GUITARRA PREPARADA

16 setembro, 2018
Os guitarristas Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius inovam com o lançamento do mais recente trabalho intitulado Guitarra Preparada. Este registro foi inspirado na obra do pianista John Cage que, no final dos anos 30, aplicou a técnica de preparação inserindo outros elementos físicos sobre o instrumento a fim de dar uma sonoridade percussiva, na época ao piano.

Aplicar este conceito na guitarra torna este trabalho inédito, e não se faz necessário rotular como música experimental ou jazz avant-garde, é a música pela música, resultado de experiências sonoras que se materializaram em estúdio. Essa ideia surgiu de uma iniciativa do Ivan Barasnevicius quando trabalhava em uma música de um trabalho específico, e Rodrigo Chenta logo comprou o projeto e o duo colocou em prática, cuja iniciativa rendeu diversas sessões em estúdio entre preparação, ensaios e execução que registraram cerca de 40 gravações.

Importante esclarecer o conceito das técnicas de guitarra estendida e guitarra preparada, ambas geram diferentes timbres e sonoridades. Primeiramente, a guitarra estendida não faz uso de uma preparação física no instrumento, como exemplo podemos batucar sobre as cordas, usar moeda em vez da palheta ou mesmo usar um arco musical.
Neste trabaho de guitarra preparada, fez-se uso de objetos como resistência de chuveiro, espátula, bottleneck, clips, sacolas, pregador de roupa, entre outras peças; tudo que estivesse em mãos e que produzisse um som diferenciado. Aqui não é a nota que protagoniza, é o timbre.

Para o título dos temas, "Proposta de Improvisação", foi seguida uma ordem numérica catalogada conforme a execução; e já existe planos para um segundo volume desta série, que tem como premissa não usar os mesmos objetos para preparação usados neste trabalho. Conforme esclarecido por Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius, esta não é uma obra de improvisação livre, é música espontânea que também faz uso da improvisação idiomática.

O disco foi gravado ao vivo, sem overdubs, no estúdio Da Pá Virada.
Rodrigo Chenta usou guitarras acústica e sólida, e em algumas vozes fez uso de pedal Octave analógico; Ivan Barasnevicius usou guitarras acústica e semi-acústica.

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DANIELA SPIELMANN COMEMORA 20 ANOS DE CARREIRA COM O DISCO "AFINIDADES"

17 agosto, 2018
Com 20 anos de carreira, a saxofonista Daniela Spielmann comemora esse marco com novo disco, totalmente autoral - Afinidades.

Gravado com o seu quarteto base formado por Xande Figueiredo na bateria, Domingos Teixeira no violão e Rodrigo Villa no contrabaixo, o novo disco ganhou diversas participações especiais - Sheila Zagury no piano, Anat Cohen no clarinete, Silvério Pontes no trompete e flugelhorn, Alexandre Romanazzi na flauta, Dudu Maia no bandolim, Idriss Boudrioua no sax alto, Beto Cazes na percussão, Nando Duarte no violão de 7, além de uma seção de cordas  Dhyan Toffolo na viola, Matheus Ceccato no violoncelono e Oswaldo Carvalho, Rogério Rosa, Glauco Fernandes, William Doyle nos violinos.

Daniela compôs, arranjou e produziu um repertório com composições inspiradas em situações e afetos que vivenciou. Estudiosa da música brasileira, musicalmente, o novo disco abraça diversos gêneros brasileiros e hibridações como maracatu, samba-choro de gafieira, afoxé, baião, samba-latino e bossa-nova, um reflexo também da pluralidade musical do quarteto. Fortemente marcado pela brasilidade, seja pelo repertório ou pela maneira de tocar, a música do disco se inspira na premissa jazzística de criação coletiva, ao vivo, primando por sutilezas de comunicação que só o tempo e o conhecimento profundo da alma musical permitem.

Na época do lançamento do seu primeiro disco solo em 2002, "Brazilian Breath" (Rob Digital), Daniela já afirmava que a música é a maior fonte de expressão dos seus sentimentos, do seu amor pela vida e pelas pessoas; e reafirma isso agora com o lançamento de "Afinidades". Diz ela -
A afinidade ocorre quando há encontros verdadeiros, quando a gente se sintoniza com ideias, gostos e sentimentos de outra pessoa. Todas as músicas do disco são dedicadas a pessoas e situações onde a afinidade aconteceu.

