JAZZTIMES ELEGE OS MELHORES DISCOS DE SAX TENOR DE TODOS OS TEMPOS

12 junho, 2012
Coluna do Luiz Orlando Carneiro 
JB, 26 de maio

A matéria principal da edição deste mês de junho da Jazz Times tem como título The  Top 50 Tenor Sax Albums of All Time. Segundo o editor da referencial revista, Evan Haga, a ideia surgiu da constatação da importância do instrumento no desenvolvimento  dos diversos estilos de jazz, a partir da década de 1930, e da sua condição de “ícone cultural” desse modo de expressão musical nascido em Nova Orleans, no início do século passado, desenvolvido em Chicago e Nova York, e hoje disseminado pelo mundo todo.
A JT convidou 50 críticos e/ou músicos para a tarefa de nomear de cinco a 10 álbuns (Lps, Cds ou faixas de discos) contendo “grandes performances” que “ajudaram a formar a tradição do saxofone tenor no jazz”.
Feitas as contas, não houve grandes surpresas. Dentre os 10 registros fonográficos que obtiveram mais pontos, seis foram de John Coltrane e Sonny Rollins. O primeiro encabeçou a lista com A love supreme (Impulse, 1965), chegou em terceiro com Giant steps (Atlantic, 1960) e em nono por conta de Crescent (Impulse, 1964). Os álbuns de Rollins com mais citações foram: Saxophone colossus (Prestige, 1956), 2º no cômputo geral; The Bridge (Bluebird, 1962), 7º; Way out west (Contemporary, 1957), 10º.

Os outros quatro saxofonistas tenores que mereceram o mesmo destaque (10 primeiros dos 50 top albums) foram: Coleman Hawkins (4º), por seu solo sobre Body and soul (1939), hoje constante de uma compilação da RCA, editada em 1996; Lester Young (5º), tal como registrado na antologia da Mosaic intitulada Lester Young with Count Basie, 1936-1940; Wayne Shorter (6º), pelo LP Speak no evil (Blue Note, 1965); Paul Gonsalves (8º), por seu célebre solo de 27 choruses em Diminuendo and crescendo em blue, faixa do LP Ellington at Newport (Columbia, 1954).

Na relação da JT dos top 50 álbuns de saxofonistas tenores de todos os tempos, Coltrane e Rollins aparecem também, cada um deles, em outras quatro gravações, como líderes ou em destaque. Trane por sua atuação em Kind of blue (Columbia, 1959) — a lendária masterpiece de Miles Davis — e ainda em John Coltrane and Johnny Hartman (Impulse, 1963), The complete 1961 Village Vanguard recordings (Impulse) e Lush life (Prestige 1961). Sonny Rollins por: A night at The Village Vanguard (Blue Note, 1957); Our man in jazz (RCA, 1962); Sonny side up (Verve, 1958), na companhia do parkeriano Sonny Stitt; Sonny meets Hawk (RCA, 1963), o encontro único em disco com o mestre Coleman Hawkins.

O grande e muitas vezes esquecido Joe Henderson (1937-2001) teve expressivo reconhecimento na eleição promovida pela JT. Cinco álbuns de sua notável discografia para o selo Blue Note foram escolhidos entre os top 50: Inner urge, 1965 (17º); Mode for Joe, 1966 (22º); In’n out, 1964 (25º); The state of the tenor/Live at The Village Vanguard, 1985 (30º); Page one, 1963 (36º).

A revista também publicou os votos dos eleitores convidados, destacando tenoristas que se notabilizaram nas últimas três décadas, como Joe Lovano e Chris Potter.
Joe Lovano votou nas seguintes performances: Coltrane’s sound (Atlantic, 1960), gravado por John Coltrane nas mesmas sessões que renderam o antológico My favorite things; Our man in jazz, Sonny Rollins; Speak no evil, Wayne Shorter; The chase (MCA, 1952), a lendária sax battle Dexter Gordon-Wardell Gray; In ’n out, Joe Henderson.
As escolhas de Potter foram: A Love supreme, John Coltrane; Newk’s time (Blue Note, 1957), Sonny Rollins; Speak no evil de Shorter, também; Lester Young trio (Mercury, 1951); Inner urge, Joe Henderson.