10 ANOS DE RIO DAS OSTRAS JAZZ & BLUES

28 abril, 2012
São 10 anos de um festival que promove o jazz, a música instrumental e o blues; que tem a preocupação de trazer boa música a todos os tipos de público independentemente de idade; que traz atrações internacionais e nacionais; que foi eleito entre os 100 maiores festivais do mundo pela Downbeat e que ainda por cima é gratuito ... é motivo para muita comemoração e orgulho!

A décima edição do
Rio das Ostras Jazz e Blues Festival, que acontecerá entre os dias
6 e 10 de junho, é um dos maiores e melhores festivais do nosso continente, quiçá do mundo, resultado do esforço e iniciativa da produção e todo o seu staff antenados em promover este evento que ocorre todos os anos na cidade litorânea de Rio das Ostras no Rio de Janeiro.
E os 10 anos do festival ganhou novamente destaque na edição da Downbeat do mês de abril com depoimentos de músicos que participaram do festival.

O evento cresceu assim como o seu público que se espalha nos quatro palcos da cidade desde as onze da manhã até a madrugada no palco principal de Costa Azul. E a edição comemorativa deste ano terá alguns nomes que participaram de edições anteriores.
E este que vos escreve participa deste evento desde 2006 tentando traduzir em palavras um pouco do que acontece nestes palcos. Conheci pessoas sensacionais que compatilho a amizade desde então, com a troca de idéias, com o papo animado e com o assunto que mais gostamos – Música!
E é esse o espirito do festival, cerca de 70.000 pessoas circulam pela cidade durante os cinco dias do evento, com tranquilidade e segurança, na maior alegria e com um objetivo comum.

E na edição deste ano, mais uma novidade - serão realizadas 3 palestras sobre Jazz, Blues e Produção Musical com os jornalistas Carlos Calado, Helton Ribeiro (Blues´n´Jazz) e Gustavo Vitorino (Revista Backstage).

A música instrumental e o jazz vem reforçados na edição deste ano. Kenny Barron é o nome mais jazz do festival, com seu estilo elegante já flertou com a música instrumental brasileira em dois momentos quando gravou o sensacional album Sambão (1993, Verve) ao lado de Toninho Horta e o saudoso Nico Assunção e o album Canta Brasil (2002, Universal) com o Trio da Paz. É também integrante do Classical Jazz Quartet  ao lado de Ron Carter, Stephen Scott e Lewis Nash onde interpretam a música clássica com andamento jazzístico. Provavel que venha com seu habitual trio formado por Kiyoshi Kitagawa contrabaixo e Lee Pearson bateria. Promete um belo show.
David Sanborn é a estrela desta edição. Seu sax alto navega do groove a sensibilidade e sempre com excelentes bandas de apoio onde já passaram Hiram Bullock, Bob James, Marcus Miller, Steve Gadd, Charlie Haden e Kenny Barron, que também estará no festival. Sua atual turnê, intitulada Dream Tour, comemora seus 25 anos de estrada e vem ao festival com sua formação básica com Ricky Peterson teclados, Nicky Moroch guitarra, Richard Patterson baixo e Gene Lake bateria.
Vai ser a sensação do festival, com certeza.



Outro nome internacional de destaque é Billy Cobham, o baterista fusion que vai levar ao delírio o público do estilo com sua imensa configuração instrumental. É um dos precursores da onda fusion e foi um dos fundadores da Mahavishnu Orchestra ao lado de John Mclaughlin no ínicio dos 70.
A Billy Cobham Band é formada por Jean-Marie Ecay guitarra, Michael Mondesir baixo, Junior Gill steel drum, Camelia Ben Naceur e Christophe Cravero teclados e violino. Vai ser uma pedrada e eu e todos esperamos seu clássico e vibrante tema Stratus, que com certeza vai fazer parte do setlist e vai colocar Rio das Ostras abaixo.

Duke Robillard vai trazer o Blues com boas pitadas jazzy, em sua forma muito particular. Um guitarrista altamente técnico e um dos mais entendidos da guitarra de T-Bone Walker, a quem fez um extraordinário tributo em Blue Mood (2004, Stone Pain). Foi integrante do Roomful of Blues e do Fabulous Thunderbirds  e sua guitarra caracteriza-se muito pelo blues swingado, muito na onda do jump blues e com a adição de sopros. Passeia fácil pela atmosfera do jazz, gravou excelentes albuns nessa onda inclusive seu último disco lançado este ano intitulado Duke Robillard Jazz Trio, Wooble Walkin' (Blues Duchess) com interpretação de varios standards. Também está concorrendo para a premiação do Blues Music Awards este ano na categoria "Gibson Guitar Award". E aposto num show de Robillard mais jazz que blues, de qualquer forma um show imperdivel.

Roy Rogers revisita o festival. Sobre sobre última apresentação, 10 de 10 amantes do Blues que assistiram afirmam que não houve show de Blues tão incendiário quanto o dele em toda a história do festival. Controvérsias a parte, o especialista em slide agita pra valer e com certeza não vai ser diferente nesta edição. Assim como Michael Hill, que também já esteve por aqui, aliás ambos vieram na mesma edição, e volta com seu blues elétrico e contemporâneo para formar o palco Blues internacional.

