O SOUL E O JAZZ NA VOZ DE GREGORY PORTER

25 setembro, 2012
Ele está na fronteira do soul e do jazz.
Gregory Porter é uma das vozes mais promissoras da atualidade - imponente, profunda, calorosa, dentro de um estilo que poucos desenvolveram com talento e sobriedade.

Não tem como não se render com a atmosfera de sua música, que envolve, melodica e harmonicamente, com sua voz enraizada no soul e R&B, e quando coloca a forma do jazz o faz como nós gostamos.
Com os álbuns "Water" (Motema, 2010) e "Be Good" (Motema, 2012), alcançou uma repercussão muito positiva, inclusive "Water" foi indicado como álbum de jazz vocal pelo Grammy e como álbum de jazz do ano pela Jazzwise Magazine.
Em ambos , Porter está acompanhado de uma super banda - o piano de Chip Crawford, o contrabaixo de Aaron James, o sax de Yosuke Sato e a bateria de Emanuel Harrold, formação que encontrou-se no St. Nick's Pub, Harlem, local onde o grupo já tocava. E uma coisa levou a outra - na hora de gravar o álbum Water, Porter quis uma seção rítmica já familiarizada e que estivesse com o clima das músicas.

Porter nasceu na Califórnia e começou cantando nos pequenos clubes de jazz em San Diego, ao mesmo tempo que atendia a um chamado para uma bolsa de estudos na San Diego State University; mas seu destino foi o Brooklin, em New York. Criado pela mãe, cresceu sem o pai. Compensava esse vazio emocional na música de Nat King Cole, cuja voz melosa e barítono de Porter se assemelha.
Porter ouviu Nat King Cole por tanto tempo e tão profundamente que ele criou uma conexão emocional com ele. Kamau Kenyatta, seu diretor musical, foi quem o ouviu pela primeira vez em 1998 e, percebendo sua admiração por Nat King Cole, o convidou para visitá-lo em seu estúdio onde estava produzindo o álbum de Hubert Laws em tributo ao próprio, "Unforgettable Nat King Cole" (Unique Records, 1998).
Quando Laws ouviu Porter cantar sozinho o tema "Smile" (Chaplin), deu um jeito de incluir uma faixa bônus no disco com sua voz, e esta tornou-se sua primeira gravação em estúdio.


Em "Be Good" Porter traça uma conectividade única entre o soul e o jazz enquanto revela experiências pessoais que ligam profundamente o cantor e o ouvinte. Ele afirma que quando cria uma música e a coloca pra fora, não tem idéia de como isso volta a ele, e isso é o que torna tudo extraordinário, essa comunicação; não dizer a você como você devia se sentir ao ouvir uma música, simplesmente a interpreta e você sente o que quiser.
O tema homônimo fala sobre um relacionamento em que você se sente amarrado, confinado de forma que não é permitido sair para amar, e percebe-se uma tendência erudita no solo do excelente pianista Chip Crawford. Destacam-se ainda "Mother's Song", que honra a beleza interna e externa da influência primária da vida de Porter, a mãe que ensina a todas as suas crianças a amarem e serem amadas; faz uma simples declaração de amor em "Real Good Hands"; traz fúria no clássico "Work Song" (Adderley); e uma versão bela, intimista e solitária, a capela, de "God Bless the Child" (Billie).