JUAREZ MOREIRA LANÇA SEU PRIMEIRO DVD

20 novembro, 2012
Juarez Moreira
Ele é uma das vozes instrumentais com grande destaque do nosso cenário musical.
Por influência do pai, um violonista amador, iniciou os estudos no violão como autodidata, cresceu com a música até estrear profissionalmente no grupo instrumental de Wagner Tiso em 1978, o que foi muito promissor e abriu portas para realizar trabalhos com Toninho Horta e Yuri Popoff em meados de 1980 e fazer parte dos grupos de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, entre outros.
Hoje, com 12 discos em sua discografia, a certeza de que contribuiu, e muito, para levar a música das Minas Gerais, a nossa música, para o mundo.

O guitarrista e violonista Juarez Moreira nos brinda com o lançamento do seu primeiro DVD, gravado ao vivo no Palácio das Artes em Belo Horizonte.
Esse trabalho só vem reforçar a maturidade musical alcançada ao longo da sua carreira, e convidou velhos amigos para participar deste projeto - o piano de Wagner Tiso, o violão de Toninho Horta, os sopros de Nivaldo Ornelas, Mauro Rodrigues e Marcos Flávio e o quarteto de cordas Taron; além da sua banda base formada por André Dequech piano, Kiko Mitre contrabaixo, Cleber Alves no sax e Nenem Ferreira bateria.

Um DVD muito bem gravado, com três trilhas de áudio, Dolby 2.0, 5.1 e DTS, e uma seção de extras com um making of do ensaio em estúdio com os convidados, algumas histórias contadas por Juarez e ainda em um momento de intimidade com seu violão.
São 18 temas gravados, 15 autorais e Juarez revive Sue Ann (Tom Jobim), Alegria de viver (Luiz Eça) e Um Chorinho Diferente (Gaucho & Zé Menezes). Das composições autorais, uma retrospectiva da sua carreira desde o lançamento de seu primeiro trabalho, "Bom Dia" (1989). Os arranjos foram elaborados por Juarez e Cleber Alves.

O tanto de simplicidade que Juarez transmite, passa em intensidade na sua música.
E essa sonoridade das Minas Gerais faz a diferença quando a ela se junta a bossa, o choro, o jazz e o blues, traduzindo esses elementos em uma rítmica muito particular e gostosa de se ouvir; e, aqui, de se ver. Juarez, de estilo fingerstyle, reveza entre a guitarra, uma 335, e o violão, um belo Takamine modelo Hirade.
No repertório, um passeio pelo balanço da bossa nos temas Carioca e Alegria de Viver; traz o choro na forma de tango em Choro para Piazzolla, uma homenagem ao mestre, e o reveste de bossa, como se dançasse samba, em Chorinho Diferente. Um ar seresteiro revive Jobim em Sue Ann; e ilustra a fronteira do samba com o blues em Samblues, arrastando a melodia com muito swing e com o colorido dos improvisos de Dequech, Juarez, Cleber e as divisões rítmicas aplicadas pontualmente pela bateria de Nenem. Um espetáculo.
Nivaldo Ornelas aparece na flauta em Belle Epoque e no tenor em Cantiga Bossa Nova, aqui em um improviso bem desenhado compartilhado pelo piano de Dequech.
No tema Trópicos, algo nos leva à Bahia, de todos os santos, de todas as crenças, de todos os ritmos, que encontra na melodia a originalidade da música de Juarez. Percebe-se influências muito presentes, primariamente a característica forte da sua origem, da música de Minas, como em Depois do Amor, cujo tema nos remete a uma nostalgia do Clube da Esquina; às vezes paira um ar "methenyiano", às vezes um ar de Toninho Horta.
Toninho se apresenta em Samba pra Toninho, assumindo a 335 de Juarez, que volta ao violão, e fazem uma interpretação impecável, traduzindo um verdadeiro retrato da nossa música instrumental e com todos os sopros no palco, com muito balanço e um certo ar emsemble. Toninho ainda divide o violão com Juarez e o piano de Wagner Tiso em Valsa para Maria, uma balada belíssima, de originalidade e sensibilidade únicas. Wagner Tiso também interpreta Cine Pathe, quase como um encontro com os "anos dourados" de Jobim.
O quarteto de cordas Taron, formado por Jovana Trifunovic e Frank Haemmer nos violinos, Katarzyna Druzd na viola e Lina Radovanovic no violoncelo, deu um ar erudito na apresentação nos temas Baião Barroco e Valsa para os Beatles.
Encerrando a apresentação, o belíssimo tema Você Chegou Sorrindo, e chegou mesmo para ficar com uma daquelas melodias que a gente sai assobiando por aí; e é isso que faz a nossa alegria de viver.

Viva a Música Instrumental Brasileira.

Juarez Moreira

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