FOTO SÍNTESE

22 maio, 2017
"Quando você faz com verdade, o amor acontece, o mundo conspira a favor e nos tornamos pessoas melhores. Somos uma engrenagem que não pode parar nunca."
Essa é a mensagem, muito verdadeira, passada pelo guitarrista Vitor Karyello no encarte do seu primeiro CD - "Foto Síntese". Talentoso guitarrista, representa muitíssimo bem essa nova geração da música instrumental brasileira e do jazz, e traz nesse trabalho de estreia a formação de trio em que está acompanhado por Albert Batista no contrabaixo e Herbert Santos na bateria, músicos que ele considera essenciais na realização desse trabalho, cada um com sua maneira de sentir e expressar cada música trazendo cores e atmosferas que jamais imaginaria ser possível.
O repertório traz 6 composições autorais com muita originalidade em um passeio de improvisos sem perder o tempero brasileiro, como na contagiante "Bora Lá", introduzida por oitavas e com espaço para solos de Albert e Herbert; na levada latina de "Cumé Cumpadi"; na atmosfera bossa em "Leme", dedicada ao guitarrista Michel Leme; nas baladas "Laura" e "Ayres", aqui novamente um belo solo de Albert; e na pegada groove de "Sol in Mérrico", com destaque também para o solo de Albert e para a pontuação rítmica de Herbert.
Para Vitor, música é a emoção manifestada através de ritmos, melodias e harmonias, é afinidade e quando aparece é indescritível.

"Foto Síntese" é uma produção independente e foi gravado no EME Estúdio, RJ.


Com a palavra, Vitor Karyello -

Como se desenvolveu a ideia da criação do disco "Foto Síntese"?
Antes de tudo, parabéns pelo trabalho e apoio à música.
A necessidade de começar o próprio caminho me levou a isso tudo. Há dois anos comecei uma jornada por bares, livrarias, calçadas, terraços e onde mais fosse possível tocar, e durante esse processo foram surgindo as composições. Não ensaiávamos, então os arranjos foram nascendo de forma “improvisada” nas apresentações ao vivo e achei interessante registramos dessa forma, o mais espontâneo possível.
Um disco de música instrumental é muito difícil de ser concebido principalmente em relação ao patrocínio, é um nicho pequeno em que os próprios amantes da música instrumental, e também os músicos (ao menos deveria ser), alimentam o circuito, comprando os discos e indo aos shows. Precisamos ter consciência sobre esse assunto para que não deixemos morrer a verdadeira arte; arte essa cada vez mais rara.

O título do disco traz algum significado implícito?
Nomear as coisas sempre foi um problema pra mim. De certa forma costumo associar o nome dado a algo que estou pensando, mas, sendo um pensamento particular, só eu saberei, e terá um sentido próprio pra mim. Já para outra pessoa pode significar outra coisa, acho isso divertido. O nome do disco surgiu por último, depois de gravado. “Foto” por ser um registro do momento e “Síntese” por reunir tudo que passamos até agora, não só musicalmente, mas toda bagagem que cada músico traz consigo em sua existência, com todas as virtudes e defeitos. 

Sobre os músicos que te acompanham no disco 
Esse disco jamais aconteceria dessa forma se não fosse pelo Albert Batista (baixo) e Helbert Santos (bateria). Helbert esteve comigo em todo processo que se iniciou há dois anos, é um baterista espetacular que não pensa apenas como baterista e sim como um músico completo, se ligando nas melodias e harmonias, acrescentando sempre uma pitada ácida nos detalhes harmônicos. Albert é o caçula do trio, tanto na idade quanto no meio instrumental. Ele entrou no time há pouco mais de 1 ano e teve uma evolução surpreendente no sentido de “viver” o som e conseguir externar o que está sentindo. É um músico que traz uma emoção muito grande, sem contar que é um relógio suíço nas levadas.


"Foto Síntese" traz 6 composições autorais. Como você trabalha o processo de criação?
Seriam oito, mas como fizemos a gravação ao vivo em um único dia dois temas ficaram de fora. Foi minha primeira experiência com essa forma de gravação, sem overdubs e todos na mesma sala. Sem dúvida foi uma experiência incrível. Nunca marquei hora pra compor e não tenho essa disciplina, mas gostaria de ter. Todos esses temas surgiram quando eu menos esperava e vieram praticamente prontos, com exceção de "Leme", que é uma parceria com o Helbert, e "Cumé Cumpade", que fiz em dois momentos diferentes. Eu começo a compor com uma determinada levada ou pela melodia, nunca compus uma música a partir de uma harmonia. Acredito que composição é prática, mas antes de tudo é a manifestação de tudo que você vive, ouve e toca. Quanto mais informação você tem maior é seu vocabulário para conseguir expressar o que sente através de sua música.

