O BRILHO CRESCENTE DE LINDA OH

14 agosto, 2012
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
JB, 14 de julho

Linda Oh
O brilho e a fama crescentes da jovem Linda Oh, como contrabaixista, compositora e líder, foi assunto desta coluna (28/2/2010) quando do lançamento de seu CD de estreia, Entry, uma seleção de oito originais e de um tema do Red Hot Chili Peppers (Soul to Squeeze) por ela desenvolvidos de maneira bem free, na companhia dos também então emergentes e destemidos Ambrose Akinmusire (trompete) e Obed Calvaire (baixo).
Para quem ainda não sabe, a nova estrela do jazz nasceu na Malásia, filha de pais chineses, e foi criada na Austrália (Perth), onde teve formação clássica, estudando piano e fagote, antes de fixar-se no baixo (acústico e elétrico). Ela vive em Nova York desde 2004, quando lá desembarcou para completar o mestrado na Manhattan School of Music, com tese sobre Dave Holland.

O segundo álbum assinado por Linda Oh, gravado no ano passado, chama-se Initial Here, e vem de ser lançado pelo selo Greenleaf, do grande trompetista Dave Douglas. A baixista comanda agora um quarteto integrado pelos igualmente rising stars Dayna Stephens (sax tenor), o cubano Fabian Almazan (piano acústico e Fender Rhodes) e Rudy Royston (bateria).
Das 10 faixas do disco, oito são composições da líder. As duas restantes são: uma interpretação, fervilhante, de mais de oito minutos, de uma montagem de Something’s Coming, de Leonard Bernstein (West Side story), com um tema da peça pianística Cinq Doigts, de Stravinsky; um belo e meditativo tratamento de Come Sunday (5m55), de Duke Ellington, com realce especial para o sax tenor soulful de Stephens.
No desenvolvimento de suas próprias composições, a baixista não só aviva o clima percussivo do quarteto, ao lado do lépido Royston, mas também atua como solista, no baixo acústico ou no elétrico (no estilo “guitarrístico” de Steve Swallow), em diálogos com Almazan (no teclado acústico ou no elétrico).

O álbum começa muito animado, com a totalmente acústica Ultimate Persona (6m10), peça na qual Linda introduz o quarteto ao som carnudo de seu upright bass, que depois complementa os solos do sax de Stephens e do piano assimétrico de Almazan. E termina na também desplugada Deeper than Sad (4m05), mais profunda e solene do que triste, como está no título, num clima oposto à faixa Deeper than Happy (4m45), em allegro vivace, com o baixo e o teclado elétricos.
Outro ponto alto de Initial Here é Mr.M (5m40), uma composição em andamento de balada dedicada a Charles Mingus que destaca, mais uma vez, o notável saxofonista tenor Dayna Stephens, cujo fraseado reverencia Michael Brecker e seu mentor Wayne Shorter.
Thicker than Water, de concepção camerística, é a faixa mais estranha (odd) e até dispensável do CD. A melodia é desenvolvida por Linda Oh no fagote e pela vocalista de ascendência chinesa Jen Shyu, que canta em inglês e mandarim, apoiadas por dois baixos tocados com arco pela compositora, na base do artificial multitracking.
Mas, no cômputo geral, vale a apreciação de Ben Ratliff, do New York Times, ao comentar o disco do quarteto da jovem jazz woman: “Em tempo rápido ou lento, esta banda devora sua música. Da bateria, do piano e do baixo vem uma precisão clara e hiper alerta, com condimentos extras, funk fraturado e ritmos dentro de ritmos”.