MORRE PETE COSEY, A GUITARRA ELÉTRICA DE MILES DAVIS

06 junho, 2012
Artigo publicado no NY Times em 6 de junho
por Ben Ratliff

(foto de Hiroyuki Ito para NY Times, Pete Cosey em 2008)









O artigo original voce lê aqui :
http://www.nytimes.com/2012/06/06/arts/music/pete-cosey-guitarist-with-miles-davis-dies-at-68.html

(tradução livre)

Pete Cosey tocou em muitas gravações de blues e rhythm & blues nos anos 60, mas se tornou mais conhecido por seu trabalho na fase elétrica de Miles Davis entre 1973 e 1975, com seu som encharcado em distorção e pontuado pelo pedal wah wah.
Pete Cosey faleceu em 30 de maio em Chicago aos 68 anos, cuja causa foi decorrente de complicações de uma cirurgia, disse sua filha Mariama Cosey.

Cosey estava trabalhando em Chicago no meio dos anos 60 quando foi contratado pela Chess Record, que estava tentando seguir a Motown em formar sua própria banda de estúdio. Como membro deste grupo, Cosey participou do hit Rescue Me, um top 10 de Fontella Bass. Pela Chess fez diversas sessões com Etta James, Little Milton, entre outros. Também tocou para a Motown Records com os Four Tops and the Marvelettes.

Mas seus mais conhecidos trabalhos para a Chess Records foram nos albuns Eletric Mud (1968) de Muddy Waters e Howlin’ Wolf Album (1969) de Howlin Wolf.
Ambas gravações foram lançadas por um subsidiária da Chess Records, Cadet Concept, fundada para focar em um som mais pesado e mais psicodélico. Eles colocaram duas das grandes vozes do Blues em um contexto blues-rock mais pesado, incluindo longos e intensos solos de Cosey.
Muddy Waters e Howlin Wolf não gostaram do resultado, mas as gravações tornaram-se marcantes e ao longo do tempo foram defendidas e comemoradas.

Entretanto, Cosey estava trabalhando muito. Foi membro da Association for the Advancement of Creative Musicians, uma cooperativa de Chicago voltada para improvisação experimental; excursionou com Aretha Franklin e com os saxofonistas de jazz Gene Ammons e Sonny Stitt; e tocou com Philip Cohran and the Artistic Heritage Ensemble em 1968 no album The Malcom X Memorial, um clássico do soul-jazz.
Na primavera de 1973, Cosey juntou-se a Miles Davis. Na época, Miles estava atras do verdadeiro groove afro-americano, com muita ênfase em bateria e rítmo, como ele mesmo afirmou em sua autobiografia. Cosey, disse ele, "me deu o som de Jimmy Hendrix e Muddy Waters que eu procurava".
Isso parcialmente descreve o som de Cosey. Sentado em um cadeira atras de uma linha de pedais, de óculos escuros, com seu estilo afro alto e de longa barba, usou seus temas originais, muitas vezes com uma guitarra de 12 cordas alternando com intensa rítmica com wah wah empurrando seus solos para delicadeza fantasmagórica ou arranhando com reverb e feedback.
Sua técnica influenciou outros guitarristas do rock e jazz, incluindo Vernon Reid, Henry Kaiser and Arto Lindsay.
Ele pode ser ouvido nos albuns Agharta, Pangaea, Get Up With It e Dark Magus, muitos dos mais experimentais e polêmicos albuns da carreira de Miles.

Anos mais tarde, Cosey apareceu no album Future Shock (1983) de Herbie Hancock; tocou em um grupo chamado Power Tools com o baterista Ronald Shannon Jackson e o baixista Melvin Gibbs; formou em 2001 uma banda chamada Children of Agharta com outros membros do grupo de Miles do meio dos anos 70; e participou nno grupo Burnt Sugar no album The Rites, uma versão improvisada de Rites of Spring de Stravinsky conduzida por Butch Morris.

Peter Palus Cosey nasceu em 9 de outubro de 1943 em Chicago. Cresceu em Phoenix mas retornou a sua cidade natal quando adulto. Sua mãe, Collenane Gertrude Clark, foi uma pianista e compositora que deixou o convento para se casar com seu pai, Antonio Maceo Cosey, um saxofonista que trabalhou com Louis Jordan, Big Bill Broonzy e outros.
Cosey vivia com sua companheira, Maxine Jordan, suas filhas Mariama Cosey, Aribiana Cosey-Ewing, Dunni CoseyGay e Karumah Cosey, seu filho Ishmak Cosey e seis netos.

Pete Cosey : 1943-2012