TARYN SZPILMAN APRESENTA NEGRO BLUE

25 janeiro, 2013
Taryn Szpilman
O canto de Taryn Szpilman de berço. Seu pai, Marcos Szpilman, liderou uma das mais tradicionais big bands de jazz por aqui, a Rio Jazz Orchestra, grupo que Taryn também fez parte liderando as vozes, e cujo registro guardou para a posteridade no CD-DVD intitulado "Alma de uma Orquestra" (2008, Rob Digital).

A voz é seu instrumento, e sua presença de palco realmente faz a diferença. Taryn é teatral, é performática, é intensa, e esses adjetivos só complementam uma das mais belas vozes da nossa música, que, para nossa alegria, seguiu na escola do blues e do jazz.
Não à toa, o crítico musical Luiz Orlando Carneiro atestou a qualidade da sua voz e a segurança em suas interpretações; palavras de quem entende de verdade do assunto.

A música de Taryn carrega influências que passam pelo jazz nas vozes de Billie Holiday e Nina Simone, pelo soul e R&B nas vozes de Ray Charles, Etta James e Aretha Franklin, e se amplificam no blues e no rock em Janis, Hendrix, Muddy Waters e Led Zeppelin. Em suas apresentações, conta histórias da origem destes estilos e sobre esses personagens que marcaram no tempo, interpreta canções originadas no Delta do Mississipi e faz um passeio por todas essas tendências até o bom e velho clássico rock em uma verdadeira viagem sonora, do acústico ao elétrico, mostrando, em música, a interseção de todos estes estilos com o blues que, de alguma forma, é a fonte e está inserido de fato na música contemporânea.

E essa bela moça, de pela clara, olhos azuis e cabelos loiros, que se auto intitula uma "branca de alma negra", não economiza sentimento em suas interpretações e isso está registrado em dois excelentes álbuns - Bluezz (2010, Blues Time Rec) e Negro Blue (2012, Niteroi Discos).

E por trás de sua surpreendente voz, Taryn está sempre acompanhada por excelentes músicos.
Em "Negro Blue", participam Jefferson Lescowich e Andre Neiva no contrabaixo; Glauton Campelo e Lulu Martin no piano; o excelente Guilherme Schwab, Joe Manfra e Bernardo Bosisio revezando-se nas guitarras, violão e lap steel; Jefferson Gonçalves na harmônica; os metais da Rio Jazz Orchestra arranjados pelo competente AC; e aquele que, como ela apresenta, é seu companheiro na vida, na música e no amor, seu marido e baterista Claudio Infante.
Um time da pesada, o primeiro time, em um repertório que passa por Ray Charles (I´ve Got News for You), Janis (Piece of my Heart e Turtle Blues), Muddy Waters (I Feel Like Going Home e Hoochie Coochie Man), Billie Holiday (You´ve Changed), Zeppelin (Black Dog) e uma belíssima e surpreendente versão de Gershwin (I Love You Porgy) com arranjo de cordas.

BluezzNegro Blue

Taryn nos conta um pouco sobre sua história e sua música -

Gustavo Cunha : Com toda essa musicalidade vinda de berço, como deu-se sua formação musical?
Taryn Szpilman : Acredito que somos fruto do nosso meio. Sem dúvida a convivência com minha família musical influenciou demais a minha escolha, a minha paixão pela arte e pelo palco, que já frequentava desde muito pequena e nos ensaios da Rio Jazz Orchestra, assim como o meu gosto musical.
O meu avô era músico erudito e teve uma grande história ao lado do Villa Lobos, com quem tocou e era saxofonista solista. Meu pai seguiu com o saxofone e começou a tocar desde pequeno, fundou a Rio Jazz Orchestra e ouvia os vinis dos mestres do Jazz Miles, Duke Ellington, Charlie Parker, assim como o R&B de Stevie Wonder, Tina Turner e as divas do Jazz Billie Holiday, Sarah, Ella, Carmen McRae, Dinah Washington. Já minha mãe gostava do Rock inglês e estas são exatamente as minhas maiores influências até hoje. Eu vivi isso tudo ao lado desta família musical.

GC : Você reúne várias tendências na sua música e faz isso de forma muito natural. O quão é desafiador montar um repertório que represente todos esses estilos?
TS : Verdade. Percebi que amo todos estes - jazz, rock clássico, soul, R&B antigo, e todos são subgêneros do blues. Por este mesmo motivo todos se costuram e percebi este "fio da meada" que é o Blues, que possui um cast que amo de intérpretes e compositores e vi que podia juntar todos estes estilos em um só show e CD.

GC : Seu tributo a Billie Holiday foi um das mais belas homenagens já realizadas por aqui. 
Billie, talvez, seja a artista que mais representou no Jazz, em seu tempo, a linguagem do canto negro, do canto em lamento, e ela sempre esteve acompanhada por excelentes músicos de Jazz.
Voce também se cerca com músicos do nosso primeiro time. O quanto de Billie está em Taryn Szpilman?
TS : Ela é uma das minhas maiores influências exatamente pelos motivos que você citou, e amo estar bem cercada, acho essencial para a música e inspiração fluírem. Sou muito abençoada de ser acompanhada pelo meu "time" e produzida pelo Claudio Infante, um músico que ainda por cima, além de ser totalmente do jazz, tem uma super musicalidade brasileira em sua formação como baterista.

GC : Blue, em sua essência, carrega melancolia, tristeza, e o termo ficou muito enraizado pelo canto escravo. Negro Blue, título do seu novo álbum, representa o retrato histórico desse sentimento?
TS : Exato! Até escrevi sobre isso no encarte do CD Negro Blue, é um estilo muito vigoroso, visceral e emocionante porquê vem do lamento desse povo tão sofrido e tão rico em matéria de arte. O Blues nasceu da sua necessidade de transmutar o sofrimento quando trabalhavam nos campos de algodão. Era registrado primeiramente como folclore americano pelo pessoal das bibliotecas americanas e tornou-se o grande sucesso das juke boxes e rádios. E a partir do Blues nasceram o Jazz, a Soul, o R&B e esta gama enorme de subgêneros que até hoje são tão populares e influentes.
Mágica que nasceu da dor, Negro Blue, o fio da meada do meu trabalho, passeia por todos estes gêneros.

GC : Bluezz e Negro Blue se tornam oásis de influências do Jazz e Blues interpretados por uma artista nacional. Estilos que tem um publico muito fiel, porém pouca divulgação da mídia comum. Qual é sua expectativa com esses trabalhos?
TS : Eu faço o que acredito ser a minha verdade, não há outra maneira, e esta é minha expectativa - tocar os corações sem, realmente, me preocupar com números. Isso é consequência numa carreira, não pode haver uma meta de público, isso é crescente, progressivo, como colocar um tijolo acima de outro, comigo tem sido assim.. E nesses 16 anos de carreira tive a felicidade de constatar o que voce falou, existe um público fiel e apaixonado e em lugares no Brasil que sequer imaginamos, não é à toa que os festivais de Jazz e Blues tem pipocado! Graças a Deus.

GC : Da radiola de Taryn Szpilman, o que recomenda para nós?
TS :  Difícil resumir , mas vamos lá -
-  as coletâneas Verve com o melhor da Billie Holiday (qualquer uma delas);
-  a ópera negra Porgy and Bess de Gershwin com Louis Armstrong e Ella Fitzgerald;
-  Led Zeppelin IV.

Obrigado Taryn, e sucesso.


www.taryn.com.br/