Sobre a estória das composições –
"Bora lá" eu fiz antes de sair para um show. Estava atrasado e a música foi surgindo, eu repetia pra mim mesmo - “Bora lá, bora lá”. Não sei se falava isso para me apressar para o show ou para terminar a composição.
"Leme" é curiosa. Essa música é uma homenagem ao grande Michel Leme, ao qual sou muito grato pela sua generosidade e pela música que ele faz, é um dos maiores músicos e personalidades do Brasil. O interessante é que essa música foi uma homenagem involuntária, fiz a parte “A” e mostrei ao Helbert sem ele saber que era minha - “Vitor, bacana essa música! É a 'Bom Dia' do Michel, né?” Foi quando eu percebi - “Nossa, copiei descaradamente”. Embora houvesse elementos diferentes, lembrava muito. Então mudei um pouco a rítmica da melodia e pedi ao Helbert que fizesse a parte “B”, aí então ficou um pouco menos parecida. Em uma das aulas com Michel, mostrei o tema e contei essa história e ele ficou bem contente com a homenagem.
"Laura" fiz pra minha sobrinha de 6 anos, é uma balada jazz que gosto muito. Essa é um exemplo de composição em que harmonia e melodia vieram juntas e de uma só vez.
"Sol in mérrico" teve sua criação de forma engraçada - eu estava em casa estudando num sábado de verão, naquele calor do cão, então fui ao mercado e comprei aquela cerveja Sol, que nunca havia tomado. Acho que tomei um pouco demais no dia e saiu o tema, por isso ganhou esse nome. 
"Cumé Cumpade" é de 2009 quando comecei a compor música instrumental. Ela se chamava Salsa Nova, depois que descobri que de salsa não tinha nada, então ela passou por umas modificações e ficou sem nome até que um belo dia, num som em que a tocamos, Albert disse - “Cumé Cumpadi? Qual é a próxima?”.
"Ayres", eu gosto muito desse tema. Coloquei esse nome pois estava me lembrando de uma viagem que fiz para Buenos Aires, e de certa forma a melodia foi me remetendo às lembranças naquela cidade.

Sobre equipamentos, o que usou nessa sessão?
Foi um set super simples - guitarra Condor modelo Nelson Faria e uma outra Condor JC-16 com cordas flatwound Daddario Chromes .12, cabos Tecniforte e um amplificador Cube 60 da Roland.

Quero deixar registrado meu muito obrigado aos parceiros Soulmusic, EME Estúdio, AR Luthieria, Zamix Internet, FlexCAr, Studio Stillo Music, Com.café e Restaurante Mistura Fina.

O quanto é desafiador produzir e lançar um disco de forma independente?
É muito difícil. As leis de incentivo funcionam para uma parcela de artistas e eu vejo que sempre são os mesmos beneficiados. Sinceramente, não vivo e nem passa pela minha cabeça ficar tentando algo nesse sentido, estou vibrando em outra frequência. Durante muito tempo, fiquei revoltado com pessoas que conseguiam milhões de reais em incentivo, enquanto muitos de meus amigos, muito mais talentosos e com muito mais a dizer, lutavam por migalhas para conseguir dar continuidade em seus projetos. Não acredito nem um pouco que o “governo” tenha que dar isso ou aquilo, ou que a “educação”, que é responsabilidade e ofertada pelo mesmo, seja a salvação do Brasil. Se quisessem um povo educado já teriam feito e nada disso estaria acontecendo hoje. Acredito em pequenos gestos, de pessoas comuns, que tentam mudar o meio em que vive, começando pela família e depois ajudando os mais necessitados. Se “adotássemos” uma pessoa, ajudássemos com instrução, construção do conhecimento, do autoconhecimento e com amizade, carinho e amor, não estaríamos subordinados a governos parasitas. Precisamos fazer nossa parte, ajudar o maior número de pessoas possível e a música é uma das armas utilizadas.

Obrigado Vitor, e sucesso.

Você pode adquirir o disco no iTunes.
O CD físico pode ser adquirido pelo site www.vitorkaryello.com ou pelo perfil no facebook.


BLUES MUSIC AWARDS 2017

12 maio, 2017
Mais uma edição do Blues Music Awards, que chega ao número 38 celebrando o blues e homenageando os artistas que promoveram o estilo ao longo do último ano.
Nessa edição destaque para a voz de Bobby Rush que, aos 83 anos, é premiado com o disco do ano com "Porcupine Meat" e com a caixa "Chicken Heads: A 50-Year History of Bobby Rush" que celebra 50 anos carreira do cantor.
A Tedeschi Trucks Band aparece nas categorias de banda e disco de blues-rock com "Let Me Get By"; Susan Tedeschi aparece como artista contemporânea feminina; e Joe Bonamassa é o premiado na categoria guitarra e no prêmio B.B.King Entertainer em lembrança pelas suas primeiras apresentações abrindo shows para o rei B.B. quando tinha 12 anos de idade.

O grande destaque é a voz de Curtis Salgado, premiado nas categorias soul-blues com o disco "The Beautiful Lowdown", como voz masculina e com a canção "Walk a Mile in My Blues". Esse trabalho também foi premiado no Blue Blast Music Awards 2016 e tem a participação do nosso gigante Igor Prado na guitarra. Curtis começou a escrever os temas desse disco quando estava no Brasil há 4 anos e junto com Igor fizeram algumas demos para logo depois surgir o convite de Curtis para Igor gravar a guitarra em uma faixa - "Ring Telephone Ring", que também conta com a participação do hammond de Mike Finnigan, este que gravou com Hendrix e também esteve ao lado de Etta James.
Curtis Salgado é um verdadeiro guerreiro, se recuperou de um câncer no passado e no início deste ano sofreu um ataque cardíaco, foi submetido a uma cirurgia de ponte de safena tripla e está em recuperação com expectativa de voltar aos palcos ainda esse ano.
Curtis participou do disco Blues & Soul Sessions da Igor Prado Band e tem projetos futuros com a Igor Prado Band para a gravação de um disco só de blues, algo que ele não faz desde a época que integrava o grupo de Robert Cray. Vamos aguardar!

