OS VIKINGS: LARS DANIELSSON

22 março, 2012
Os Vikings são parte de uma civilização que teve origem na região da Escandinávia, que hoje compreende o território de três países europeus - Suécia, Dinamarca e Noruega. Também conhecidos como nórdicos ou normandos, estabeleceram uma rica cultura que se desenvolveu da atividade agrícola, do artesanato e do comércio marítimo. E a vida nos mares também marcaram os Vikings, que eram conhecidos como piratas pois saquearam e conquistaram terras entre os séculos 8 e 11 com suas embarcações conhecidas como navio-dragão, por causa do seu formato. Carregam uma rica mitologia cujas histórias envolviam lutas entre os deuses nórdicos, o principal deles Odin, o todo poderoso, e o mais popular Thor, seu filho, conhecido como o Deus do Trovão.
Guerreiros natos e com uma habilidade de navegação incrivel, circulavam pela região do Mar Báltico, pelos gelados mares do norte da Europa, pelos litorais que hoje são conhecidos como Rússia, França e Inglaterra e cruzaram o Atlantico descobrindo no caminho a Islandia e a Groelandia; e há historiadores que acreditam que foram os primeiros a desembarcar na America. A guerra era um elemento importante na formação de um Viking, exímios fabricantes de armas e que as usavam com extrema habilidade.
Eles acreditavam que os guerreiros mais valentes e mortos em combate eram levados dos campos de batalha pelas Valquírias, belas e corajosas guerreiras, e levados para o que chamavam de Salão dos Mortos, uma espécie de paraíso reservado apenas para aos mais bravos.
Inspirado por esta mitologia nórdica, o compositor alemão Richard Wagner escreveu a ópera "Die Walküre" (A Valquíria) e que tem em um dos atos a conhecida “Cavalgada das Valquírias” que abre a primeira cena do terceiro ato. O tema foi fundo musical de uma das cenas do clássico filme “Apocalipse Now” de Coppola, que retrata a Guerra do Vietnã.

Lars Danielsson
E vem da Escandinávia mais um dos deuses do contrabaixo : Lars Danielsson.
Nasceu em Gothenburg, Suécia, em 1958 e é um dos mais extraordinários contrabaixistas do cenário jazzistico, além de extrema destreza no cello, que foi seu principal instrumento quando ingressou no Music Conservatory em sua cidade natal.
Lars tem uma ampla discografia e teve em seu quarteto original, que tinha o sax de Dave Liebman, o piano de Bobo Stenson e a bateria de Jon Christensen, o seu verdadeiro playground musical onde era o compositor e arranjador e cujo grupo recebeu inúmeros prêmios por mais de vinte anos que esteve na ativa. E esse trabalho se estendeu a orquestras sinfônicas e big bands entre elas a Jazz Baltica Ensemble.

Apesar da sua música bem enraizada no jazz e na cultura clássica europeia, se diz influenciado por Hendrix, Miles, Neil Young, Stones, Marvin Gaye, James Brown e Coltrane, sem restrição de estilos e formas; e tem em Bach, nos Beatles e em Gabriel Fauré sua lista de compositores favoritos. Daí a diversidade e beleza da sua música. Trouxe para seus grupos nomes como John Abercrombie, os irmãos Brecker, John Scofield, Jack DeJohnette, Mike Stern, Billy Hart, Charles Lloyd, Ulf Wakenius, Joey Calderrazzo, entre outros.

Seu contrabaixo tem sua assinatura e explora bem o cello com uso do pizzicato, técnica de se tocar instrumentos de corda que se utilizam de arco com o uso dos dedos, o que dá uma sonoridade muito particular.
Seus últimos trabalhos trazem o excelente trio formado com o pianista Leszec Mozdzer e o percussionista Zohar Fresco, a parceria com o fantástico trombonista Nils Landreen no album The Moon, The Stars and You (2011, ACT) e seu récem lançado album solo, Liberetto (2012, ACT Music), acompanhado por  Tigran Hamasyan no piano, John Parricelli guitarra, Arve Henriksen trompete e Magnus Ostron bateria.

Em sua entrevista para a All About Jazz, Lars Danielsson conta que o nome do álbum - Liberetto - é um nome mais associado a Opera e Música Clássica do que ao Jazz. Afirma ser uma palavra sua, e que significa ter uma ligação com seu álbum intitulado "Libera Me" (ACT, 2005), em um elo e uma referência com a terminologia da música clássica.
Ainda esclarece que o álbum é uma coleção de temas individuais onde cada tema é único e soa diferente do resto, afirmando que mesmo que não haja uma conexão entre os temas, a ordem é tem relevante importância.

Sobre o grupo atual, não economiza palavras -
"Tigran é um pianista fantástico, de técnica impressionante e de muita energia quando toca, especialmente sendo tão jovem. Conheço Arve Henriksen há bastante tempo, é noruegues e mora na Suécia, nem sabia que havia se mudado para cá e o convidei para tocar em Liberetto. Parricelli trabalhou no meu último album Tarantella, é um grande guitarrista e nos encontramos durante a gravação de uma trilha sonora intitulada Silence, Night and Dreams do compositor Zbigniew Preisner. Magnus Ostrom eu encontrei após a morte de Svensson em 2008 e o convidei para tocar em meu grupo em um show na Polonia, e desde então estamos juntos, é um músico extraordinário."

Lars Danielsson quer sempre criar um diálogo entre ele e os demais músicos. A comunicação é tudo e afirma a importância de tocar com outros músicos e reagir ao que eles estão tocando. E complementa -
"A música é a única coisa que não pode parar, ou pelo menos fazer as pessoas esquecerem sobre algo e viverem o presente. Minha missão é criar um estado de espírito ou um conjunto de sentimentos aos meus ouvintes, quero criar algo que toque as pessoas e alcance seus corações".

Disse tudo!


www.lars-danielsson.com/

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Leszek Mozdzer