PAT METHENY UNITY BAND

20 julho, 2012
Pat Metheny Unity Band
Sobre Pat Metheny, simplesmente voce nunca sabe o que está por vir.
Unity Band é seu último lançamento e Pat revive o formato de um dos seus extraordinários discos, 80/81 (ECM, 1980), com um sax na linha de frente, agora com Chris Potter.

E não podia se diferente, um disco sensacional.

Este trabalho não se assemelha em sonoridade ao 80/81, que tem uma abordagem bem mais tradicional. E isso vem comprovar a direção ou tendência do jazz moderno, talvez uma transformação destas três décadas, se estabelecendo com novas texturas e arrumação harmônica.
Unity Band é um disco de jazz  contemporâneo, como a música de Pat Metheny, sempre. E Pat explora seus timbres característicos de guitarra, a synth guitar e o violão acústico, e está acompanhado pelo sax de Chris Potter, o contrabaixo de Ben Willians e a bateria de Antonio Sanchez.
E Pat exalta o sax de Potter, colocando-o como um dos mais extraordinários músicos da atualidade, não por menos, seu sopro esteve a frente de um dos grupos mais conceituados do jazz moderno, o Overtone, liderado por Dave Holland.

O artigo abaixo está na página oficial de Pat Metheny sobre a divulgação seu novo album. É uma super entrevista em que ele conta um pouco da história deste trabalho, 30 anos depois do lançamento de 80/81 com Dewey Redman; e fala da importância que foi na sua carreira tocar com um sax na linha de frente.

A matéria original voce lê aqui : http://www.patmetheny.com/unity-band/
(tradução livre)

Entre muitas coisas que faz este artista ser tão especial e em constante mutação, está o nivel de comprometimento e qualidade que ele traz em tudo o que cria. Seja puramente acústico ou elétrico, intenso ou profundamente contemplativo, autoral ou totalmente improvisado, ou mesmo com alguma nova invenção do seu próprio jeito, há sempre a sensibilidade inconfundivel no trabalho de Metheny que tem estado na vanguarda da música e que agora se aproxima das quatro décadas.

Após dois consecutivos e diferentes albuns solo, o inovador Orchestrion e o último vencedor do Grammy What’s It All About, Metheny retorna com um quarteto intitulado Unity Band.
Pela primeira vez em mais de 30 anos, Metheny coloca um sax tenor na linha de frente. A última vez, de fato a única, que Metheny teve um sopro a frente foi no brilhante album 80/81 pela ECM quando esteve com dois gigantes saxofonistas, Dewey Redman e Michael Brecker.

Metheny afirma que, mesmo na época de 80/81, foi dificil acreditar que muitos anos se passaram em sua carreira sem ter uma gravação com um quarteto tradicional de jazz, mesmo sendo um formato em que tinha tocado bastaste. Seus grupos foram pensados como uma alternativa ao som convencional que costumava fazer. O fato é que 30 anos se passaram para chegar novamente a esse ponto e torna-se um testemunho do quanto esta forma alternativa de pensar estava nele.
Ainda complementa que gostou muito das parcerias que fez em projetos de grandes saxofonistas.
O 80/81, pioneiro de cinco gravações que fiz com Michael Brecker; veio Joshua Redman e fizeramWish e um monte de turnês; com Kenny Garret em um tributo a Coltrane; uma turnê com Deve Liebman e Gary Thomas; por varias vezes em diversos projetos com David Sanchez e Donald Harrison; e, certamente, o projeto com Ornette Coleman, Song X.
Confessa que depois de 80/81 não conseguiu encontrar exatamente a pessoa certa que o levaria de onde aquilo começou para o próximo passo onde queria ir com aquele tipo de som. Sempre pensou em revistar aquele grupo em algum momento, mas com Brecker e Dewey nunca mais vai acontecer.

Pat Metheny Unity Band

O que levou Metheny ao ponto de querer voltar a combinação guitarra-tenor neste momento ?
Simples. Chris Potter !
Como um fã, eu vejo como ele se tornou um dos melhores músicos do nosso tempo e quando o convidamos para tocar no album de estreia de Antonio Sanchez eu imediatamente vi que nós tinhamos um jeito natural de tocar e o fraseado que sempre pedia mais e mais. Eu comecei a pensar sobre isso e como contruir um projeto em torno disso.
Eu apenas não posso dizer nada sobre Chris, há muitos niveis de excelência ali. Sua versatilidade é avassaladora, ele tira um grande som sobre todos os instrumentos em todos os registros. Mas suas idéias, sua execução e sua liberdade como improvisador está realmente em um nivel que eu nunca vi antes. Frequentemente comento que Gary Burton e Ornette Coleman foram dois caras que eu toquei que realmente destacaram-se na forma de serem um poço sem fundo de ideias em suas próprias maneiras.
E Chris compartilha isso pra mim. Ele pode apenas ir e ir, mais fundo e mais fundo, e tudo com aquele espetacular som. Ele é um dos maiores músicos que eu já vi por aí.

