GIBA BYBLOS: MY DUTY

19 setembro, 2011
Em foco o guitarrista Giba Byblos, que lança seu primeiro álbum intitulado My Duty, um disco bem na onda do Chicago Blues.
E é como disse Keith Richards em sua biografia - "O Blues de Chicago é cru, rouco, cheio de energia, se quiser gravá-lo clean, esqueça; quase todos os discos de Blues de Chicago que a gente ouve saem de uma soma enorme, carregando o som em camadas de varias espessuras.
"My Duty" carrega essa atmosfera.


Apesar de "branquelo", Giba Byblos tem a potência vocal do bom Blues de negão, bem ao estilo, com a guitarra acentuada com o verdadeiro som das 335 – modelo de guitarra que Giba é um amante incondicional, e nos apresenta um passeio pelo estilo com muita pressão a ainda algumas pitadas funk e sombras de Lee Hooker e Freddie King. É o Blues nacional mais uma vez ganhando dimensão e destaque.

Se no título deste trabalho ele anuncia que é seu dever manter acesa a chama do Blues, é nosso o dever plugar a bolachinha no prato e degustar o repertório de interpretações de clássicos como a bluesy "Ain´t Nobody´s Business" (Porter Grainger), as funkeadas "Going Down" (Don Nix) e "Big Legged Woman" (Israel Tolbert), "Today I Startin Lovin You Again" (Merle Haggard), "Bad Boy" (Eddie Taylor), "You Don´t Know What Love Is" (Fenton Robinson) e as originais "My Duty", "Johnny Brought Me a Gim" e "The Landlady".

E para contar um pouco deste trabalho, das suas influências e seus equipamentos, o próprio Giba Byblos -

GC: Fale um pouco sobre a ideia do disco e da banda que te acompanha.
GB: O CD leva o nome da primeira faixa, My Duty. Apesar de eu tê-la composto bem antes da idéia do disco, My Duty também significa o meu dever em relação ao blues. A minha ligação com ele não é somente o caso entre um músico e um gênero musical, para mim o blues vai bem além disso, é como que algo religioso, espiritual. É Meu Dever ajudar a manter a chama do blues acesa e essa é a idéia do disco, blues e nada além do blues. Gravei 7 interpretações e 3 composições próprias, sendo 2 assinadas em conjunto com outros músicos - Junior Bought Me a Jim com Fabio Basili e The Landlady com Homesick Hanes.
Sobre a banda, essa é uma história longa. Para resumir, tudo começou com o conceito de uma banda que era a The Kingsizes. Só que ela foi se desintegrando com o decorrer da gravação, inciada em dezembro de 2009. Eu tomei a dianteira e só acreditei que terminei o trabalho em outubro de 2011 quando o Chico Blues, do selo Chico Blues Records, me ligou e disse que os CDs estavam prontos.
A banda que me acompanhou é formada exclusivamente por amigos - Fabio Basili (baixo), Nilton Godoi (batera), Ivan Marcio e Alex Drobnicki (gaitas), Ricardo Ivanov e Homesick Hanes (guitarras), André Calixto e Daniel Correia (metais) e André Youssef (teclados).
Falando de produção, o Ivan Marcio foi o responsável, o Edu Gomes foi o engenheiro de som e a masterização por Daniel Lanchinho.

GC: My Duty tem a atmosfera chicago blues, o que influencia a guitarra de Giba Byblos?
GB: Como você pode ver na capa interna do CD, eu estou num sofá e atrás de mim há fotos das minhas influências: Freddie, BB e Albert King, Eddie Taylor, Otis Rush e John Lee Hooker. É uma pena aquela parede não ter sido tão grande a ponto de caber Magic Sam, Magic Slim, Mighty Joe Young, Jimmy Rogers, Jimmy Johnson, Lurrie Bell, John Primer, Little Milton, JB Hutto, Muddy Waters, Howlin' Wolf, Albert Collins, Left Hand Frank, Little Joe Blue, Eddie Kirkland. Lightnin' Hopkins, Bukka White. Bom, chega. Senão eu vou ficar mais meia hora escrevendo os nomes dos meus heróis.

GC: Por que a opção de compor em inglês?
GB: Por que eu não me imagino cantando blues em português. Nada demais, simplesmente por isso!

GC: A capa de My Duty mostra você e uma 335, que tem uma forte identidade com o blues. Conte-nos sobre seus equipamentos.
GB: Na verdade aquela é a Cleópatra, minha Rainha Africana. Não parece uma rainha? Coberta de púrpura e cheia de ouro. Ela é exatamente uma Gibson ES 355 TDSV. Eu também uso outros "avatares" dela - uma ES 345 TDSV, uma ES 335 TD, uma ES 333, uma Epiphone ES 360 TD (Riviera), uma .... É isso mesmo, três pontinhos, meu harém não pode parar! E tem mais, todas sempre de algum tom avermelhado - Cherry Red, Wine Red, Washed Cherry. Devo ter me esquecido de algum, por enquanto é o que eu me lembro. Meus amps são sempre Fender, uso um Champ 600 pra estudar em casa, um Princeton Reverb Silverface para ambientes pequenos e para quebrar tudo um Bassman Backface com um gabinete de Tremolux. Não uso efeito nenhum além do reverb e ando me divertindo bastante com um Relay G50, sistema wireless da Line 6. Eu uso dedeiras em vez de palheta, resolvi mudar ao assistir vídeos de Freddie King e Eddie Taylor. Dá maior versatilidade ao dedilhado além de me impedir de tocar muitas notas e muito rápido.

GC: Três discos por Giba Byblos.
GB: Indico os três que mais tenho ouvido ultimamente - "Mourning' in The Morning" do Otis Rush (1969, Atlantic), "Ready For Eddie Plus" do Eddie Taylor (1975, Sanctuary) e "Mighty Man" do Mighty Joe Young (1977, Blind Pig).

Obrigado Giba Byblos, e sucesso.
Keep on Bluesin'.


My Duty from Giba "Guitar" Byblos on Myspace