O disco traz ainda faixas para estudo musical, sem os solos, e partituras em PDF para vários instrumentos.

"Afinidades" tem produção de Daniela Spielmann e é um lançamento independente.
Divulgação e assessoria de imprensa por Cezanne Comunicação.

LIVING BLUES AWARDS 2018

03 agosto, 2018


Divulgada a premiação da vigésima quinta edição do Living Blues Awards, revista especializada no estilo fundada em Chicago em 1970.

Como sempre, são duas frentes de votação, uma pela crítica especializada e outra aberta aos leitores da revista.
Em destaque, Taj Mahal, liderando a preferência em ambas as frentes não só como artista mas também como disco do ano, além de ter liderado a preferência em duas outras grandes votações em meios de grande expressão - Downbeat e Blues Music Awards. Na votação dos leitores, a unanimidade pelo nome de Buddy Guy.

Confira os premiados desta edição -

Critics’ Poll
Artist of the Year (Male): Taj Mahal
Artist of the Year (Female): Mavis Staples
Singer: Wee Willie Walker
Guitar: John Primer
Harmonica: Omar Coleman
Keyboard: Henry Gray
Bass: Benny Turner
Drums: Cedric Burnside
Horns: James "Boogaloo" Bolden
Other: Jerron "Blind Boy" Paxton, Banjo
Best Live Performer: Bobby Rush
Comeback Artist of the Year: Don Bryant
Artist Deserving More Attention: Jontavious Willis

Best Blues Albums of 2017
Album of the Year: Taj Mahal & Keb'Mo, TajMo (Concord Records)
Contemporary Blues: Mr. Sipp, Knock a Hole in It (Malaco Records)
Southern Soul: Don Bryant, Don’t Give Up on Love (Fat Possum Records)
Best Debut: Jontavious Willis, Blue Metamorphosis (no Label)
Traditional & Acoustic: Rhiannon Giddens, Freedom Highway (Nonesuch Records)
Historical Pre-war: Blue 88s: Unreleased Piano Blues Gems 1938–1942 (Hi Horse Records)
Historical Postwar: Jimmy Reed, Mr. Luck: The Complete Vee-Jay Singles (Craft Recordings)
DVD of the Year: I am the Blues, directed by Daniel Cross (Film Movement) 
Book of the Year: The Original Blues: The Emergence of the Blues in African American Vaudeville -
         by Lynn Abbott and Doug Seroff (University Press of Mississippi)
Producer of the Year (New Recording): Scott Bomar and Bruce Watson -
        Don’t Give Up on Love, Don Bryant (Fat Possum Records)
Producer of the Year (Historical Recording): Robin Cohn and Larry Cohn -
        Blue 88s: Unreleased Piano Blues Gems 1938–1942 (Hi Horse Records)

Readers’ Poll
Artist of the Year (Male): Buddy Guy
Artist of the Year (Female): Samantha Fish
Guitar: Buddy Guy
Harmonica: Charlie Musselwhite
Keyboard: Marcia Ball
Best Live Performer: Buddy Guy
Blues Singer: Buddy Guy
Blues Album of 2017 (New Release): Taj Mahal & Keb' Mo, TajMo (Concord Records)
Blues Album of 2017 (Historical Recording): John Lee Hooker, King of the Boogie (Craft Recordings)
Blues DVD of 2017: The Nighthawks, Nighthawks on the Blue Highway -
         directed by Michael Streissguth (EllerSoul Records)
Blues Book of 2017: Beyond the Crossroads: The Devil and the Blues Tradition -
         by Adam Gussow (University of North Carolina Press)

livingblues.com/

Durma com esse barulho -
REVELATION: CYRUS CHESTNUT

30 julho, 2018
Pianista extraordinário, Cyrus Chestnut foi um dos young lions sob a liderança do trompetista Wynton Marsalis nos anos 80. Com destreza absoluta na linguagem do jazz, é um dos meus pianistas preferidos.
Aqui uma sessão gravada ao vivo, sem edições, nos dias 7 e 8 de junho de 1993 no Clinton Studios, NY, Cyrus ao piano ao lado do contrabaixista Christopher Thomas e do baterista Clarence Penn.
Este disco preza pela qualidade de gravação, em sistema analógico, com engenharia de som de Jim Anderson.

