O LADO ESCURO DA LUA

24 março, 2013
A lua sempre foi inspiração para poetas, românticos e sonhadores. O astro não só ilumina a face da terra como influencia as marés deste planeta constituído em sua maior parte de agua.
Tão enigmático, foi alvo de uma corrida espacial que brindou o universo com a pegada do americano Neil Armstrong no final dos anos 60, representado por suas próprias palavras como um pequeno passo para o homem e um salto gigantesco para a humanidade.
Seu eclipse é um raro e belo fenômeno e torna-se um ritual a observação deste momento, seja parcial ou em sua totalidade, e é incrivel que até a beleza da sua escuridão é apreciada com tanta euforia.

Dark Side of the Moon, que traduz-se o lado escuro da lua, é o título de um dos mais extraordinários albuns da história, não só do Rock, mas da Música, e cujo lançamento realizou-se há exatos 40 anos na data de 24 de março de 1973. É, até hoje, o album que permaneceu por mais tempo no ranking da Billboard, vendeu mais de 50 milhões de cópias e figura na lista do livro "1001 discos para se ouvir antes de morrer".
O álbum foi gravado no Abbey Road Studio, em Londres, em sessões executadas entre maio de 1972 e janeiro de 1973. Eternizou o grupo Pink Floyd, formado aqui por Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, que, além da grande imensidão sonora que produziram no album, carregaram nas letras as angústias do ser humano, o tempo, o dinheiro, a loucura e trouxe questões metafísicas, a vida além da terra, no espaço.

A década de 70 deu protagonismo à guitarra e David Gilmour, com sua própria identidade sonora, futurista e lisérgica, deu o registro preciso para essa viagem. Seus solos neste álbum preenchem todos os espaços, como se colorisse o plano geométrico do prisma que ilustra a capa e o traduzisse no próprio arco-iris, lógico que com o pote de ouro em sua extremidade.
Era uma época em que os recursos eletrônicos não eram tão avançados, sem sampling, e fazia-se o uso criativo dos sintetizadores e efeitos simulados pelos instrumentos, a sobreposição de vozes, tudo sempre sob a direção da engenharia de som de Alan Parsons.

O tecladista Rick Wright afirmou sua influência em outro album histórico do Jazz, Kind of Blue, de Miles Davis, na interpretação de Breathe; e percebe-se a beleza harmônica desenhada nos acordes do tema, um dos pontos altos do disco.
Traz um dos mais belos e emocionantes improvisos vocais em The Great Gig in the Sky, na voz da pouco conhecida Clare Torry, que simplesmente chegou no estúdio, improvisou e foi embora.
A série Sexto Sentido, criada em 1972 e exibida em nossas terras em 1976, colocou a música Time na abertura, com a introdução dos sinos e o pulsar do relógio criando um ar sombrio e tenebroso que ilustrava a série. O capitalismo também foi colocado em questão por Roger Waters em Money, introduzida pelo som das máquinas registradoras e moedas, tornando-se o hit do álbum para o lançamento, o tema tornou-se um dos riffs mais famosos do Rock e destaca-se o solo de sax de Dick Parry.
O álbum ainda carrega a mística em torno do filme Mágico de Oz, em relação ao sincronismo da sequencia dos temas com o filme, o que foi negado pelo grupo.

Inspirou tambem a nova geração do Jazz como o Jazz Side of the Moon (2008, Chesky Rec), grupo formado pelo organista Sam Yahel, o guitarrista Mike Moreno, o baterista Ari Hoenig e o sax de Seamus Blake; e a Neufeld-Occhipinti Jazz Orchestra, aka NOJO, um super grupo canadense formado por 16 integrantes que recriaram os temas em "Explores the Dark Side of the Moon" (2010, True North Rec).

Dark Side of the Moon é um disco eterno. Um disco para você ouvir sorrindo, para você ouvir chorando. Um disco que, obrigatoriamente, você vai ouvir sempre porque o lado escuro da lua é aqui mesmo onde vivemos.

Por mais que voce viva e voe alto
E os sorrisos que voce vai dar e lágrimas que vai chorar
E tudo que voce toca e tudo que voce vê
É tudo que sua vida sempre será
Breathe