Confira os premiados -

Acoustic Album:  The Happiest Man in the World, Eric Bibb
Acoustic Artist: Doug MacLeod
Album: Porcupine Meat, Bobby Rush
B.B. King Entertainer: Joe Bonamassa
Band: Tedeschi Trucks Band
Best Emerging Artist Album: Tengo Blues, Jonn Del Toro Richardson
Contemporary Blues Album: Bloodline, Kenny Neal
Contemporary Blues Female Artist: Susan Tedeschi
Contemporary Blues Male Artist: Kenny Neal
Historical: Chicken Heads: A 50-Year History of Bobby Rush, Bobby Rush (Omnivore Recordings)
Instrumentalist-Bass: Biscuit Miller
Instrumentalist-Drums: Cedric Burnside
Instrumentalist-Guitar: Joe Bonamassa
Instrumentalist-Harmonica: Kim Wilson
Instrumentalist-Horn: Terry Hanck
Koko Taylor Award: Diunna Greenleaf
Pinetop Perkins Piano Player: Victor Wainwright
Rock Blues Album: Let Me Get By, Tedeschi Trucks Band            
Song: “Walk a Mile in My Blues”, Curtis Salgado
Soul Blues Album: The Beautiful Lowdown, Curtis Salgado
Soul Blues Female Artist: Mavis Staples
Soul Blues Male Artist: Curtis Salgado
Traditional Blues Album: Can’t Shake This Feeling, Lurrie Bell
Traditional Blues Male Artist: Bob Margolin

www.blues.org

LABTrio

28 abril, 2017
O LABTrio é formado pelos belgas Bram De Looze no piano, Anneleen Boehme no contrabaixo e Lander Gyselinck na bateria, jovens talentos que trazem uma proposta musical criativa e moderna que se insere na forma do jazz livre que, como eles mesmo afirmam, se encaixa dentro do contexto urbano flertando com a eletrônica e com a cultura dos guetos e do hip-hop.
O grupo foi formado através de um evento promovido pelo diretor da academia de música de Antwerpen, Belgica, que organizava encontros de jovens músicos. A química entre eles foi imediata e o trio seguiu em frente amadurecendo a vontade de tocar junto ampliando experiências musicais.
Celebrando 10 anos de formação do trio, apresentam o terceiro disco intitulado Nature City, mostrando um repertório bastante original e muita maturidade.

O pianista Bram De Looze partiu para New York em 2012 para estudar na prestigiada New School for Jazz and Contemporary Music e teve como mestres, entre outros, Marc Copland e Uri Caine. Seu toque tem na improvisação o elemento principal e ele afirma encontrar inspiração na música contemporânea e na música clássica. Com intensa veia criativa, criou um septeto intitulado "Septych" (2014), em formação com dois violoncelistas, três músicos de sopro (alternando entre soprano, clarinete baixo, tenor, barítono e flauta) e bateria. Lander Gyselinck é um respeitado músico na cena jazz belga e se desenvolveu além do jazz marcando fronteiras com a improvisação livre e a música eletrônica. Integra o trio do pianista belga Kris Defoort e participa do experimental grupo STUFF.  A contrabaixista Anneleen Boehme é um talento feminino no instrumento. Começou a tocar contrabaixo aos 12 anos e, decidindo entre a música clássica e o jazz, partiu para o programa de jazz da Royal Conservatoire of The Hague na Holanda. Ela também integra vários projetos, entre eles seu próprio grupo, um quarteto de contrabaixos chamado "The Bass Party" ao lado de Janos Bruneel, Nathan Wouters e Soet Kempeneer.


"Fluxus" (2012, OutNote Rec) é o primeiro disco do trio; e a residência em New York promoveu uma colaboração com o celista Christopher Hoffman e o saxofonista Michael Attias, que rendeu o disco "The Howls Are Not What They Seem" (OutNote Rec, 2015), cujo trabalho foi intitulado como The NY Project.

labtrio.be/


INSIGHT

18 abril, 2017
Insight é o título do disco de estreia do guitarrista Eduardo Guedes, cujo trabalho ele afirma não se adequar em um rótulo, trazendo a proposta de uma atmosfera de jazz contemporâneo com liberdade rítmica e improvisação interativa, sem premeditações de argumentos. A escolha foi fazer música, apresentar novas composições e ter total liberdade para executá-las.

O disco traz a formação de trio e Eduardo Guedes tem ao seu lado o contrabaixista Bruno Repsold e o baterista Paulo Diniz, uma geração muito promissora para a nossa música instrumental e o jazz.
Para Eduardo, o baterista Paulo Diniz é um músico muito atento às sugestões rítmicas e que cria a todo momento uma atmosfera convidativa para a improvisação jazzística; já ao contrabaixista Bruno Repsold, o considera um virtuoso e criativo, é o suporte harmônico coeso e ritmicamente forte que faz um contraponto perfeito para todas as propostas de ideias melódicas.
Com 9 composições autorais e uma interpretação de Wayne Shorter - "Fall" (original do disco Nerfetiti do Miles), o repertório envolve o ouvinte com uma grande riqueza melódica e mostra um guitarrista de fraseado preciso e contagiante. Em destaque os temas "Capim Navalha" e "Queijo Duro"; a balada "Esperança", com uma bela introdução pelo contrabaixo de Bruno, e os temas "Valente", "Lunar" e "Jamais vi" em que também se destaca a bateria de Diniz; e o bom blues em "Blues Messengers".


Com a palavras, Eduardo Guedes -

Conte-nos um pouco sobre sua formação musical.
Toco guitarra desde os 12 anos de idade. Comecei tendo aulas com um amigo, Rogério da Silva, irmão mais velho de um grande amigo da escola. Ele também ainda não era um músico muito experiente, mas com ele tive uma boa iniciação, era muito divertido o convívio com ele era uma viagem para escutar e tirar músicas de rock, e rock progressivo que era o que mais me interessava na época. Depois fui seguindo de forma auto-didata e perturbando os amigos mais experientes com perguntas e pedindo indicações sobre o que ler e o que estudar. Teoria musical aprendi o básico no colégio mesmo, em escola pública.

