MARSALIS & CLAPTON, ENCONTRO DE GÊNIOS

05 outubro, 2011
A tradição musical de New Orleans todos conhecem, é muito característica pela sua rítmica e pela alegria que sua música transmite. E quando esta atmosfera é interpretada de forma muito particular pela influência de dois gigantes da música, um especialista no jazz e enraizado no berço da música americana e outro influenciado pelo blues em todas as suas formas, o resultado é realmente extraordinário.

Marsalis e Clapton Plays the Blues é uma obra prima!

Esta sessão foi gravada no Jazz at Lincoln Center, NY, nos dias 7, 8 e 9 de abril deste ano e é uma verdadeira homenagem as origens da música americana nascida no delta do Mississipi, New Orleans. Na totalidade dos temas encontra-se a atmosfera das brass bands e estão presentes todos os elementos musicais que se desenvolveram depois, primeiramente a alegria dos músicos e a música que eles fazem, o improviso, o blues, o spiritual, o dixie, o walking e o jazz - e tudo arranjado pelo mestre Marsalis.

Ao mesmo tempo instigante para quem conhece a música de Clapton torna-se curioso para quem conhece a história musical de Marsalis, ambos músicos maduros completamente entregues neste desafio e que não se prenderam a rótulos e purismos, preocupados somente em fazer boa música. E essa amizade entre eles começou baseada justamente nisso, no amor que eles tem pela música e pela herança musical que eles compartilham. Vê-se um Clapton emocionado e que desabafa para a platéia dizendo o quanto significa para ele estar ali com Marsalis, a quem o chamou de gênio e um verdadeiro líder.

E na faixa de abertura Ice Cream (Howard Johnson) todos tem espaço para seu improviso em um clima bem ao estilo que lembra a musicalidade de Louis Armstrong, quase como um cartão de visitas, acomodados pela rítmica particular de New Orleans com direito a uma passagem no melhor estilo tradicional do jazz no solo do pianista Dan Nimmer.
Fica até dificil destacar uma música em especial desta apresentação, todas são brilhantes.
Joe Turner´s Blues (Willian Handy) marca pela interpretação vocal em uníssono de todos os músicos, quase como um ritual spiritual sob uma marcha em blues; Forty-Four (Chester Burnet) sempre foi um tema marcante nas apresentações de Clapton em que ele homenageava Howlin’ Wolf, aqui numa forma muito particular; encontramos uma passagem na onda boogie-oogie no tema Kidman Blues (J..Willians); e Layla (Clapton) se apresenta como você nunca viu, introduzida por uma sonora expressão de sopros e que segue marcada em compasso lento com um solo magnífico de Clapton que ao final tirou um sorriso de admiração de Marsalis que dá sequencia a seu pontual e melódico solo.
Aliás, Clapton coloca sua guitarra dentro da atmosfera musical de new orleans de forma extraordinária, todos os solos aplicados pontualmente sem abrir mão da pegada blues, além do seu vocal que caiu perfeito nos arranjos propostos por Marsalis.
Taj Mahal é o convidado especial desta apresentação e está presente em dois temas simplesmente arrasadores, o tradicional blues Just a Closer Walk with Theem e um encerramento apoteótico com Corrine, Corrina (Chatman, Parish, Willians).


Participam desta sessão, além de Marsalis ao trompete e Clapton na guitarra alternando entre a clássica 335 e uma belíssima L5, Victor Goines clarinete, Marcus Printup trompete, Chris Crenshaw trombone, Don Vappie banjo, Chris Stainton teclados, Dan Nimmer piano, Carlos Henriquez contrabaixo e Ali Jackson bateria; quase todos membros da Lincoln Center Jazz Orchestra.

Uma abordagem diferente de tudo o que voce já viu e ouviu de Clapton. Um disco para aqueles que, mais que amantes do jazz e do blues, um disco para amantes da música.
Uma verdadeira aula de música!

Lançamento oficial aqui no Brasil pela Warner em pack CD e DVD.

Som na caixa !