uma edição especial em CD duplo que trouxe tudo isso e muito mais. O próprio Mingus afirmou que esta foi a melhor gravação que ele fez em um período um tanto "blue" da sua vida, durante uma viagem a Tijuana, México, regada a muita tequila, drogas e mulheres. Assim era Mingus, que morreu em 1979.

Quem celebra e leva adiante o legado da música do grande gênio é a Mingus Big Band, que se reveza com a Mingus Orchestra e a Mingus Dinasty no palco do Jazz Standard, na rua 27 em New York, todas as segundas-feiras, já conhecidas como "Mingus Mondays", um programa obrigatório.

Após receber seis nomeações para o Grammy, a Mingus Big Band finalmente foi reconhecida e levou o prêmio em 2011 como Best Large Jazz Ensemble pelo álbum Live at Jazz Standard, gravado na véspera do ano novo de 2009.
O trabalho é o décimo da discografia do grupo, e para Sue Mingus, viúva de Charles e quem gerencia o grupo, este prêmio foi muito especial pois o grupo foi criado nessa casa, uma das mais tradicionais da "big apple", e a gravação celebra exatamente 50 anos da primeira gravação de Mingus.

Com a liderança do contrabaixista Boris Koslov, a formação aqui conta com a seção de sopros de Randy Brecker, Kenny Rampton e Earl Gardner trompetes; Wayne Scofery e Abrahan Burton nos tenores; Vincent Herring no alto; Douglas Yates soprano e flauta; Lauren Sevian barítono; Ku-Umba Frank Lacy, Earl McIntire e Conrad Herwing trombones; e ainda David Kikoski piano e Jeff Watts bateria.

Um repertório contagiante, não poderia ser diferente, e encontramos a característica marcante da música de Mingus - o caos, a fúria e a energia das suas interpretações, e é isso que sentimos nos temas Birdcalls, Self-Portrait In Three Colors e Moanin'. 
O álbum abre com o tributo que Mingus fez a Charlie Parker em Gunslinging Bird, tema que era uma resposta aos músicos que tentavam imitar Parker, ironizando que ele se fosse um pistoleiro haveria muitos imitadores mortos; e essa atmosfera "parkeriana" do bebop aparece em New Now Know How e Open Letter To Duke.
O blues se apresenta marcante em Cryin’ Blues, introduzido pelo trompete de Kenny Rampton; e a clássica Goodbye Pork Pie Hat, aqui ilustrada pelos vocais de Ku-Umba Frank Lacy.
Tem que destacar o sax barítono de Lauren Sevian, essa bela moça toca um absurdo e merece uma atenção mais que especial aqui. Um disco obrigatório.

Mais sobre as Mingus Bands em  mingusmingusmingus.com/mingus-bands