ALFREDO DIAS GOMES RESGATA REGISTRO INÉDITO CHEIO DE GROOVE

26 julho, 2018
Um registro inédito até hoje.
O baterista Alfredo Dias Gomes resgata uma sessão gravada no ano 2000 na formação de power trio ao lado do guitarrista Norman Sharp e do baixista Igor Araújo.
Este trabalho ficou arquivado por muito tempo pois na época da gravação precisava prensar na fábrica pelo menos 1000 cópias e ter uma distribuidora para colocar os CDs nas lojas. Pela dificuldade com a distribuição, o mesmo não foi prensado. Foi passando o tempo e Alfredo Dias Gomes realizou outros trabalhos, mudou equipamentos, tecnologia, e o disco acabou não lançado.
Na época, a ideia de gravar o disco veio de uma música do guitarrista Norman Sharp que um aluno apresentou para Alfredo, que gostou muito da onda e então resolveu gravar "Norman’s Funk", que abre o disco. Empolgados, decidiram gravar o disco e toda a base foi feita ao vivo no estúdio, com alguns playbacks de melodias de guitarras e teclados, estes feitos por Alfredo Dias Gomes.

Pensando que tinha perdido as sessões de gravação do disco, o sobrinho de Alfredo, Arthur, lhe mandou uma música em que estava tocando baixo em cima de uma base feita, e, para sua surpresa, era sua própria música “Ecos”, gravada só com teclados quando fez a composição. Diz ele - "Levei um susto, a música era legal e lembrei da gravação com a banda, tinha que recuperar isso." A partir daí fez uma busca em mídias arquivadas e diversos backups antigos até reencontrar o disco. No atual mundo do streaming e download, Alfredo remixou o disco, mandou masterizar online nos EUA e, agora pronto, disponibiliza para distribuição nas plataformas digitais..
O repertório traz uma pegada bem funkeada, é um power trio cheio de groove, e esse momento musical era a onda que Alfredo estava na época. Igor tinha tocado com o Tim Maia e Norman era um guitarrista com muito swing, e com ambos formou a banda perfeita para o disco que queria gravar. Na época tinha algumas músicas inéditas, foram feitos arranjos para algumas que já tinha gravado em outros discos e foi fechado o repertório. 
O tema “Renata”, autoral, foi dedicada à sua filha e gravada em seu primeiro dico solo (1991), esta que foi muito tocada na época na Globo FM e tem aqui um arranjo bem intimista. “Ladeira da Fonte”, originalmente em ritmo de afoxé no disco Atmosfera (1996), ganhou uma versão rock-instrumental. "Starlight” foi composta na mesma época da música "Ecos" e se apresenta como um pop-rock instrumental, de melodia com muito feeling. O super groove “Copa 79” é uma composição do baixista Igor Araújo, com destaque para seu solo. O funk-rock “Camaleão” foi mais tarde gravada no disco Corona Borealis (2010), mas com arranjo mais jazzístico. “Existe um Lugar” foi uma homenagem a uma casa de shows dos anos 80 de mesmo nome localizada no Alto da Boa Vista, lá onde Alfredo montou sua primeira banda instrumental, e este tema também foi gravado no primeiro disco solo do baterista e aqui ganhou uma versão jazz-rock, com destaque para o solo de bateria.

Para Alfredo, foi uma felicidade ouvir esse disco depois de 18 anos e descobrir que o mesmo continua muito legal.
18 anos depois, Norman Sharp está morando em São Paulo fazendo trilhas para documentários e compondo para um disco solo; Igor Araújo fundou o grupo Banda Du Rio e atua como baixista e diretor musical.

Você pode adquirir o disco "ECOS" na CD Baby e iTunes, e ouví-lo na plataforma digital Spotify.

 

Durma com esse barulho -
SOUL BATTLE: OLIVER NELSON

24 julho, 2018
Uma sessão eletrizante com três tenores extraordinários - Oliver Nelson, King Curtis e Jimmy Forrest, acompanhados pelo pianista Gene Casey, o contrabaixista George Duvivier e o baterista Roy Haynes.
Oliver Nelson assina 4 das 6 composições - "Blues At The Five Spot", "Blues for M.F. (Mort Fega)", "Anacruzes" e "In Passing"; Jimmy Forrest assina "Soul Street"; e o sexteto interpreta o clássico "Perdido" eternizado originalmente por Duke  Ellington.
Gravado em 9 de fevereiro de 1960 no Van Gelder Studio com engenharia de som do próprio Rudy Van Gelder. Lançado pela gravadora Prestige.

