MATT SCHOFIELD: ANYTHING BUT TIME

12 setembro, 2011
Das terras que nos deram Jeff Beck e Eric Clapton, o inglês Matt Schofield é mais um nome de expressão dos guitarristas na linha Blues-Rock.
Em foco, o álbum Anything But Time 
(Nugene Rec, 2011).
Ainda garoto, aos 13 anos, já participava das gigs em sua cidade natal, Manchester, e aos 18 já se tornava um guitarrista profissional. Se diz influenciado por B.B. King, Albert Collins, Stevie Ray e Albert King e consegue mostrar muita originalidade na sua música fazendo uso da formação de organ trio, geralmente acompanhado pelo baterista Evan Jenkins e o organista Jonny Henderson.

Já no seu disco de estréia - Trio, Live (2005, Nugene Records), teve o merecido reconhecimento da crítica, e alcançou em 2010 o prêmio de álbum do ano pelo British Blues Awards com o disco Heads Tails & Aces (2009, Cadiz), que contou as participações do baixista Jeff “The Funk” Walker e do baterista Alain Baudry.  Foi o primeiro guitarrista britânico a ter um livro-dvd didático lançado pela Hal Leonard.

Sua onda lembra muito o som do guitarrista Robben Ford pelo registro e timbre da sua guitarra além de boa colocação vocal. Sua discografia conta com "Trio, Live" (2005), "Siftin' Thru Ashes" (2005), "Live at the Jazz Café" (2005), "Ear to the Ground" (2007), "Heads Tails & Aces" (2009), "Live From The Archive"(2010) e "Anything But Time" (2011); três registros ao vivo e a certeza que o couro come nessas gravações.

Anything but Time conta com a participação do pianista de New Orleans Jon Cleary, e foi produzido por John Porter, que já produziu discos de B.B. King e Buddy Guy. Dos dez temas do álbum, oito são temas autorais e as demais são interpretações de Steve Winwood (At Times We Do Forget) e Albert King (Wrapped up in Love).

Abaixo uma transcrição da entrevista de Matt Schofield para o site Guitar Squid (tradução livre) - 

Voce diz que a gravação de Anything But Time em New Orleans influenciou a atmosfera e o som do disco. Quais outras influências podem ser ouvidas e o que gostaria de destacar no álbum?
Há uma mistura de influências. Eu cresci ouvindo gravações de guitarra blues e a influência dos jazz organ trios obviamente está inserida na banda, além da pegada funky que nós adoramos. Para este álbum tive a idéia de fazer uma versão Stax das gravações que Albert King fez com Booker T & The M.G's, o que certamente não soou como esse registro mas era o que tinha em mente. A faixa título é uma referencia ao M.G.´s e nós incorporamos o som de Albert King daquele período. E além de estar em New Orleans, o ponto culminante pra mim foi trabalhar com o produtor John Porter. Eu cresci ouvindo as gravações que ele fez e eu realmente me senti muito a vontade, foi uma experiência gratificante. Além do incrível Jon Cleary tocando alguns temas com a gente, fizemos três temas juntos.

Pode falar um pouco sobre as especificações da sua nova guitarra, Daytona. Em que ela difere da sua 61' Strato?
Bem, o que eu mais gosto na  Daytona é que é uma SVL baseada na modelo 61' e eu me sinto confortavel com ela. De fato, a idéia era ter uma que não fosse muito diferente da minha original, o que não é fácil e foram varias tentativas. Mas a SVL certamente encontrou a fórmula certa. Eu toquei com a Daytona por um show inteiro na primeira oportunidade, o que seria impensavel pra mim tendo tocado com minha 61' strato em todos os shows por 10 anos.
Outros pontos importantes a destacar são a composição da cor do instrumento e a pegada do braço, muito parecida com minha velha strato e feito do jacarandá brasileiro e o som que responde a altura. Lógico que ainda tende a melhorar afinal ela só tem 18 meses. Talvez mais uns 50 anos !
Embora minha 61' ainda seja um modelo, para o dia a dia a SVL é a melhor strato-like que eu possuí, a usei no novo disco apesar da minha 61' também estar no estúdio.

Voce se considera um autodidata. Como você aprendeu a tocar e as diferentes técnicas que usa?
Eu ouvi muita música e toquei muito. Ainda adolescente não havia um minuto que eu não estivessese com a guitarra nas mãos. Descobri acidentalmente a escala pentatônica tentando tirar Voodoo Chile.
Pensei - se eu tocar  aquelas notas em ordens diferentes, adicionar alguns bends ou vibratos aqui e ali, soa como outros solos de blues também. E assim foi ao longo dos anos e foi divertido.
Eu tocava junto com as gravações a maioria das vezes, Ao invés de aprender os solos nota por nota, eu pegava os licks e a forma como os faziam e criava meu próprio vocabulário com eles. Também aprendi muito com os músicos mais velhos e mais experientes, principalmente quando me mudei para Londres aos 18 anos. Se você está em uma boa banda tocando para uma platéia, é afundar ou nadar. Eu nunca passei muito tempo praticando técnicas. Qualquer técnica que eu tenha e puramente produto de tentativa de executar algo musicalmente. Mais importante é escutar muito, eu amo música e seus ouvidos são a peça mais importante do equipamento.

Sua pedaleira não é nada mirabolante. Fale um pouco sobre os efeitos que você aplica.
Bem, eu realmente não gosto de usar efeitos e tudo que eu tenho é basicamente para controlar ou complementar o som que estou tentando tirar da guitarra. Eu gosto do som dos dedos, das cordas, e amplicado também. Então isso tudo para mim refere-se a dinâmica e detalhes dos equipamentos para melhor reproduzir o que estou tocando. Não quero pensar no equipamento quando eu toco, então mantenho-o simples, não mais que 3 pedais.
Além do afinador tenho um Providence Overdrive SOB-2 que é o melhor overdrive que eu encontrei. Mantém o som aberto, dinâmico e tem boa resposta, os bends soam perfeitos com meu amplificador Two-Rock Custom Reverb em modo clean. Ainda uso um Klon Centaur que eu uso para um som mais limpo, direto no amplificador dando um som mais encorpado sem alterações. E finalmente o Mad Professor Deep Blue Delay em configuração básica.

Muitos guitarristas sabem a importância de praticar, mas muitos deixam isso de lado. O que você sugere?
Eu vou ser honesto e digo que não sinto que eu tivesse praticado tanto, e olha que eu toquei muito. Eu nunca tive uma rotina, apenas plugava e tentava tocar. Novamente digo que tem que escutar muita música e ouvir o que gosta, isso me inspira a querer tocar e é o que me leva adiante.

Matt Schofield cita os 5 discos que todo guitarrista deve ter –
B.B. King : Live at the Regal
Albert King : Born Under A Bad Sign
Albert Collins : Live 92-93
Jimi Hendrix : Electric Ladyland
Donny Hathaway : Live