MORRE RAVI SHANKAR

12 dezembro, 2012
Ravi Shankar
(fonte : Allan Kozinn, NY Times)

O mago da cítara Ravi Shankar morreu nesta terça-feira, 11 de dezembro, aos 92 anos.
Shankar sofria de problemas respiratórios e do coração e foi submetido a uma cirurgia cardíaca na última semana, disse sua família em comunicado oficial.

Um homem de fala mansa, mas cujo virtuosismo transcendeu a linguagem musical. Embora o público ocidental tenha sido, por muitas vezes, mistificado pelos sons estranhos quando ele começou a excursionar pela Europa e EUA no início dos anos 50, Shankar e seu grupo gradualmente construiram um grande número de seguidores para a música indiana.
Seu instrumento, a cítara, tem um pequeno corpo arredondado e um longo braço com uma boca de ressonância no topo, com 6 cordas melódicas e 25 cordas que não são tocadas mas que ressoam livremente quando as principais são tocadas. Apresentações de Cítara são geralmente improvisadas, mas as improvisações são estritamente regidas por um repertório de Ragas, padrões melódicos que representam modos específicos, horas do dia, estações do ano ou eventos, e Talas, intrincados padrões rítmicos que datam de vários milênios.

O Beatle George Harrisson começou a estudar cítara com ele em 1965, fato que deu-se pela curiosidade de Harrison sobre o instrumento que ele encontrou no set de filmagens do filme Help!. Harrisson, intrigado pela complexidade do instrumento, resolveu estudar com o mestre e o incluiu na gravação de Norwegian Wood. Isso levou vários grupos de Rock a incorporar elementos indianos em suas músicas e esta atenção com a cultura popular levou Shankar para se apresentar no Festival Internacional de Monterrey em 1967 e em Woodstock em 1969. Shankar, mais tarde, reconheceu como um erro sua participação em festivais de Rock, lamentando o uso de sua música e de suas raízes de tradição espiritual como um pano de fundo para consumo de drogas.

Shankar amava a mistura da música de diferentes culturas. Colaborou com o flautista Jean-Pierre Rampal e com John Coltrane, que se viu fascinado pela música e a filosofia indiana no início dos anos 60. Coltrane encontrou Shankar muitas vezes entre 1964 e 1966 para aprender o básico das Ragas, Talas e técnicas de improvisação indiana. Coltrane deu o nome de seu filho, Ravi, em homenagem a ele.
Influenciou uma infinidade de músicos, como o guitarrista John McLaughlin, que criou o grupo Shakti com a participação do seu sobrinho e violinista L.Shankar; participou da trilhas sonora do filme Ghandi em 1982, colaborou com o músico Philip Glass em diversos projetos musicais nos anos 90 e realizou concertos para cítara e orquestra. Em 1988, sua peça em sete movimentos chamada Swar Milan foi executada no Palácio da Cultura de Moscou por um grupo de 140 músicos, incluindo o Russian Folk Ensemble, juntamente com membros do seu próprio grupo.

Foi um grande educador da música indiana nos EUA, convidado pela City College em New York e no final dos anos 60 fundou uma escola de música indiana em Los Angeles. Shankar também foi o protagonista de um documentário em 1971 chamado Raga: A Journey Into the Soul of India; e teve duas auto-biografias publicadas - My Life, My Music em 1969  e Raga Mala in 1997.

“Sempre tive um instinto para fazer coisas novas, chamem de coisas boas ou ruins, eu amo experimentar”, disse Shankar em 1985.

Ravi Shankar nesceu em 7 de abril de 1020 em Varanasi, India, em uma família de músicos e dançarinos. Seu irmão mais velho o levou a uma excursão junto com um grupo de dança indiano, que Shankar juntou-se aos 10 anos. Logo tornou-se um dos solistas do grupo e acabou descobrindo que tinha facilidade com a cítara e o sarod, um outro instrumento de cordas, além da flauta e a tabla, uma bateria indiana.
Na vida pessoal, Shankar teve um longo relacionamento com Kamala Shastri, uma dançarina; com a produtora cultural Sue Jones, com quem teve uma filha, a cantora e pianista Norah Jones; e casou-se com Sukanya Rajan em 1979 tendo outra filha, Anoushka Shankar, também musicista.

Ravi Shankar : 1920-2012