Como se formou o trio que o acompanha?
Sou amigo do Paulo há alguns anos. Eu o conheci dando uma canja onde ele tocava e desde então sempre curtimos tocar juntos, e o Bruno eu conheci através dele. Gosto de tocar nessa formação de trio e eles também, mas a verdade é que gostamos de tocar em qualquer formação. Essa coisa de ser um trio acontece por força das circunstancias, acredito. Um disco de guitarrista com essa formação expõe a guitarra como instrumento de destaque de forma natural.

"Insight" traz um repertório autoral, como você trabalha o processo de composição?
A composição é um processo em que só há duas maneiras de acontecer: o jeito certo e o jeito errado.
O jeito certo é trabalhar de forma inspirada construindo sem pensar separadamente melodia e harmonia. A música é a melodia, a harmonia é a consequência da melodia. A melodia diz o caminho harmônico, nunca ao contrário. O jeito errado é aquela coisa de escolher uma sequencia de acordes e bolar uma melodia, geralmente não fica bom, como aquelas músicas que não dizem muito, que parecem que está faltando algo, ou uma colcha de retalhos.
Como eu trabalho meu processo de composição? Não sei. Sigo essas premissas citadas acima, mas, talvez por causa do senso crítico muito severo, eu começo as idéias musicais e na maioria das vezes não consigo terminar. Neste disco, marquei as sessões de gravação com 10 meses de antecedência, mas só compus as músicas faltando pouco menos de um mês para gravar. Espero que as próximas músicas aconteçam de forma mais tranquila. Já estou compondo outras e está acontecendo bem.
Sobre como penso o improviso? É óbvio que é o aspecto da música do qual eu mais gosto e mais me dedico, existem muitos detalhes e nuances. Vou sintetizar dizendo que nós somos como o jardineiro e o jardim, a cada dia podamos cada florzinha e cada plantinha por mais singela e pequena que ela seja e no fim o jardim fica grande e bonito. Tudo o que estudamos é para que na hora de tocar não se pense em nada disso. A música tem que acontecer de forma natural e espontânea, como numa conversa, acho que ninguém conversa pensando nas regras da língua portuguesa. Não é mesmo?

foto: Cyntia Santos
A formação de trio faz da execução algo muito intenso, exigindo forte dinâmica e interação entre os músicos. Como você pensa a ausência de um instrumento harmônico como o piano na base do grupo?
Essa pergunta, se você me permite, é um bocado contundente, e está calcada em alguns paradigmas que considero muito nocivos à arte e à música. Vou enumerar e desconstruir.
Não ter um instrumento de harmonia por trás está baseado em achar que a música é um colchão de acordes com uma melodia flutuando por cima. Isso é um dos maiores equívocos da maioria dos músicos que conheço. Se isso fosse uma verdade Mozart e outros tantos compositores não teriam composto tantas obras primas para quarteto de cordas, mas sim para quarteto de cordas e piano.
A harmonia não é uma sequência de acordes, a harmonia é estar em harmonia. Um saxofonista que conheça bem harmonia é capaz de tocar sozinho e descrever todo o caminho harmônico em sua melodia. Quando toco com o Bruno e com o Paulo estamos em harmonia, tudo o que tocamos tem que fazer sentido com o que o outro está fazendo. A guitarra é um instrumento que faz acordes tal qual o piano, mas não pode preencher tudo, tem que tocar junto e saber a hora de não tocar nada. Na improvisação dos colegas de qualquer instrumento, na hora de fazer um acorde tem que escutar antes e fazer o acorde depois, nunca ao contrário. e muitas vezes não tocar nada. O fato de ser intenso, em qualquer formação tem que ser assim, não só com um trio, tem que ter interação e dinâmica senão não é conversa, é palestra, é monólogo com os outros apenas dizendo amém. A música é uma linguagem. Ao contrário do que muitos pensam, piano não é obrigatório e pianistas não são os donos da harmonia. Tem que tocar e deixar os outros tocarem, ninguém gosta de participar de uma conversa quando um fala sozinho o tempo todo e não deixa os outros falarem, não é verdade?
Assim, tenho que discordar totalmente quando você questiona não ter instrumento de harmonia por trás - tem sim, e no caso tem 3 instrumentos de harmonia, por trás, pela frente, por cima, por baixo, pelos lados e na quinta dimensão.

Pode citar referências e/ou influências na sua formação e na sua música?
Essa coisa de enumerar influências é algo que rotula o músico de uma forma que não gosto. Procuro ser original, coisa muito difícil pois tudo o que nós escutamos fica dentro de nós, o que é natural, mas temos que ter nossa própria voz. Vou me limitar a dizer que quando eu era moleque adorava, e adoro até hoje, o AC/DC e me interessei por guitarra escutando o Angus Young tocar, então posso dizer que ele é minha principal influência, mas acho que essa música que faço com o Paulo e com o Bruno não tem nada a ver com isso.

Que equipamentos usou na gravação do disco?
Gravei o disco com minha Gibson 175, amplificador Markbass e efeitos Reverb e Delay muito de leve. Foi simples, nada demais, não só porque gosto do som assim, mas porque era mais prático.
Em  shows uso um pedal oitavador polifônico HOG2 da Eletro Harmonix; também usava uma Gibson 335 que foi roubada, mas hei de recuperá-la, seu número de série é 13341700.

Obrigado Eduardo Guedes, e sucesso.

