VANESSA RODRIGUES: GROOVE E ALMA FEMININA NO HAMMOND

18 junho, 2012

Vanessa Rodrigues nasceu em Edmonton, capital da província canadense de Alberta. Começou a tocar piano aos 5 anos e aos 8 se encantou pelo som dos orgãos de tubos. Mas a dificuldade e o acesso restrito ao instrumento a fez ter o piano como instrumento de estudo por um longo tempo.
Teve como base uma forte formação clássica e descobriu o jazz aos 14 anos em um programa chamado Summer Jazz na Universidade de Alberta.
Mudou-se para Montreal em 1996 e graduou-se em Piano na McGill University. Neste período integrou a melhor orquestra de salsa de Montreal chamada Orquestra Pambiche, uma das suas paixões, e formou um super banda funk com 11 componentes chamada Groove Prophecy tocando Hammond e a frente da direção musical. Em 2002 já liderava seu próprio Soul-Jazz Organ Trio e desde então compartilhou palcos com Joey deFrancesco, Kenny Garret, John Abercrombie, Dave Douglas, Doug Riley, Ronnie Cuber e realizou um grande trabalho com o contrabaixista peruano Oscar Stagnaro.

Com 4 discos gravados - Soul Project (2005), Soul Food for Thought (2009), Live at the Rex (2007) e Buckaloose The 270 Sessions (2010), essa moça com cara de menina já é uma das mais talentosas e promissoras instrumentistas no Hammond.

Vanessa hoje é nossa prata da casa. Residindo no Rio de Janeiro, formou um Organ Trio com o acompanhamento luxuoso da guitarra de Ricardo Silveira e a bateria de Rafael Barata, dois músicos da maior expressão da nossa música instrumental.
O trio coloca muito pressão e muito swing em interpretações de Batucada (Marcos Valle), Sundown (Wes), História de Lilly Braus (Edu Lobo) e Canto de Ossanha (Baden), além de standards como Body & Soul.

Apaixonada pela cidade, Vanessa também realiza um trabalho em um projeto social voluntário na Rocinha, ensinando violino e outros instrumentos de cordas para crianças da comunidade.
Uma atitude louvável e empreendedora e que merece todos os elogios.

Vanessa nos conta um pouquinho da sua trajetória musical, suas influências e projetos -

Gustavo Cunha: Voce também toca piano. O que a levou a escolher o Hammond como primeiro instrumento?
Vanessa Rodrigues: Na verdade, foi o órgão Hammond que me escolheu (risos). Sempre gostei do som tão poderoso dos órgãos de igreja, e tambem crescí escutando música de ritmo africano-americano (USA, Caribe, America do Sul). Toquei piano muitos anos, então foi lógico para mim tocar o Hammond com aquela combinação de gostos.

GC : Dos grandes e gigantes instrumentistas do Hammond, entre eles e elas, alguma em particular?
VR: Os primeiros organistas que me influenciaram foram grandes mestres da música Soul e R&B - Chester Thompson e Billy Preston, depois John Medeski (MMW) e Neal Evans (Soulive). O orgão jazz veio depois, com Dr. Lonnie Smith, Brother Jack McDuff, Jimmy Smith e Jimmy McGriff.

GC: Geralmente o Hammond está acompanhado por um grande guitarrista, na formação de Organ Trio. Por que essa interação tão grande entre estes instrumentos?
VR :  Como o grande guitarrista John Abercrombie diz - "guitarra e órgão vão juntos como bolo e sorvete". Acho que nem cabe explicação além disso, é uma mistura gostosíssima de sons.

GC: Seus discos trazem muitos samples, conta com a presença de um DJ, carrega o Funk e traz um pouco do Rap e Hip-hop. Até onde isso influencia na sua música?
VR:  Eu conheço melhor o Funk, o Soul e o R&B no som do Tower of Power, Parliament, James Brown e Earth Wind & Fire do que o mundo de hip-hop, mas sempre gostei do som do DJ Scratch e tambem de Rap. Acho que o toca-discos e a voz usados com jeito de instrumento de percussão, ambos sendo muito característicos da música hip-hop, foram duas das revelações mais interessantes da música popular desde os anos 70. Sou fã de grupos como The Beastie Boys e The Roots, combinações muito legais de bandas de funk ao vivo com rap e aqueles sons de scratch e samples.

GC: Você tem muita empatia com a música latina. Alguma referência na música brasileira?
VR:  Vou falar um momento do meu grande amigo Sacha em Montreal, que é meio brasileiro, e foi importante na minha formação como musicista. Ele tinha um órgão Hammond no porão de casa além de tocar muito tamborim e pandeiro; e a primeira vez que toquei o órgão Hammond foi num ensaio na casa dele. E foi ele que me apresentou a música brasileira. Começar a tocar percussão com ele me deu uma paixão incuravel pela música brasileira e o sonho de algum dia desfilar no
sambódromo com uma bateria tremenda de uma escola de samba. Por 12 anos quis fazer isso e finalmente o ano passado consegui tocar tamborim na bateria da Rocinha no desfile do Carnaval.
Como falei, cresci escutando a música Calypso, e com 15 anos me apaixonei da música Salsa, que toco no piano até hoje com varias bandas, então sempre adorei o ritmo e o som da música latina.

GC: Projetos futuros?
VR:  Neste momento, o trio do Ricardo Silveira é meu foco principal musical aqui no Brasil. Também estou fazendo projetos menores de jazz, samba-jazz e salsa com muitos músicos cariocas maravilhosos com quem tenho a sorte e alegria de trabalhar junto.

GC: 3 discos que você considera especial.
VR:  Dr. Lonnie Smith, Too Damn Hot; Tower of Power, Back to Oakland; e Medeski Martin & Wood, Last Chance to Dance Trance.

www.vanessarodrigues.com/

Obrigado Vanessa, e Sucesso !