AARON DIEHL : UMA ESTRELA EM ASCENSÃO

31 maio, 2013
Aaron Diehl
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
JBOnline, 25 de maio

A última eleição da Jazz Journalists Association (JJA), que congrega mais de 400 críticos do mundo inteiro, o pianista Aaron Diehl, 28 anos, foi escolhido o músico em ascensão da temporada 2012-13 (Up and Coming Artist of the Year).

Em 2011, o ex-aluno da Juilliard School, “descoberto” por Sua Excelência Wynton Marsalis, que o contratou para o seu septeto, já tinha conquistado um relevante primeiro lugar na Cole Porter Fellowship in Jazz Competition da American Pianists Association.

O pianista está de novo em evidência com o lançamento do CD The Bespoke Man's Narrative (MackAvenue Records), uma coleção de 10 faixas, das quais sete em quarteto com o vibrafonista Warren Wolf, o baixista David Wong e o baterista Rodney Green. Ou seja, uma formação que não pode deixar de lembrar o lendário e celebrado Modern Jazz Quartet, o conjunto de jazz “camerístico” que encantou os ouvidos mais exigentes durante três décadas, e deixou saudades quando se despediu, oficialmente, em 1974.
No MJQ, o pianista-compositor John Lewis era a cabeça e Milt Jackson (vibrafone) o coração. Percy Heath (baixo) e Connie Kay (bateria) eram os braços e as pernas daquele combo que dosava aspectos formais da música erudita (fuga, contraponto) com o feeling do blues e a causa formal do jazz, aquela pulsação anímica também chamada de swing.

Aaron Diehl não esconde sua admiração por John Lewis (1920-2001). Ainda quando estava na Juilliard, ele ajudou a viúva de Lewis, a iugoslava Mirjana, a organizar o arquivo de partituras, tapes e discos do grande músico. Mas deixa bem claro que este seu novo álbum não é, propriamente, uma ode ou um tributo ao MJQ ou ao seu líder.
A chave do CD da MackAvenue está no seu curioso título. De acordo com a apresentação da gravadora, nos círculos da moda, a palavra bespoke refere-se a roupas “feitas sob medida”. E Diehl explica que a ideia da metáfora é que o conceito musical das performances teve em mente, especificamente, as personalidades dos quatro jovens músicos, que executam peças concebidas, “sob medida”, por e para eles. Mesmo que cinco delas sejam arranjadas e improvisadas a partir de temas bem conhecidos nos campos do jazz e da música erudita: Moonlight in Vermont (7m), standard bem popular nos anos 50/60, e The Cylinder (5m30), de Milt Jackson, em quarteto; Single Petal of a rose (6m35), de Duke Ellington, Le Tombeau de Couperin (10m50), de Ravel, e Bess You is my Woman (8m15), de Gershwin, em trio (sem o vibrafone).
As composições da pena de Aaron Diehl são Prologue (1m55), Generation Y (6m50), Blue Nude (7m40), Stop and Go (5m40) e Epilogue (3m). E o fato de o CD ter um prólogo e um epílogo demonstra ter ele pretendido, e conseguido, que o todo (o álbum) fosse a soma harmoniosa das partes (as faixas).

A interação, a troca de passes constantes entre os membros do grupo – não impede que Diehl e o excelente Warren Wolf se destaquem como solistas, da mesma forma que o econômico John Lewis e Milt Jackson eram as estrelas do MJQ (Milt mais efusivo, John mais introvertido).
Aaron Diehl é um virtuose completo, de dedilhado cristalino, infenso a exibicionismos. Neste sentido, são particularmente admiráveis as recriações da terceira parte (Forlane) da suíte pianística de Ravel (os seis minutos do original são quase duplicados), de Bess You is my Woman, e também as fulgurantes performances dos originais Generation Y e Stop and Go.

E, finalmente, vale dizer que o grand piano de que se serve Diehl nesta gravação é o Fazioli F-228, considerado a Ferrari dos instrumentos de 88 teclas e sete oitavas.