"Insight" tem concepção e arranjos de Eduardo Guedes e produção musical de Dudu Viana.
O disco está nas plataformas digitais Spotify, iTunes e Deezer, e pode ser comprado pelo site da Tratore e diretamente pelo e-mail eduardoguedes.guitarra@gmail.com


www.eduardoguedes.net/

TRÊS NO SAMBA

07 abril, 2017
Idealizado por João Carlos Botezelli, um dos mais conceituados produtores musicais, também conhecido como "Pelão", o projeto Três no Samba reúne 12 composições de mestres como Nelson Cavaquinho, Cartola, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues e Martinho da Vila interpretados por um trio formado pelo piano de André Mehmari, a voz de Eliane Faria e o surdo de Gordinho do Surdo.

Botezelli lançou inúmeros sambistas nos anos 70 e produziu o primeiro de disco de Cartola em 74.
Assim que surgiu a ideia dessa homenagem procurou por Eliane Faria, sambista de coração, filha de Paulinho da Viola, que aceitou prontamente; e chamou em seguida o pianista André Mehmari, que também abraçou a proposta e questionou o produtor - "Eu, Eliane e quem mais?". Então apareceu o inusitado nome de Gordinho, um mestre no surdo, referência no samba.  

Eliane Faria, além de sua um carreira solo como cantora e intérprete, é integrante da ala de compositores da Portela e da escola de samba Paraíso do Tuiuti. Gordinho do Surdo, de nome Antenor Marques Filho, é uma referência no instrumento, iniciou a carreira nos anos 70 nas rodas de samba carioca e desde então gravou com praticamente todos os grandes nomes do samba. André Mehmari é incomparável, um pianista extraordinário, uma referência como solista da nossa música instrumental. Samba, piano e surdo, tão inusitado quanto ousado; e o resultado da união desses elementos não podia ser diferente, é um trabalho inédito e resgata uma rica história da nossa música.

"Três no Samba" foi gravado, mixado e masterizado por André Mehmari no Estúdio Monteverdi em agosto de 2016. Você pode adquirir o disco nas unidades do SESC e em sua livraria na internet.

Ouça Três no Samba no YouTube



Conheça "Ouro Sobre Azul", obra de André Mehmari sobre os 150 anos de Ernesto Nazareth -

Ouro Sobre Azul

PÉS DESCALÇOS

30 março, 2017
O guitarrista e compositor carioca Rogério Guimarães lança seu primeiro CD, Pés Descalços, com 11 composições de temas essencialmente brasileiros.
Nesse trabalho de estreia, traz um delicado e um cuidadoso trabalho melódico usando como direção para esse variado leque de ritmos uma formação de quarteto de jazz acompanhado pelo piano de Marco Tommaso, o contrabaixo de Ronaldo Diamante e a bateria de Gabriel Barbosa.

O repertório passeia pelo afoxé, xote, frevo, samba, bossa, salsa, bolero, ijexá e bebop, em arranjos que privilegiam e exploram a força contagiante desses estilos, fazendo da audição do disco uma experiência agradável, renovadora e empolgante da primeira até a última faixa.


Rogério Guimarães é guitarrista e violonista de formação jazzística e popular brasileira e se apresenta na cena musical carioca e nacional mostrando seu trabalho autoral, em formações de trios, quartetos e quintetos de jazz.
"Pés Descalços" foi gravado, mixado e masterizado por Ricardo Calafate, no Estúdio Umuarama, RJ.

Com a palavra, Rogério Guimarães -

O que inspirou o nome do disco?
Dar nome a uma música não é nada fácil pra mim. Às vezes, mais difícil que compor a música. Apesar disso, o nome dessa, que é a primeira faixa do disco, veio naturalmente. Achei que o significado do título, "Pés Descalços", reflete a alma desse trabalho, que é uma ideia de simplicidade, de beleza e alegria, como a prazerosa experiência de caminhar de pés descalços.

Como originou a formação do grupo que o acompanha?
No processo de composição das músicas, por se tratar de temas brasileiros na maior parte, visualizei desde o princípio que o fio condutor dessa variedade de ritmos seria a formação que se repetiria em todas as faixas. Optei por utilizar somente instrumentos acústicos, o que dá um sabor jazzístico ao trabalho. Tive a grande sorte de encontrar músicos muito eficientes, sensíveis ao que eu queria fazer e que acreditaram e me apoiaram nesse trabalho, como o Ronaldo Diamante no baixo acústico, Marco Tommaso no piano e o Gabriel Barbosa na bateria.

É desafiador fazer essa fusão do jazz com ritmos brasileiros?
Não posso dizer que encaro como um desafio, ou mesmo que chamaria de fusão desses estilos. Na verdade, trabalho sempre sob o princípio do prazer e da diversão. Uma das formas de compor que dá muito certo pra mim é gravar uma levada num instrumento de percussão, que pode ser qualquer coisa que esteja à mão, e improvisar melodias que aquela levada inspira até o momento em que está divertido. Quando começa a ficar trabalhoso eu deixo pra lá e volto depois. Como sempre uso ritmos que acho estimulantes e como amo o jazz, talvez por isso, essa "fusão" tenha acontecido naturalmente. Acho muito importante manter esse frescor em todos os aspectos da música. Sei que quando estamos estudando é preciso mais disciplina e insistir no aperfeiçoamento da execução, mas se deixarmos extrapolar o limite do prazer e transformarmos a prática numa luta, certamente essa tensão vai se refletir no som que você faz.


