CRAIG TABORN, A NOVA ESTRELA DA ECM

13 maio, 2013
Craig TabornColuna do Luiz Orlando Carneiro 
Jornal do Brasil, 11 de maio

Craig Taborn, 43 anos, afirma-se, a cada disco, como um dos pianistas de jazz mais técnicos e criativos surgidos nas últimas duas décadas, ao lado de Vijay Iyer, 41, e de Jason Moran, 38. Ele começou a brilhar como coadjuvante do excepcional saxofonista James Carter, um “feroz” young lion do neo-bop, em dois álbuns editados pela Atlantic: The Real Quiestorm (1994) e Conversin' with the Elders (1995-96). Este último captou relevantes “conversas” de jovens talentos então emergentes com jazzmen veteranos da importância dos trompetistas Harry “Sweets” Edison e Lester Bowie, e dos saxofonistas Buddy Tate, Hamiet Bluiett e Larry Smith.
No ano passado, Avenging Angel (ECM), o primeiro recital solo gravado por Taborn, foi eleito um dos seis melhores CDs do ano 2011-12 (de abril a abril) por mais de 400 votantes da Jazz Journalists Association (JJA). Mais recentemente, o pianista foi convocado pelo saxofonista Chris Potter para compor o quinteto que aparece em The Sirens (ECM), uma suíte de nove partes da pena de Potter, inspirada na Odisseia, de Homero. Graig Taborn volta agora à cena com Chants, gravação de junho do ano passado, sempre na ECM de Manfred Eicher. Trata-se de seu quinto álbum na condição de líder, desta vez à frente de um trio integrado por outros dois músicos também muito refinados, o baixista Thomas Morgan e o baterista Gerald Cleaver, que tocam juntos há oito anos, e se intercomunicam telepaticamente.

Chants é uma seleção de nove peças do pianista-compositor, cujo ponto culminante é exatamente a faixa do meio, a quinta do álbum, que é também a mais longa: All the Night/Future Perfect (12m45). Um dos reviwers do site All about jazz, Dan McClenaghan, assim comentou, de maneira irretocável, esta faixa:
É aqui que o gênio deste trio floresce. A partir de um tortuoso tema que vagueia por diferentes dimensões, o trio entra num estado zen de coesa improvisação, numa bela atmosfera onírica nascida de um equilíbrio sem sinal de ego”.

Taborn é semelhante ao do trio de Keith Jarrett, que reinventa standards como se fossem matéria-prima original, em estado de suspense. As faixas iniciais de Chants, Saints (5m20) e Beat the Ground (4m), são particularmente hipnóticas. Na primeira, o pianista realça sua articulação formidável num fraseado contrapontístico; na segunda, um ostinato efervescente é a base para a improvisação grupal.
Há, no entanto, bastante espaço para ruminações bem espaçosas que harmonizam delicadamente o toque cristalino do pianista, o baixo cantante de Morgan e a percussão crepitante-pontilhista, à la Paul Motian, de Cleaver. É o que acontece, por exemplo, em Silver Ghosts (7m35) e em In Chant (8m15).