CARLOS CAFÉ APRESENTA BAGAGEM CÓDIGO BLUES

28 junho, 2012
A nossa guitarra blues mantém-se em alta.
Apesar da pouca divulgação ou mesmo falta de interesse das mídias mais expressivas em divulgar o estilo, o público é fiel e os palcos estão voltando a saciar a sede de drives e bends calorosos.
Vários lançamentos vem surgindo e mostrando fôlego, sejam com composições autorais ou com interpretações de clássicos.

Aqui o guitarrista Carlos Café apresenta Bagagem Código Blues, lançado de forma independente pela Café&Café Produções Artísticas.

Café tem estrada, são mais de 30 anos de palco mostrando que blues é coisa séria. Músico, professor e diretor musical, teve sua formação no CIGAM, escola de música fundada por Ian Guest, e no GIT (Guitar Institute of Technology) na California. Como mestre, criou sua própria metodologia didática com enfoque em improvisação, que se aplica a qualquer estilo musical.
Seu primeiro disco lançado em 2009 intitulou-se "Carlos Café & Os Mestres do Blues", em que interpreta clássicos do estilo em reverência àqueles mestres que sempre o influenciaram. Participaram deste trabalho o contrabaixista Dôdo Ferreira, o baterista Guto Goffi e o guitarrista Big Gilson.
"Bagagem Código Blues" é um projeto de retrata suas experiências musicais. São 8 composições autorais e 3 interpretações incluindo Blackjack (Ray Charles), Bluesman (BB King) e um clássico da nossa música popular Faltando um Pedaço (Djavan) em uma forma instrumental e com atmosfera bem bluesy.
Neste projeto, Café conta com a participação de vários músicos, entre eles Renato Rocha, Fabio Brasil, Guto Goffi, Gil Eduardo, Mimi Lessa, Pedro Leão, Luciano Lopes, Pedro Peres e sua esposa e tecladista Fafá.

Com a palavra, Carlos Café  -

GC: Muitos anos de estrada e o caminho sempre é longo. Como começou sua história com a guitarra?
CC: Minha historia com a guitarra começou quando eu tinha mais ou menos uns 15 anos, vendo na televisão Led Zeppelin, Hendrix, Johnny Winter, Rory Gallagher e toda essa geração dos anos 60 e 70 que tinha no blues a sua principal matriz criativa. A programação do radio também era muito estimulante. Nessa época se produzia aqui no Brasil um música riquíssima em qualidade e diversidade.
Nunca me intimidei com aqueles "amigos" que diziam - "isso é muito difícil", "voce nunca vai tocar como esses caras"; esse tipo de comentários. Eu sempre soube que eu iria conseguir. Claro, tinha aquele sonho de ser o melhor do mundo, mas isso é coisa de criança. Tenho uma dívida eterna com meus pacientes vizinhos que, no processo, foram expostos a todos os tipos de ruídos que, para mim, sempre foram a música mais lírica e profunda, principalmente quando eu comprei o meu primeiro pedal de distorção. Coitados ...
Mas sempre fui disciplinado e evoluí rápido. Naquela época era muito difícil achar material de estudo, não tinha internet, youtube, etc. Era na base da insistencia, dedução, bom senso e dicas de amigos que a gente ia se aperfeiçoando. Para desespero de meus vizinhos o processo foi um pouco mais longo do que seria hoje em dia.

GC: Hendrix, Dixon, B.B. King e Stevie Ray Vaughan são reverenciados no seu primeiro CD, assim como o soul de Wilson Picket e o compositor George Gershwin, que inspirou tantos standards no jazz. Como o rock, o blues e o jazz influenciam sua música?
CC: O meu primeiro CD foi um tributo à essencia do que há de mais puro e fundamental na minha música. Quando voce compõe, trabalha, principalmente, com as suas emoções arquivadas de coisas que ouviu e te marcaram. O rock e o blues, para mim, sempre estiveram ligados. Tudo que eu gostava de rock tinha uma clara raiz no blues. Inclusive eu fui conhecendo e gostando do blues de Chicago pelas releituras dos músicos de rock. E depois de conhecer BB King e Buddy Guy fui ficando cada vez mais apaixonado por esse estilo. O jazz aparece posteriormente quando tive oportunidade de me aprofundar em meus estudos de improvisação, harmonia e arranjo. Mas, no final, tudo "se embola".

