ANDRZEJ PRZYBIELSKI: DE PROFUNDIS

17 maio, 2012

O sopro de Andrzej Przybielski calou em fevereiro de 2011. Talvez ele tenha sido mais um daqueles trompetistas que podemos classificar como underrated.
Andrzej foi um dos protagonistas do jazz na Polonia, sua terra natal, onde nasceu em 1944. Tinha uma visão um tanto radical sobre a arte e a música, em que acreditava ser impossivel ganhar a vida desta forma, ideia que não foi muito tolerada mas que acabou tornando-se realista, mas destacava que dedicação não era um exagero. Odiava ensaios, não tinha a preocupação com o lado profissional de fazer música mas viveu livremente como livre era a música que ele amava e fazia.
Embora tenha iniciado sua carreira em grupos de jazz tradicional, associou-se ao estilo avant-garde, ao free, onde se estabeleceu. Sempre esteve fora da mídia, tanto artística quanto pessoalmente, mas possuia grande conhecimento de música e das técnicas de som e gravação. Um trompetista sempre antenado com o novo e frequentemente participava seu som com os jovens músicos.

Em foco aqui seu último trabalho em companhia dos Oles Brothers, Marcin Oles e Bartlomiej Brat Oles, que já foi assunto aqui. Formação ousada, trompete-contrabaixo-bateria, bem contemporânea.

A resenha abaixo foi extraida do All About Jazz por Jerry D´Souza e reflete perfeitamente a dimensão deste trabalho.

por Jerry D’Souza
publicado em 4 de agosto de 2011
(tradução livre)

A morte do trompetista Andrzej Przybielski em fevereiro de 2011 deixou um rico legado para a música. Seu nome não é muito conhecido fora da Polonia, sua terra natal, mas ele foi um estilista que esculpiu um recanto em váriios gêneros. Podia tocar uma melodia com intenso calor e em seguida mudar totalmente a forma sem sacrificar a essência. Seus conceitos harmônicos foram extraidos de varias fontes e ele os usava com muita habilidade.
Sua união com os irmãos Oles, o contrabaixista Marcin Oles e o baterista Bartlomiej Brat Olés, foi um marco. Juntos, encontraram novos acordes, inovaram, e os desvendaram de maneira criativa em gravações como nos albuns Free-bop (Polonia Records, 2000) e Abstract (NotTwo Records, 2005).
De Profundis (Fenommedia, 2011) é uma outra colaboração do trio e mais uma vez é uma viagem que engloba o blues, o bop e um monte de abordagens livres.

Improvisação é o coração do jazz e Przybielski e os irmãos Oles provam isso nas duas versões que dão nome ao album, cada tema é um testamento a empatia coletiva do grupo e de como inserir modos distintos na composição.
A primeira versão abre com se uivasse o  trompete antes de encontrar o hard bop. Przybielski coloca suas notas com amplitude, como se o espaço fosse linear porém fragmentado.  Os irmãos Oles fazem uma condução das mais dificeis, suingando com um ritmo expressivo e com seu próprio senso de tempo, pulsante e aventureiro. Aqui, tambem, eles são a artéria conforme a música flui, são tanto a base para Przybielski como quando estão envolvidos em uma conversação própria entre contrabaixo e bateria.
A segunda versão é quase três minutos mais longa e encontra um clima mais tranquilo. A abordagem é mais livre, cresce gradualmente e é envolvida pela percussão, pelo arco do contrabaixo e pelas calmas ondas do trompete. Przybielski logo torna-se incisivo e se entrega a uma liberdade irrestrita e o contrabaixista Marcin Oles encontra a enseada de uma melodia assombrosamente bela. É como uma dose potente que se bebe profundamente.
Se esses temas fazem transparecer a alma, Afroblue faz a alma cantar em exultação como se o trio se entregasse a sua própria eloquência. A impressão é memoravel sobre a forma como eles montam o tempo e o ritmo, infiltrando atmosferas sobre o funk, o bop e a base do blues.
A interação entre Przybielski e os irmãos Oles é impressionante, alegre e rica em conceito e inovação.