MARCIN WASILEWSKI: FAITHFUL

01 outubro, 2011

O pianista Marcin Wasilewski nasceu na Polônia em 1975.
Começou a tocar piano aos 7 e aos 13 já estava nos palcos imerso no jazz, que lhe foi apresentado pelo tio baterista que o levou a um concerto de jazz ainda criança.
Passou a ouvir os discos do pai, rodando Oscar Peterson, Chick Corea e Herbie Hancock até que esbarrou em um video de Keith Jarrett e viu que era aquilo o que ele queria tocar.

Ainda na escola formou o Simply Acoustic Trio ao lado dos amigos contrabaixista Slawomir Kurkicwicz e o baterista Michal Miskiewicz, e o trio está junto desde meados de 90, descobrindo e redescobrindo o jazz.

Seus primeiros e excelentes álbuns When Will The Blues Leave (Polonia, 1995)Habanera (Not Two, 1999) e Lullaby for Rosemary (Not Two, 2001) somente estão disponiveis na Polônia.
A expressividade do piano de Marcin foi tanta que chamou a atenção do trompetista Tomasz Stanko, também polonês, que o trouxe para compor o seu quarteto gravando, para mim, seus melhores trabalhos - Soul of Things (ECM, 2001), Suspended Night (ECM, 2003) e Lontano (ECM, 2005). Marcin via em Stanko um músico especial, era "o" trompetista e o viu pela primeira vez na TV ao lado do pianista Bobo Stenson em um quarteto extraordinário, em uma música que flutuava entre o free e o tradicional, algo que soava ainda estranho para seus ouvidos. Ele considera a experiência com Stanko uma grande escola, o melhor caminho para aprender e experimentar o Jazz. E foi ao lado dele que ele obteve dimensão internacional e não parou por aí - outro grande músico que também o trouxe para compor seu grupo foi o brilhante baterista Manu Katché, participando dos álbuns Neighbourhood (ECM, 2006) e Playground (ECM, 2007), ambos excelentes.

O trio de Marcin continua com a mesma formação e gravou os albuns Trio (ECM, 2004), premiado como Quarterly Prize of the German Record Critics, e January (Universal, 2008) onde passeia por composições próprias e temas de autoria de Carla Bley, Paul Bley, Gary Peacock, Stanko, uma belíssima interpretação de Cinema Paradiso de Enio Morricone, e rearranjos do funk-rock moderno de Prince e da atmosfera gótica de Bjork.

Em seu trabalho intitulado Faithful (ECM, 2011) a fórmula não é diferente, mais um disco brilhante onde se destaca uma visita a Hermeto Pascoal em Os Guizos, tema apresentado pelo contrabaixista Slawomir Kurkicwicz, que tem na música brasileira uma de suas inspirações; a clássica balada The Ballad of the Sad Young Men, em que Marcin incorpora de forma brilhante a atmosfera de Jarrett; Big Foot (aka Figfoot), que Paul Bley gravou em 70 no álbum com Gary Peacock pela própria ECM; e o tema título Faithful, composição original de Ornette Coleman (The Empty Foxhole, 1966); além de composições próprias.

Um pianista de mão cheia, que valoriza a melodia não a deixando sobrepor pelo seu virtuosismo, que ele tem de sobra. O trio é espetacular, definitivamente um dos mais expressivos do Jazz contemporâneo.