O POETA DA LOUISIANA : ANDERS OSBORNE

04 julho, 2012
Eu conheci o som do guitarrista Anders Osborne em um show do Tab Benoit na edição de Tampa Bay Festival em 2011. Anders fazia a segunda guitarra como membro do Voice of the Wetlands Allstars, grupo formado por Benoit em manifesto à preservação das áreas pantanosas no sul da Louisiana.
E chamou a atenção pela sua presença no palco, sua energia e forte registro que impunha na guitarra, tanto que saí daquele show com o seu disco American Patchwork na cabeça, um registro de 2010 e primeiro gravado pela Alligator.

Anders é sueco, nasceu na cidade de Uddevalla, e aos 16 anos partiu para a estrada com a vontade de ser músico seguindo pela Europa, Africa, Asia até se estabelecer em New Orleans em 1985, cidade que ele tem com seu verdadeiro lar.
Anders descobriu depois que seu avô viveu em New Orleans por muitos anos e se encantou com as histórias da cidade e as fotografias de época depois apresentadas pelo avô. Sentiu-se conectado com essas memórias e teve a certeza que estava no lugar em que sempre quis estar.
Foi um adolescente que não parava de ouvir as gravações de Bob Dylan, Neil Young, Jackson Browne e Joni Mitchell e que se apaixonou pelo estilo vocal de Ray Charles e Van Morrison; até que ouviu Robert Johnson e tudo mudou, como um clique - "... o Blues conectou tudo, o nascer do rock, o rhythm & blues, os compositores, era como um fio condutor de tudo", disse ele.

E Anders tem longa estrada, seu primeiro lançamento oficial foi em 1995 e hoje já tem 10 discos em sua discografia, incluindo seu último e também espetacular disco lançado recentemente, Black Eye Galaxy (2012), também pela Alligator.
É também músico de estúdio, professor e compõem e produz para diversos artistas, e uma de suas composições, Watch the Wind Blow By, gravada por um dos astros da música country, tornou-se um hit vendendo mais de três milhões de cópias.

Um guitarrista de múltiplas faces musicais, que conhece as raizes da música americana. Como curiosidade, seu excelente album American Patchwork abre com um tema chamado On the road to Charlie Parker, usando como exemplo esse gênio do jazz que teve a vida interrompida pelas drogas para alertar aos que usam o quanto estão condenados ao mesmo destino - "... você está perdendo tempo neste caminho deixado para trás, agora ninguém mais se importa com voce, porque voce está no caminho de Charlie Parker ...", diz a letra.
A revista Off Beat Magazine, uma edição mensal que cobre a música, a cozinha e a cultura de New Orleans e Lousiana, o elegeu como Crescent City’s Best Guitarist por dois anos seguidos; e a Guitar Player o chamou de "O poeta coroado com as raízes da música da Louisiana".
Anders se diz influenciado pela música de Ry Cooder e Robert Johnson e no jazz pelos sopros de Miles Davis e John Coltrane. 
É um músico extraordinário, traz agarrado na sua música a essência do bom e velho clássico rock e tem uma sonoridade muito evidente do som do Neil Young, abre com vontade os drives da sua guitarra, coloca textura folk e elementos do southern rock e é toda essa fusão que torna sua música muito original. 
E nessa onda de fusão, participou em um projeto chamado Funk Box junto com Papa Grows Funk, uma dos mais importantes bandas funk em New Orleans, juntando-se em sua banda o hammond de John Gros, a guitarra de  June Yamagishi e o sax de Jason Mingledorff e em vez o baixo tradicional colocou um sousaphone, que é um tipo de tuba com uso de válvulas de mesmo tamanho e faixa de notas das tubas tradicionais para marcação do baixo. Fizeram uma super jam cujo registro não saiu oficialmente mas foi registrado pelas rádios locais e tornou-se um bootleg dos mais concorridos.

Som na caixa !