GC: Voce também mostra uma pegada bem rock na guitarra. Há uma geração que mantém essa chama da guitarra blues-rock acesa nas mãos de Jonny Lang, Kenny Wayne Sheppard e Joe Bonamassa, citando os mais expressivos. A formação de um músico assim leva tempo. 
Você é um saudoso do rock clássico dos 70?  
CC: Totalmente !!! O punk rock foi um corte desnecessário na história da música. Tem uma ou duas gerações que quase não tiveram oportunidade de ouvir um belo solo de guitarra. Com a internet isso está mudando um pouco, mas isso pesa na formação de vários músicos dessa geração. Essas primeiras influências são fundamentais na formação do gosto musical, seja músico ou não. Dou aulas de guitarra há muito tempo e sei bem do que estou falando.

GC: Bagagem Código Blues. Como surgiu a ideia deste novo disco?
CC: O primeiro, Carlos Café & Os Mestres do Blues, como eu disse, foi um tributo às minhas raízes. Fiz várias releituras de clássicos e quatro composições minhas homenageando os meus mestres. O Bagagem Código Blues já é um painel do que eu andei vivendo e tocando ao longo da minha vida, mostrando um pouco de minha bagagem acumulada. São oito composições próprias e tres releituras. Queria contar um pouco mais de minha história pessoal e musical. As letras falam de vivências, de personagens, de idéias e observações pessoais. A música e as letras são simples e diretas. Acho que a maturidade traz a simplicidade.
Queria aproveitar a oportunidade para agradecer aos músicos que participaram da gravação do Bagagem Código Blues - Renato Rocha, Guto Goffi, Fabio Brasil, Gil Eduardo, Fafá, Pedro Peres, Pedro Leão, Mimi Lessa e Luciano Lopes.

GC: Fale um pouco do grupo que o acompanha. 
CC: Eu sempre gostei de trabalhar com uma banda fixa. Com uma formação constante voce constrói uma sonoridade orgânica e única. A banda "viaja junto comigo", não fica só acompanhando.
Nos teclados a Fafá, minha esposa, faz um trabalho de base excepcional. Simples e essencial. Trabalhar em power trio traz grandes limitações, principalmente quando se toca músicas mais lentas. Ela já me acompanhou como percussionista em outra formação e no início dessa nova fase como violonista também.
No baixo, Pedro Peres, já trabalha comigo desde o primeiro CD, há mais ou menos cinco anos. É um músico preciso, confiável e muito generoso. Grande parceiro! Gravou a maioria das faixas do disco.
Tenho que citar Pedro Leão também. Grande baixista, substitui Pedro Peres algumas vezes e gravou tres faixas no CD - Vivendo e Aprendendo, Dedo no Olho Não Vale e Noite Fria.
Na bateria tivemos diferentes participações. Durante algum tempo Gil Eduardo foi nosso batera, excelente vibe nos shows. Ele gravou três faixas no CD - Blackjack, Blues Man e Canto o meu Blues. Depois tocamos com Élcio Cáfaro, Cássio Acioly e meu amigo Guto Goffi, respectivamente.
Tenho um trabalho paralelo com o Guto, no quinteto Guto Goffi, de música instrumental. Ele participou ativamente das gravações dos meus dois discos. No primeiro gravou todas as bateras e neste participou em Blues pro Raul e um outro tema que acabou ficando fora por problemas com a editora.
Para esse novo CD quero um novo parceiro fixo para a bateria. Estamos começando um trabalho com um jovem batera, Rui Lessa. Estamos no início do processo, mas os resultados são bastante promissores.