 

A NOVA ONDA DO GUITARRISTA IGOR PRADO

07 julho, 2018
Nossa maior referência do blues, o guitarrista Igor Prado tem um novo projeto com o grupo JustGroove, cuja proposta é fazer um blend de blues, soul e funk americano com beat e swing afro-brasileiro.
Ao seu lado estão grandes músicos da cena black & gospel nacional - o baixista Rael Lúcio, o guitarrista Jesiel Oliveira e o baterista André Azevedo. O projeto se iniciou em fevereiro deste ano com alguns shows que resultaram no EP Fu#ky U All e o grupo já tem uma tour de lançamento no Brasil e uma internacional para o ano de 2019. O repertório faz, num estilo muito próprio, novas leituras de D'Angelo, Justin Timberlake, The Meters, cruza Tim Maia e Jorge Ben, e mergulha em Johnny 'Guitar' Watson e BB King.
O resultado chamou atenção do mercado dos EUA, e já tem convite de um produtor musical de renome da terra do Tio Sam para um novo disco que será gravado no final deste ano, provavelmente uma continuação do laboratório do "Fu#ky U All".

No repertório do EP -
"Tell me whats on your mind" é uma versão em cima da música da banda de New Orleans "The Meters", em um beat diferente em que o backbeat funk se encontra com um quase partido alto envolvido por três guitarras rítmicas hipnotizantes e um slap bass bem ao estilo 70's funk.
"Your gonna have a murder on your hands" é uma composição do bluesman Little Milton em uma versão mais contemporânea misturando influências do west side blues, Buddy Guy, Jimmy Dawkins e até mesmo do Phil Guy, falecido irmão mais novo de Buddy Guy, este que ensinou muita coisa a Igor Prado em tours na sua adolescência. Na parte vocal, a forte influência de Al Green, Little Richard e Michael Jackson.

Em projetos paralelos, Igor Prado irá produzir o novo disco do cantor e compositor californiano Earl Thomas, este que tem colaborações fantásticas com artistas de renome como Etta James, Joe Cocker e Solomon Burke.
Tem mais - o projeto "James Brown Legacy" ganha forma e a guitarra funk e rítmica vem como protagonista em um universo que figuram nomes como Jimmy Nolen, Hearlon Martin, Al McKay e Jerome Smith.

Com a palavra, Igor Prado -

Depois de muitos trabalhos com artistas americanos, "JustGroove" vem com uma nova proposta. Fale sobre este projeto e o novo grupo que te acompanha.
Sim, é uma nova fase que estou curtindo demais. Começou assim - um amigo em comum já tinha me falado do Jesiel Oliveira, que é um monstro do funk-gospel, o cara já é uma referencia; e o Rael Lúcio, também experiente baixista e produtor musical dessa cena black e do gospel e que já tinha feito uns trabalhos pra mim acompanhando o trompetista americano Boney Fields. No final do ano falei com ambos, descobri que os caras praticamente cresceram juntos na mesma igreja e decidimos começar esse novo projeto, que é uma mistura de tudo o que a gente gosta. O Jesiel indicou o jovem André Azevedo, que tem uma pegada violenta de black-groove do gospel e também se conhecem e tocam há muito tempo. Os três tocam com uma galera da pesada, somente para citar alguns artistas como Seu Jorge, Mano Brown, Thalles Roberto e Banda Black Rio.
A conexão que esses caras tem tocando - Jesiel, Rael e André Azevedo - é absurda, eles tocam black music funk, soul e gospel desde criança na igreja e todos vem de um legado de músicos muito da pesada. O tio do Rael é o baixista Ted Furtado, que foi da banda Kadoshi, precursor e lenda viva nessa onda de black funk-slap no Brasil.

