MORRE DONALD BYRD

11 fevereiro, 2013
fonte : JazzTimes
por Jeff Tamarkin

(tradução livre)

Donald Byrd, o trompetista cuja música atravessou os mundos do hard bop, fusion e R&B, e que com seus grooves pesados dos anos 70 influenciou inúmeros artistas de hip-hop, morreu no dia 4 de fevereiro. Ele tinha 80 anos.

A notícia da sua morte não foi revelada pela família por razões desconhecidas, nem a causa e nem o local. No entanto, um aviso fúnebre publicado em Michigan confirmou sua morte.
Byrd foi um músico muito atuante no Jazz por quase duas décadas, quando, no início de 1970, se juntou com o produtor de R&B Larry Mizell e com um grupo de músicos da Howard University, que ele chamou de Blackbyrds, e gravou uma série de álbuns que o colocou no alto ranking da música Pop.
Sua maior contribuição para o Jazz como lider foi durante seus primeiros anos no selo Blue Note, com o qual assinou em 1958. Muitos destes albuns, incluindo Off to the Races, Byrd in Hand and Fuego (ambos de 1959), os dois volumes At the Half Note Café (1960), Royal Flush and The Cat Walk (1961) e A New Perspective (um album baseado em spirituals, lançado em 1963), são considerados clássicos do hard bop. Seu album Free Form (1961), que traz Wayne Shorter e Herbie Hancock, já sinalizava o lado funk que Byrd seguiria uma década mais tarde.

Donaldson Toussaint L’Ouverture Byrd II nasceu em Detroit em 9 de dezembro de 1932, estudou trompete e composição após juntar-se a força área e tocar na banda militar. Graduou-se pela Detroit’s Wayne State University em 1944 e após receber o título de Mestre pela Manhattan School of Music iniciou a carreira como sideman.
Na segunda metada de década de 50, seu trompete pode ser ouvido nas gravações de Kenny Clarke, Oscar Pettiford, Jackie McLean, Hank Jones, Billy Taylor, Gene Ammons, Horace Silver, Hank Mobley, Phil Woods, Sonny Rollins, Lou Donaldson, Jimmy Smith, Art Taylor, Kenny Drew, Sonny Clark, Red Garland, John Coltrane, Thelonious Monk e muitos outros. Um intervalo importante em sua carreira ocorreu em 1956, quando juntou-se aos Jazz Messengers de Art Blakey para gravar com a Columbia neste mesmo ano.

Em 1958, Byrd começou a dar os primeiros passos como lider, primeiramente no grupo do saxofonista barítono Pimenta Adams, com quem tocou por três anos, enquanto, simultaneamente, gravava em seu próprio nome para a Blue Note.
No início dos anos 60, Byrd também estudou música na Europa e tornou-se altamente respeitado por promover a educação do Jazz, desenvolvendo cursos para universidades e conservatórios nos EUA. Ensinou em muitas escolas, realizou clínicas e deu aulas particulares. Em 1982, Byrd recebeu o título de doutorado pela Teachers College of Columbia University.
Nos anos 1965 e 1966 trabalhou como arranjador para a Norwegian Radio Orchestra; no fim dos 60 e início dos 70 começou a mudar seu estilo, como no album Electric Byrd, em uma emergente fusão.
Nos anos seguintes, trabalhando como o produtor Mizell, Byrd virou totalmente a chave para os ritmos funky dançantes, proeminentes dos R&B da época. Seu album Black Byrd (1973) alienou muitos puristas de Jazz e acabou tornando-se um dos mais vendidos da história da Blue Note. Street Lady (1974) foi seu album com melhor colocação no ranking da Billboard, alacançando a posição 33.

Byrd largou os Blackbyrds em 1975 quando o single Walking in Rhythm, que teve sua produção e foi lançado pela Fantasy Records, alcançou a posição 4 da Billboard na categoria R&B e a posição 6 na categoria Pop. Um outro single, Happy Music, alcançou a posição 3 na categoria R&B e a posição 19 na categoria Pop.
Muitos dos albuns de Byrd em seu período funk, incluindo Places and Spaces e Step Into Tomorrow, ambos de 1975, se tornaram referência para artista de hip-hop. De acordo com o site Brooklyn Vegan, Byrd foi sampleado por vários artistas e produtores como Guru, Black Moon, J Dilla, Large Professor, Public Enemy, Nas, Jungle Brothers e Ice Cube. Também foi muito popular entre os artistas de acid jazz no Reino Unido.

Byrd ainda passou pela Elektra Records em 1978 e pela Landmark Records em 1983, onde retornou para o bop do início da sua carreira. Passou a maior parte de seu tempo nas últimas décadas como educador e foi nomeado NEA Jazz Master (National Endowment for the Arts) em 2000.

Donald Byrd : 1932-2013