GC: Você faz todos os arranjos?
CC: Sim, os arranjos são meus. Gosto de construir a estrutura base das músicas primeiro. Depois a banda vai "interferindo" naturalmente, cada um com sua pegada, mas sem nunca perder a idéia central. Vamos conversando e maturando a sonoridade nos ensaios. Daí a importância de uma banda fixa.

GC: Quais equipamentos você usa no disco?
CC: As guitarras foram várias. São todas modificadas ou montadas por mim, tem características bem distintas. São elas :
-  uma Fender Strato 74 com captadores Fender vintage noiseless; uma Telecaster Squier bem modificada, com ponte Gotoh e captadores Fender Custom Shop; uma Strato montada por mim com captadores Fender Texas Blues e Seymour Duncan Lipstick na posição middle; uma híbrida Strato/Tele com captadores Seymour Duncan; uma 87X com corpo de Strato esculpida por mim em 1987 e com captadores humbucker Seymour Duncan Custom e Bill Lawrence.
-  amplificadores Peavey Classic 30; Fender Hot Rod de Luxe; Pedrone 5F4 (feito sob minhas especificações);
-  falantes Jensen P12N; Jensen C12N; Weber Vintage 12F150;
-  pedais Fulltone Fulldrive II; Fulltone OCD Overdrive; Compressor Boss Pro CL 50; Option 5 Destination Delay X2; MXR Eq M108;
-  slides de latão e vidro da Jim Dunlop;
-  microfones Shure SM 57 e Shure Beta 57.

GC: Em shows, o que costuma usar?
CC: Atualmente em shows uso uma pedaleira com o Fulldrive II, Eq da MXR, Delay Option 5, Fulltone Catalyst, pedal de volume Morley e um Compressor MXR Custom Comp.
Mas essa configuração muda frequentemente.

GC: Com o avanço tecnológico e a facilidade para criação musical em estúdios caseiros, o mercado fonográfico tornou-se muito restrito em razão das mídias digitais. Considero o registro em CD ainda importante, pelos créditos e pela ilustração gráfica. 
Ainda é uma forma de divulgação eficiente, apesar dos meios jornalísticos tradicionais não darem o devido valor?  
CC : O CD continua uma forma bastante eficiente de divulgação, principalmente para contratantes. Penso o CD como um "cartão de visitas de luxo". E também como uma forma do público ficar com uma recordação de um bom momento. Vendo muitos CD após os shows.
Acho que o pouco espaço que os meios jornalísticos tradicionais dão aos CD é reflexo direto da crise das grandes gravadoras. Havia um circuito direto das "majors" para os jornais e grandes meios de divulgação para os seus lançamentos. Com a crise, esse elo está quebrado e acho que a grande mídia ainda não se deu conta da grande e diversa produção artística que temos por aqui.

GC: Voce é professor de guitarra. A relação passional de quem tem esse dom de tocar é algo impressionante. Geralmente os aprendizes estão preocupados com velocidade e em tocar escalas; entendo que o segredo está justamente na harmonia, na colocação pontual das notas e na forte exploração dos licks. O que voce considera importante no desenvolvimento do músico ?
CC: Conhecer profundamente a relação dos acordes com escalas, a estrutura fundamental da música. Com isso, o músico está habilitado a construir seu estilo, sua "voz" no instrumento. Os licks tem sua importância no começo, como uma matriz inicial apenas. O ideal é analisá-los e entender como foram construídos para, posteriormente, incorporar essas idéias como novas palavras a um vocabulário próprio, único.
Eu sempre procuro estimular meus alunos a descobrirem e desenvolverem seu estilo. A técnica vem com o tempo e é moldada pelo próprio estilo do músico. Afinal Música é Arte, Expressão!

GC: Três discos por Carlos Café. 
CC: From the Craddle, Eric Clapton; Captured Live, Johnny Winter; e qualquer um do Led Zeppelin.

Obrigado Carlos Café, e sucesso.

www.carloscafeblues.com.br
Contatos para shows : (21) 9134-3713  e  caferj@terra.com.br