A audição musical sempre é importante. O que gosta de ouvir e que músicos influenciaram na sua formação?
Pra qualquer pessoa, ouvir música é uma experiência para além dos sentidos. Música não é nada além de ar em movimento e mesmo assim pode transformar tudo. A cultura, as crenças, a maneira de ver o mundo e a vida daquele que ouve. Pra quem trabalha com música, ouvi-la é também sedimentar uma linguagem dentro de si. Não há como ser um verdadeiro sambista se o samba não entrou no seu sangue pelos ouvidos e por todo seu corpo num processo que leva muitos anos. Se você quer dominar um estilo, tem que ouvi-lo por muito, muito tempo.
Eu gosto de ouvir tudo e em todo tipo de música encontro coisas que gosto. E que não gosto também. O desejo de ser músico foi inspirado inicialmente pelo rock. A guitarra sempre teve um encantamento sobre mim, e lembro até hoje da sensação que tive no dia em que vi uma pela primeira vez. Desde então, tudo que tinha guitarra me interessava. Os guitarristas que mais gostava eram Jimmy Page, Jeff Beck e Steve Howe e quando comecei a ouvir jazz os que mais me influenciaram foram o George Benson, Pat Metheny, Ricardo Silveira, Joe Pass, Joe Diorio, Kenny Burrel, e por aí vai.

Que equipamentos usou nessa sessão?
Levei um tempo até achar o som de guitarra que queria na gravação. Acho que foi o que mais deu trabalho em todo o processo... Experimentei várias coisas até chegar num equipamento simples, mas muito funcional. Uso uma guitarra Gibson ES 175 de 1956 ligada num amplificador Fender Deville valvulado, microfonado com um Newmann U89 e um Roland Cube 60 transistorizado, captado por um Newmann U87. Uso um pouco de reverb e delay de um Lexicon MPX1 ligado no looping de efeitos do Fender e o Roland sem nenhum efeito. Gosto de misturar o som de dois amplificadores de características diferentes e realçar as qualidades de cada um, como os graves encorpados do Fender e a definição dos agudos do Roland. Ao vivo, uso o mesmo equipamento, adicionando ocasionalmente um pedal de volume para ter mais controle sobre as dinâmicas.

Como adquirir o disco?
Tomei por conta própria a distribuição do disco e ele pode ser adquirido entrando em contato comigo pelo telefone (21) 99925-5305, pelo e-mail terrarogerio@hotmail.com ou pela minha página no facebook.

Obrigado Rogério Guimarães, e sucesso.



soundcloud

SAUDADE MARAVILHOSA

10 março, 2017
O compositor e arranjador Mario Adnet apresenta novo disco intitulado Saudade Maravilhosa, trazendo um repertório quase todo autoral - das 10 composições, 8 delas são originais, e ainda uma regravação de "Viver de Amor" (Toninho Horta e Ronaldo Bastos) e uma versão bem abrasileirada do clássico standard "Caravan" (Ellington). Ao seu lado estão Marcos Nimrichter no piano e rhodes, Jorge Helder no contrabaixo e Rafael Barata na bateria; com as participações muito especiais de Armando Marçal na percussão, Leonardo Amuedo e Ricardo Silveira nas guitarras, Eduardo Neves na flauta e sax, Aquiles Moraes no trompete, Cristiano Alves no clarinete, Everson Moraes no trombone e a voz de João Cavalcanti.


No repertório, a abertura com "Ancestral", tema de influência afro e cuja linha de contrabaixo, sequência de acordes e rítmica foram ouvidas em sonho por Adnet, um belo solo de Aquiles e a presença da percussão de Marçal; "Cecilia no parquinho" é um choro feito para sua neta, em destaque a flauta de Eduardo Neves e o clarinete de Cristiano Alves; o tema título, nome sugerido por Bernardo Vilhena. é uma descrição de um Rio que, hoje, só existe mesmo na saudade, aqui a participação da guitarra de Ricardo Silveira; "Flor do dia", com introdução no violão por Adnet, é dedicada às mulheres de sua família; "Azul da Tarde" é uma balada, como um blues, introduzido pelo piano de Nimrichter e novamente em destaque o clarinete de Cristiano Alves na condução da melodia; "Valsa do baque virado" traz letra e voz de João Cavalcanti; "Viver de Amor" foi composta em 1980 por Toninho Horta presente em dois discos - "Terra dos Pássaros" e "Durango Kid", além de versões de Milton e Luciana Souza, aqui com a guitarra de Leo Amuedo; "Chorojazz" é um regravação do próprio Adnet, original do disco "Para Gershwin e Jobim"; "Sambaqui", como o título sugere, é um samba também regravado por Adnet, aqui com outro nome, original do disco "Rio Carioca", e as duas guitarras de Silveira e Leo em um belo diálogo; fecha o disco a clássica "Caravan", aqui com uma roupagem muito particular em que Adnet dedica a Moacir Santos, a quem ele chama de Duke Ellington brasileiro.

Adnet, ao longo da sua carreira, sempre trabalhou o repertório de outros compositores como Jobim, Villa-Lobos e Baden, além de fundador da extraordinária Orquestra Ouro Negro, que celebra a música de Moacir Santos. Esses trabalhos o levaram por 4 vezes ao Grammy Latino - em 2006 com "Choros e Alegrias" com composições inéditas de Moacir Santos, produzido com o saxofonista Zé Nogueira; em 2013 com "Um Olhar sobre Villa-Lobos"; em 2015 com "Dorival Caymmi Centenário"; e em 2016 com "Jobim Jazz ao vivo". Como ele mesmo afirma, esses trabalhos permitem a ele ter um leque maior de opções, trabalhando de forma independente e não preocupado com sua própria arte, mas também com produção e arranjo.



"Saudade Maravilhosa" foi gravado no estúdio da Biscoito Fino nos meses de junho e julho de 2016.
A bela capa é uma obra em acrílico sobre tela de Guilherme Secchin de nome "Pedra Bonita Mario e Tom", e o disco traz um super encarte com detalhes de todas as composições e fotos de Daryan Dorneles e Gabriel Pinheiro.

Você pode adquirir o disco nas unidades do SESC e em sua livraria na internet.