O baixista camarones Armand Sabal-Leco é pouco conhecido por aqui, mas se preparem para muito groove e slap. Seu som traz a pegada do Marcus Miller e vai entusiasmar os amantes do baixo elétrico com seus efusivos solos e, lógico, vai trazer também aquela atmosfera do som africano e suas interpretações vocais. A surpresa do festival.
Mike Stern e Romero Lubambo já estiveram juntos no palco e não precisa dizer muito. Um encontro do mago fusion e sua Telecaster endiabrada com o maior violonista do planeta que deve abraçar a guitarra nesta apresentação. A banda se intitula Mike Stern & Romero Lubambo Project e completa com o baixista Janek Gwizdala e com o baterista Lionel Cordew. Esperamos a presença de Lubambo numa bela canja no show de Kenny Barron, esperamos para ver.

A música instrumental brasileira está representada nesta edição. Mauricio Einhorn e Helio Delmiro são dois ícones da nossa música. O show de Einhorn é quase intimista, da bossa a standards do jazz, e costuma se apresentar ao lado do seu quarteto formado por Alberto Chimelli piano, Luiz Alves contrabaixo e João Cortez bateria, grupo que o acompanhou em seus dois últimos trabalhos - Conversa de Amigos volumes 1 e 2.
Helio Delmiro é o nosso histórico guitarrista de jazz que fez escola para muitos outros guitarristas com sua técnica particular de tocar com os dedos em vez da palheta. Com destreza na guitarra e violão, pode-se esperar também um repertório de jazz e bossa. Porém, é um tanto imprevisivel, para ele cada show é único e o repertório é influenciado pela dinâmica do público presente cujo entusiasmo e participação motiva um tema e outro.
E um destaque para o Cama de Gato, um dos grupos mais representativos da nossa música instrumental brasileira, em sua atual formação com Paschoal Meireles bateria, Jota Moraes vibrafone, Mauro Senise sax e flauta, Mingo Araujo percussão e Andre Neiva baixo.


A Big Time Orquestra sempre é festa. O grupo também revisita o festival e na sua apresentação na edição de 2009 agitou pra valer o palco de Costa Azul e desta vez não vai ser diferente.

O blues-rock nacional traz Celso Blues Boy. Renascido com seu último lançamento no ano passado Por um monte de Cerveja, ele já foi coroado como nosso "mestre da Fender" e tem seu público cativo. Claro que todos sempre esperam o repertório do seu primeiro disco Som na guitarra (1984), um verdadeiro clássico do vinil blues-rock lançado no mercado nacional. E Blues Boy sempre contagia, portanto aumenta que isso aí é rock´n´roll!

No palco Novos Talentos o destaque é Artur Menezes, a revelação do Blues nacional. Espetacular guitarrista, foi o escolhido pela fabricante Condor para representar a guitarra blues em seus instrumentos e tem um pedal drive com sua assinatura construido pelo Targino. O garoto já andou pelos palcos dos clubs de Chicago, logo entende e muito do negócio. Imperdivel!
Completando o palco Novos Talentos, o saxofonista Gabriel Leite, a Big Bat Blues Band e o trio do pianista de Fabiano de Castro e ainda a Big Band 190 formada pela Companhia Independente de Músicos da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro que também vai mostrar que tem muito swing.


Programação -
6 de junho, quarta-feira 
Costazul , 20h : Orquestra Kuarup; Big Band 190; Hélio Delmiro; Celso Blues Boy

7 de junho, quinta-feira
Praça São Pedro, 11h30 : Gabriel Leite
Iriry, 14h15 : Celso Blues Boy
Tartaruga, 17h15 :  Mike Stern & Romero Lubambo
Costazul, 20h : Plataforma C; Maurício Einhorn; Kenny Barron; Michael Hill

8 de junho, sexta-feira
Praça São Pedro,  11h30 : Big Bat Blues Band
Iriry, 14h15 : Roy Rogers
Tartaruga, 17h15 : David Sanborn
Costazul, 20h : Armand Sabbal-Lecco; Duke Robillard; Mike Stern & Romero Lubambo; Big Time Orchestra

9 de junho, sábado
Praça São Pedro, 11h30 : Artur Menezes
Iriry, 14h15 : Michael Hill
Tartaruga, 17h15 : Armand Sabbal-Lecco
Costazul, 20h : Cama de Gato; Billy Cobham; David Sanborn; Roy Rogers

10 de junho, domingo
Praça São Pedro, 11h30 : Fabiano de Castro
Iriry, 14h15 : Duke Robillard
Tartaruga, 17h15 : Billy Cobham

Workshops -
As palestras serão realizadas na Cidade do Jazz, em Costa Azul às 20hs.

Quinta-feira, dia 7, Carlos Calado fala sobre Música Instrumental Brasileira: cinco décadas de inovação e diversidade,  um panorama histórico e crítico da moderna música instrumental brasileira, ilustrado por algumas de suas gravações mais significativas: da explosão do samba-jazz, nos anos 1960, aos expoentes dos anos 70 e 80;
Sexta-feira, dia 8, Helton Ribeiro fala sobre A história do blues, do surgimento até a cena contemporânea, passando pelos diversos estilos;
Sábado, dia 9, Gustavo Vitorino fala sobre Popularidade & Qualidade, A Dicotomia do Sucesso, cujo conteúdo versará sobre a relação entre a música tecnicamente bem feita e de alto nível com o a de sucesso popular.


Vejo voces lá !
Mais sobre o festival em  www.riodasostrasjazzeblues.com