Por quê apostar nessa mistura de blues, funk e elementos de música brasileira?
A idéia dessa nova fase é misturar e mesclar tudo o que eu ouvi desde pequeno no rádio e em casa nessa onda blues, funk, rock, swing brasileiro e tudo mais. Ao mesmo tempo que eu ouvia Living Colour, Nirvana e Red Hot Chili Peppers no rádio, eu estava estudando Muddy Waters e Willie Johnson e rolava Jorge Ben, Choro e Partido Alto nas festas da minha família. Acho que essa vibe é a ideia central desse novo trabalho.
Na minha humilde opinião soa mais verdadeiro, soa mais “eu” mesmo. Não existe mais a preocupação de soar blues dos 40 ou 50 e nem de soar “blues” muitas vezes; mas é difícil porque toda minha base musical é calcada no blues, então tá rolando uma coisa muito interessantes nesse trabalho. Estou muito feliz.

Sobre equipamentos, o que mudou no seu setup para essa fase mais funky?
Nudou bastante, começando pelas guitarras - estou usando basicamente a velha Fender Strato (aquela com os 2 captadore Z90 da Harmonic Design) e a nova Telecaster que leva meu nome, uma Custom Shop do luthier Paulo Chiara aqui de Sampa - é uma Tele semi sólida com 3 captadores P90 que tem defasagem para fora de fase nas posições do meio. A sonoridade para esse trabalho mais funk é bem mais aguda e bem menos média do que os trabalhos de blues tradicional. Ambas agora com cordas Dean Markley, Blue Steel 0.10, que sou endorser desde o ano passado.
Sobre os amps adicionei um Peavey Pace dos anos 80 transistorizado, e é isso mesmo - transistor! É engraçado como a resposta do transistor, que é mais rápida do que a dos valvulados, faz mais sentido para coisas altamente rítmicas tipo funk. É por isso que a maioria dos guitarrista de funk, soul, gospel americano usam amps transistors. Pouca gente sabe, mas o BB King estava usando transistor nos últimos 20 anos da carreira, aquele LAB Series que o George Benson tb usa. Mas também continuo usando direto o meu Marshall Bluesbreaker Clone com falantes Weber Ferromax. Outro amp que a galera do blues odeia e o pessoal do funk ama é o Roland Jazz Chorus, que o Jesiel usa e eu adoro também para ao vivo.
Sobre os pedais, estou igual a uma criança pois sempre usei praticamente amp valvulado, cabo e reverb de mola outboard, e agora tenho a liberdade de usar o que eu quiser no som, na minha pedaleira que foi customizada pelo André Chiara da Chiara Guitar Parts. Tem uma fonte Voodoo Labs e um buffer Emerson Concord, sugestão do mestre Marcos Ottaviano que me ajudou muito nesse lance dos pedais também. A ordem é: Afinador Polytune da TC Eletronics + 01 Fuzz-Octave Experience Perscription Eletronics + 01 Octave Boss OC-2 + 01 Mellow Yellow Tremolo da Mad Professor + 01 RT-20 aquela Leslie da Boss + 01 RV-5 Digital Reverb + 01 Equalizer GE-7 da Boss. De vez em quando eu uso um auto-wah que tá com o Jesiel, aquele Ibanez antigo dos 80’s. Estou reaprendendo a usar todo esses efeitos, as dinâmicas, etc.
Mas tem uma curiosidade mesmo com tudo isso - nas gravações do EP foi usado muito a guitarra ligada direto em linha, toda a base rítmica com eu e o Jesiel tocando em Pan aberto. São 2 guitarras em linha! Como o Nile Rodgers já falou faz tempo - "não tem nada mais FUNKY do que uma guitarra elétrica em linha".

Falando de outros projetos, você está produzindo o disco do vocalista Earl Thomas e tem o "James Brown Legacy" com o baterista Sorry Drummer. Qual o momento destes projetos e o que podemos esperar?
É verdade! Estou compondo e escrevendo muita coisa, aprendi muito sobre composição com o cantor-compositor Earl Thomas na nossa última tour no Brasil e ele, pra mim, é o maior compositor vivo dentro do circuito, não à toa que Etta James, Joe Cocker, Tom Jones e Solomon Burke gravaram muita coisa dele. Inclusive estou produzindo o próximo disco dele e muito feliz e honrado com o convite. Ele acredita muito nesse blend de blues e funk americano com o swing brasileiro.
O projeto "James Brown Legacy" me trouxe, além da experiência uma amizade muito legal com a galera do hip-hop, e o Sorry Drummer, lendário batera da cena. Os DJ's Luciano Rocha e o Erick Jay me inspiraram muito nesses últimos meses, respeito e gosto muito dessa nova geração do rap e hip-hop brasileiro.
Quero mergulhar ainda mais nesse lance do James Brown pois toda a base do funk está ali naquelas guitarras e quero trazer essa vibe do rap/hip-hop cada vez mais pro meu trabalho solo também.
Enfim, vem mais novidades por ai!

