UM POUCO DE MANHATTAN NA NOITE CARIOCA DO SAVASSI FESTIVAL

29 julho, 2012
O local, Miranda, situado na margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, lembra um pouquinho, só um pouquinho, o cenário do Dizzy´s Club em New York, cujo palco, lá, tem como pano de fundo o Central Park; aqui, a nossa Lagoa. O palco da casa recebeu na noite carioca da edição do Savassi Festival os pianistas Shai Maestro e Kenny Werner e seus respectivos trios. Realmente uma noite magistral.

O israelense Shai Maestro abriu a noite acompanhado pelo peruano Jorge Roeder no contrabaixo e o também israelense Ziv Ravitz na bateria. Um trio espetacular, entrosadíssimo, formado em 2010 e todos residentes em New York, onde, realmente, tudo acontece. Como o próprio Shai Maestro afirma em seu site - "a conexão entre nós foi tão intensa que naturalmente nos tornamos um grupo, foi muito óbvio".
Foi o que comprovamos. Um início de apresentação com uma atmosfera um tanto erudita, com um tema ainda inédito, com Roeder explorando muito o uso do arco e as teclas de Shai evocando belas melodias. O trio mostrou intensidade ao longo da apresentação e não tem como não destacar o baterista Ziv Ravitz, que foi um show à parte nas conduções mais intensas, e o contrabaixo de Roeder que sobrou nos improvisos, e o lider do grupo que deu o recado com extrema maestria e apresentou dois belíssimos e intensos temas em homenagem aos avós, Brave Ones e The Flying Shepperd, esta que encerrou o show antes do bis e cuja melodia do tema deu um ar bem progressivo.
Um trio verdadeiramente contemporâneo.

Shai Maestro Jorge Roeder, Ziv Ravitz

A noite seguiu com o esperado trio de Kenny Werner, acompanhado por Johannes Weidenmueller no contrabaixo e Ari Hoenig na bateria. Foi Jazz para ninguém botar defeito. Um início de show um tanto experimental, mas que tomou uma forma espetacular com um Werner totalmente à vontade e tocando um absurdo. No repertório, além de composições autorais, citou os standards In Your Own Sweet Way (Brubeck), All Blues (Miles) e Poinciana (Simon, Bernier). Impecável também o baterista Ari Hoenig, a quem Werner deu muito espaço, um músico fantástico e muito atuante na cena jazzística nova iorquina.
No momento mais intimista do show, o pianista afirmou que não podia estar no RJ e não tocar com a cantora Joyce, que estava presente na plateia. A verdade é que Joyce sabe das coisas, cantora extraordinária, e ela subiu ao palco para interpretar em duo com Werner, em total improviso, Essa Mulher (Joyce) e Corcovado (Jobim). O trio voltou ao palco e encerraram a noite com Bill Evans, Nardis.

Kenny Werner, Johannes Weidenmueller, Ari Hoenig