COM ALMA, A BANDA MANTIQUEIRA

19 janeiro, 2017
Após 12 anos sem lançar novo disco, a Banda Mantiqueira, uma das nossas mais respeitadas big bands, está de volta com o disco Com Alma, comemorando 25 anos de estrada.
O saxofonista Nailor Proveta, um dos fundadores da banda, afirma que o grupo sentiu necessidade de ratificar no CD a história da banda, e afirma - "Trouxemos elementos que fizeram a Mantiqueira ser singular em sua pluralidade desde o início da sua criação, em 1990."
Sem dúvida, e a maior prova disso tudo é poder contar com a participações muito especiais como o violonista Romero Lubambo e o trompetista Wynton Marsalis.


O repertório traz 7 composições que passeiam por Pixinguinha em "Segura Ele"; Jobim em "Desafinado"; Moacir Santos em "Stanats", que o autor dedicou a Stan Getz; João Bosco em "De frente pro crime"; e Dizzy Gillespie com o clássico "Con Alma", que inspirou o nome ao disco. Ainda traz 2 composições da fase inicial do grupo - "Forrólins", uma homenagem a Sonny Rollins; e "Chorinho para Calazans", dedicada ao artista plástico pernambucano J.Calazans.

Apesar do longo período de recesso do grupo, os músicos jamais estiveram parados. Para quem sentiu falta de um novo registro do grupo, Proveta explica que vários de seus integrantes, assim como ele, dedicaram seu tempo ao ensino musical, buscando transmitir a linguagem da banda às novas gerações. Paralelamente, a big band participou de projetos com as cantoras Monica Salmazo, Rosa Passos, Fabiana Cozza e Anaí Rosa.

Para o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos, ao registrar esse trabalho, resultado do talento coletivo de um grupo excepcional de músicos, o Sesc enriquece seu catálogo e oferece ao público a oportunidade de ouvir a Banda Mantiqueira com o que faz de melhor - música sem amarras ou rótulos, ou melhor, a boa música.

A Banda Mantiqueira aqui está formada por -
Nailor Proveta: direção musical, arranjos, sax alto e clarineta
Ubaldo Versolato, Josué dos Santos, Cassio Ferreira: sax
Odésio Jericó, Nahor Gomes, Walmir Gil: trompete
Valdir Ferreira, François de Lima: trombone
Jarbas Barbosa: guitarra
Edson Alves: contrabaixo
Cleber Almeida, Fred Prince: percussão
Celso de Almeida: bateria

"Com Alma" é dedicado ao saudoso saxofonista Vinicius Dorin, que por 13 anos atuou como titular no naipe de saxofones do grupo com imenso talento e generosidade do seu espírito harmonioso e alegre.



Ouça Com Alma no YouTube

Você pode adquirir o disco nas unidades do SESC e em sua livraria na internet.

A CONEXÃO SOUL DA IGOR PRADO BAND

13 janeiro, 2017
A Igor Prado Band mais uma vez mostra excelência em seus trabalhos, dessa vez com o disco The Soul Connection ao lado do organista austríaco Raphael Wressnig
O disco já é destaque no cenário internacional e foi eleito o melhor na categoria soul-blues na premiação da Blues Junction dos lançamentos de 2016. Não podia ser diferente, quando você junta hammond e guitarra, ainda mais pelas mãos de dois extraordinários músicos, o resultado é puro veneno, e aqui com a força do blues, do soul e do R&B contagiando e entusiasmando os ouvidos daqueles que gostam de boa música.

"The Soul Connection" traz no repertório 13 composições, promovendo uma verdadeira conexão de estilos entre o blues, o swing jazz, o soul e o funk. Igor Prado assina 2 temas - "No-La-Fun-Ky" e 
"The Faceslap Swing Nr.05"; Wressnig assina "Turnip Greens"; as demais marcam por interpretações clássicas como em "Don’t Cry No More", "Turning Point", "Suffering with the Blues", "My Love is", "Trying to Live my Life Without You", eternizadas pelas vozes de Bobby Bland, Tyrone Davis e Otis Clay e aqui protagonizadas por Willie Walker, David Hudson e Leon Beal.

Além de Igor Prado na guitarra e Raphael Wressnig no hammod, o grupo traz Rodrigo Mantovani no baixo, Yuri Prado na bateria, Sidmar Vieira trompete e Sax Gordon no tenor, barítono e também nos arranjos de sopros. 
O disco foi gravado em duas sessões em fevereiro e novembro de 2015 no Rootsans Studios e no Prado Studios, ambos em São Paulo; e tem a produção de Igor Prado, Raphael Wressnig e Chico Blues.

"The Soul Connection" foi lançado na Europa em CD e LP pelo selo Pepper Cake Records; e por aqui pelo selo Chico Blues, e a grande novidade é que também foi lançado em LP no mercado nacional.


Com a palavra, Igor Prado -

Hammond e guitarra é uma combinação explosiva. Como você e Rafael Wressnig começaram tocando juntos?
Adoro essa formação, nos últimos anos quase todos os trabalho que eu toco tem guitarra e B3. Tudo o que envolveu os dois instrumentos me fascina desde Jimmy Mcgriff, Billy Preston, passando por Deep Purple a Soulive. Começamos a tocar junto numa tour na Europa juntamente com o Sax Gordon no renomado Festival Porretta Soul, na Itália abrimos uma das noites nesse festival que é bem calcado na galera "old school black" de Memphis, e foi uma mega honra conviver aqueles dias ao lado de Lattimore, Bobby Rush, David Hudson, Toni Green, etc. Foi dai que saiu a ideia do Hudson cantar no nosso disco também.