Se essa dupla foi a gênese da idéia, como o resto da banda se formou ?
Eu tenho uma resposta bastante entusiasmada de Chris quando eu sugeri a ideia a ele. O próximo passo era decidir quam faria a seção rítmica. Eu pensei em diferentes combinações e direções. Antonio era uma escolha óbvia, ele é um dos mais próximos de mim nestes últimos dez anos e tambem já tocou com Chris. Ele é um músico especial e é ótimo ver seu crescimento tão de perto, um extraordinário baterista, não há outro como ele. Havia um certo tipo de força que eu sabia que nós estaríamos ganhando e não podia pensar em ninguem melhor que Antonio para nos levar até lá.

E o que levou ao contrabaixista Ben Willians ?
Alguns anos atras, Christian McBride me convidou para um evento que ele estava promovendo com estudantes de jazz em Juilliard. Ben estava escalado para alguns temas e eu tive aquela rara sensação de escutar algo especial. Eu usei Ben algumas vezes para substituir Christian com meu trio e encontrei nele um grande músico e uma grande pessoa tambem. Ele e Antonio tiveram uma empatia de imediato, sem esforço. Ben é ousado e tem uma mente aberta sobre o que a música pode ser, o que foi perfeito para este grupo. Eu gosto muito de tocar com ele, sua vibração sugere muitas coisas pra mim. Ele tem um pouco da influência melódica do Jaco Pastorius em seu toque. Encontrar esses caras que podem tocar grandes melodias é dificil e Ben tem um jeito natural de usar os espaços assim como o domínio do instrumento, uma grande combinação de habilidades. Após ele ganhar a Thelonius Monk Competition alguns anos atras, ele se tornou mais e mais demandado. Estou muito feliz em tê-lo na Unity Band.

Com a banda formada, qual foi o próximo passo ?
Uma vez com este time exemplar, a questão era como fazer a música chegar até nós. E é divertido, eu ouço muitas gravações com guitarra e tenor que são influenciadas pelo som do 80/81, e eu ainda realmente procuro tentar ir a algum lugar diferente embora aquela gravação certamente seja um ponto de referência. Uma das especialidades de Antonio Sanchez é essa coisa da colcheia que ele faz, e um monte de jeitos que definem uma direção. E mais, este é um grupo de músicos que podem fazer absolutamente tudo. Eu escrevi um monte de músicas novas para o projeto, ensaiamos e gravamos nove. O ponto forte do grupo tornou-se claro em uma só direção, foco total.

De onde surgiu o nome do grupo, Unity Band ?
O lugar que eu cresci em Missouri é o lar do Unity Village, a sede da Unity Church.
Embora pessoalmente eu não seja um membro, a conexão entre a família Fillmore, que fundou a Unity, e minha família vem de quase 100 anos. Havia uma Unity Band que tocava todos os domingos no verão quando eu estava crescendo. Meu pai tocou lá quando eu era jovem, meu irmão mais velho Mike foi um dos solistas ainda muito jovem, e eu mesmo toquei na banda por alguns anos.
A Unity Band foi inicialmente organizada para fazer uma série de shows durante o verão de 2012, e  isso trouxe muitas recordações daquela época, da Unity Band original em minha juventude, e estabeleceu-se uma conexão que me levou a dar esse nome. E eu tenho que admitir, nestes tempos, que "unity" é especialmente uma boa palavra para sair pelo mundo.
Além disso, o princípio da palavra "unity" implica em sempre ser forte.
Parte do que faz a América e a música que aqui se tornou única é a realidade da nossa sociedade como um caldeirão de culturas e povos de todo o mundo.
Mas também a nível estético, tanto quanto as pessoas inventaram termos de marketing como jazz ou fusion ou o que está por vir, a corrente da minha vida musical sempre foi de reconciliação e unificação de todos os sons e idéias que eu amo, como uma grande coisa singular.
Esta banda é a real manifestação deste espírito. Estamos usando todas as qualidades únicas disponíveis para nós como indivíduos e como um conjunto, e esperamos a criação de um todo maior em fazer algo fiel a si mesmo.
A partir da gama estilística da música apresentada, que é uma espécie de todo o mapa para os instrumentos utilizados, do acústico ao eletrônico e até mesmo na robótica no tema Orchestrion, e para o espectro dos povos que representamos como indivíduos, há uma variedade enorme de elementos para colocar em movimento. Mas ao mesmo tempo há um continuo trabalho que se conecta a outras coisas que eu tentei fazer como líder e compositor e onde os outros caras estão vindo também. Unity Band parecia ser um nome perfeito para este projeto.



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