ARTHUR MAIA, O TEMPO E A MÚSICA

12 maio, 2012

Noite inspirada de Artur Maia no Teatro Rival para o lançamento do seu novo disco, O Tempo e a Música, pelo selo Biscoito Fino.
Com a casa cheia e uma plateia bem antenada, Artur Maia estava bem à vontade, contou muitas histórias e foi acompanhado por uma super banda com Fernando Caneca guitarra, Felipe Martins bateria, Cassio Duarte percussão, Luiz Otavio Paixão piano, Bruno Santos trompete, Rafael Rocha trombone e Marcelo Martins sax, e as participações mais que especiais de Aline Calixto, Sergio Chiavazzoli, William Magalhães e Gilberto Gil.

A abertura com Amazonas (Donato) já prometia um show arrasador. Arthur abraçado a um fretless e a banda num ritmo contagiante; seguiu com uma interpretação de Hey Jude (Beatles) e o choro Abismo de Rosas (Dilermando) em baixo solo, simplesmente belíssimo, com algumas passagens fazendo uso de harmônicos que por um momento lembrou o tema Funchal da sua época com o grupo Cama de Gato.
E Arthur contou um pouco da sua vivência no Clube do Choro em Brasilia, onde passou cerca de quatro anos. E cantou a seresta Labios que Beijei (Orlando Silva) numa levada de baixo e percussão.
O show seguiu com mais histórias, agora sobre o tema Arthur, O Gigante, que foi um presente de  William Magalhães, leia-se Banda Black Rio, escrito em um pedaço de papel quando estavam com os cubanos do grupo Irakere em uma madrugada regada a muito vinho. Teve até uma citação de Brasileirinho em seu improviso.

Arthur reforçou o valor da música instrumental afirmando que é algo que o músico precisa fazer, e que a música brasileira é feita por instrumentistas.
Seguiu o show e aventurou-se nos vocais cantando Alivio, que fez em parceria com Djavan.
E sobe ao palco o primeiro convidado da noite, Sergio Chiavazzoli no bandolim, e o tema Brejeiro (Ernesto Nazare) com um belo improviso ainda com direito a um bom slap.
Arthur chama a voz de Aline Calixto, que nos brindou com mais música de raiz levada em alto estilo, Minha Palhoça (Silvio Caldas) e o sambinha Je Suis La Maria (Dora Lopes), tema resgatado dos anos 40 por Aline em seu disco Flor Morena.

E numa introdução ao próximo convidado da noite, Gilberto Gil, Arthur não poupou elogios a esse mestre da nossa música e falou do seu orgulho em ser integrante do grupo de Gil. Contou mais histórias, lembrando da empolgação do grupo em uma turnê pela Europa quando o tema Expresso 2222 levou 28 minutos. Que maravilha deve ter sido isso.
E esse encontro no Rival foi um momento magistral. Iniciaram com um tema instrumental que Gil dedicou a João Gilberto e que está gravado no disco Quanta (1997). Nesse ponto do show, Sergio Chiavazzoli assume a guitarra e vem ao palco os integrantes da banda de Gil, Claudio Andrade piano e Jorge Gomes bateria. Um tema afro-reggae e fecham com Palco, simplesmente apoteótico.

Segue o show e meio no improviso William Magalhães sobe ao palco e assume os teclados levando a clássica Maria Fumaça da Banda Black Rio. E já eram quase 2 horas de apresentação para um final empolgante com a salsa Muchacha.
Ainda ao final, Arthur apresentou o garoto Michel Pipoquinha, que promete um futuro brilhante como baixista e deu uma bela canja com Arthur assumindo a bateria.

Realmente uma noite memorável para nossa música, em todos os sentidos.
Valeu Arthur !