"Way Down South" chegou ao topo na execução das rádios e foi nomeado ao Blues Music Awards; agora "Soul Connection" ganha destaque novamente como melhor disco de soul-blues. Como surgiu a ideia do registro dessa sessão?
A gente já estava querendo gravar algo juntos, digo eu e o Raph; então no ano passado em uma tour com o Willie Walker entramos em estúdio dois dias e registramos o que seria um álbum mais de R&B em tributo ao Little Willie John, mas ao mesmo tempo começamos a escrever umas coisas mais funk instrumentais e gravamos também sem pretensão. Outro fato curioso é que estávamos em contato com a manager do Otis Clay para ele gravar um som do Willie John, mas nesse meio tempo o Clay faleceu, daí resolvemos colocar mais soul no álbum, registramos "Trying to Live My Life Without You", canção bem marcante dele, e decidimos fazer um álbum variado de soul, R&B e blues. O nome "The Soul Connection" às vezes confunde pois não é um disco somente de soul, mas tem bastante ali no contexto, o nome é mais uma brincadeira da nossa conexão de coisas que gostamos em comum e e também o fato de estarmos direto em aeroportos fazendo conexão em voos, além, também, por causa de ter gostos afinidades muito parecidas.
O approach do disco comercialmente dessa vez está totalmente voltado ao mercado Europeu, lançamos por um selo da Alemanha e aqui no Brasil pelo selo do Chico Blues, mas toda a media/marketing do álbum foi feito voltado para o mercado europeu. Nos EUA o álbum saiu somente importado sem nenhuma divulgação em massa igual o "Way Down South", mas estamos preparando um álbum novo da banda (Igor Prado Band) para ser lançado nos EUA, aguardem novidades.

Que equipamentos você usou nessa sessão?
Usei a velha Strato de guerra com dois z90s, pickups da harmonic design e uma Guild Starfire IV, bem parecida com aquela que o Buddy Guy usou no final dos 70. Aliás esse álbum foi 80% gravado com a Guild. De amps, usei um Super Reverb Reedição e o Fender Pro Jr ligado na caixa com 2x12' Weber California Speakers.
Gravamos ao vivo todos na mesma sala e usamos um Hammond B3 e Caixa Leslie.

O soul e R&B tem bastante presença em seus trabalhos; e você sempre tem ao seu lado vozes como Curtis Salgado, JJ Jackson, Tia Carrol, Annika Chambers, entre muitas outras. De que forma você define essa fronteira com o blues?
Ah sim, se você pegar o "Watch Me Move" de 2009 tem muito soul ali; até o primeiro álbum, o "Upsidedown" tem umas bonus track meio funk que não tinha nada a ver com o disco e eu já quis colocar na época em 2007. Sempre curtimos muito funk, R&B e soul music desde o começo, pra mim está tudo interligado não consigo mais separar blues do soul e do R&B.

Obrigado Igor Prado, e sucesso.

Você pode adquirir o disco "The Soul Connection" aqui.



Mais Igor Prado Band -

Way Down South Lowdown Boogie Igor Prado Band Donny Nichilo

MÚSICA NOVA

09 janeiro, 2017
Idealizado pelo maestro e compositor Gilberto Mendes, que faleceu em janeiro de 2016, o Festival Música Nova é um dos mais importantes eventos de música contemporânea e experimental da América Latina, realizado desde 1962 sob sua direção.
O CD duplo Festival Música Nova é o primeiro e único registro oficial desse evento e traz no repertório peças apresentadas pelo ensemble na edição de 2014 do festival na cidade de Ribeirão Preto, todas gravadas sob a regência do maestro americano Jack Fortner, amigo de Mendes de longa data. O repertório traz 13 composições escritas por 12 autores, e o jornalista Gil Nuno Vaz descreve no belo encarte do disco que se não chega a dar conta de toda a diversidade criativa que o festival vem mostrando há décadas, cumpre satisfatoriamente a função de representar esse espírito do evento idealizado por Gilberto Mendes.


A história desse registro deu-se quando Mendes procurou a direção regional do Sesc com a proposta de gravar um disco, o que foi uma iniciativa irrecusável, afinal é parte da missão do Sesc o compromisso com a história cultural do país. As gravações começaram e o primeiro registro começou a ganhar forma, mas, lamentavelmente, Gilberto Mendes faleceu, e esse trabalho tornou-se uma grande homenagem a ele, não só à sua música, mas ao ensino, companheirismo e generosidade para com muitos dos nossos compositores.

Um dos objetivos do Festival Música Nova é instigar o movimento por uma música revolucionária, nova, em oposição ao academismo dominante. Sua realização proporciona o desenvolvimento de uma história do segmento da vida musical brasileira, voltada para a criação de vanguarda, para o experimentalismo e a criação de novas linguagens e técnicas musicais.

O Ensemble Música Nova foi criado em 2003 por instrumentistas de formações distintas especificamente para a realização de concertos para o evento.
Para esse registro, com condução do maestro Jack Fortner, está formado por -
     Cassia Carrascoza e Sarah Hornsby, flauta;
     Daniel Oliveira e Luis Anotinio Montanha, clarinete;
     Samuel Pompeo, alto sax;
     Flavio Gabriel, trompete;
     Caroline de Comi, soprano sax;
     Ana de Oliveira, Martin Tuksa e Nikolay Iliev, violino;
     Eric Licciardi, viola;
     Adriana Holtz, Charles Brooks, Meryelle Maciente e Renato de Sá, violoncelo;
     Rubens de Donno, contrabaixo;
     Daniel Murray, guitarra;
     Beatriz Alesso e Karin Fernandes, piano;
     Heri Brandino e Karin Fernandes, percussão.
   

Você pode adquirir o disco  nas unidades do SESC e em sua livraria na internet.