Obrigado Igor Prado, e sucesso.




www.igorpradoband.com

Mais Igor Prado -

Soul Connection Way Down South Lowdown Boogie Igor Prado Band Donny Nichilo

DOWNBEAT CRITICS POLL 2018

28 junho, 2018
O destaque da edição 66 da premiação Downbeat Critics Poll fica para os artistas em ascensão, mostrando a linguagem do jazz sempre se renovando.

Assim destaco a pianista Kris Davis e a saxofonista Ingrid Laubrock, expoentes do movimento da improvisação livre, do "free jazz"; a cellista Tomeka Reid; a cantora Jazzmeia Horn; e os nem tão em ascensão, para mim já bem maduros, os guitarristas Julian Lage e Jakob Bro, e o contrabaixista Thomas Morgan.
Da votação tradicional, a importância da inclusão do saxofonista Benny Golson e da pianista Marian McPartland no Hall of Fame, pela longa carreira e pela imensa contribuição ao universo do jazz, por décadas; ambos estão na histórica foto de Art Kane "A Great Day In Harlem".

Ainda em destaque, um histórico registro em disco de Miles Davis, mais uma edição da série 'Bootleg', a sexta, agora com Coltrane intitulada "The Final Tour", em 4 discos gravados da última turnê de Coltrane como sideman em Paris em 1960.
O pianista Vijay Iyer ganhou novamente o título como músico de jazz, já havia levado o prêmio nos anos de 2016, 2015 e 2014; a voz de Cécile McLorin Salvant, agora com o disco "Dreams And Daggers"; o trompetista Ambrose Akinmusire, merecido pelo seu último disco ao vivo no Village Vanguard "A Rift in Decorum"; e, em memória, o piano de Geri Allen, que faleceu em junho do ano passado.

A lista completa estará publicada na edição de agosto da revista.

Confira os premiados -

Hall of Fame: Benny Golson and Marian McPartland
Jazz Artist: Vijay Iyer
Jazz Group: Vijay Iyer Sextet
Jazz Album: Cécile McLorin Salvant, Dreams And Daggers (Mack Avenue)
Historical Album: Miles Davis & John Coltrane, The Final Tour: The Bootleg Series, Vol. 6 (Columbia/Legacy)
Big Band: Maria Schneider Orchestra
Trumpet: Ambrose Akinmusire
Trombone: Wycliffe Gordon
Soprano Saxophone: Jane Ira Bloom
Alto Saxophone: Rudresh Mahanthappa
Tenor Saxophone: Charles Lloyd
Baritone Saxophone: Gary Smulyan
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Nicole Mitchell
Piano: Geri Allen (1957–2017)
Keyboard: Robert Glasper
Organ: Dr. Lonnie Smith
Guitar: Mary Halvorson
Bass: Christian McBride
Electric Bass: Steve Swallow
Violin: Regina Carter
Drums: Jack DeJohnette
Percussion: Hamid Drake
Vibraphone: Stefon Harris
Miscellaneous Instrument: Akua Dixon (cello)
Female Vocalist: Cécile McLorin Salvant
Male Vocalist: Kurt Elling
Composer: Muhal Richard Abrams (1930–2017)
Arranger: Maria Schneider
Record Label: ECM
Producer: Manfred Eicher
Blues Artist or Group: Bettye LaVette
Blues Album: Taj Mahal & Keb’ Mo’, TajMo (Concord)
Beyond Artist or Group: Kendrick Lamar
Beyond Album: Kendrick Lamar, Damn. (Interscope/Top Dawg Entertainment)

Artistas em ascensão -

Jazz Artist: Kris Davis and Julian Lage
Jazz Group: Nicole Mitchell’s Black Earth Ensemble
Big Band: John Beasley’s MONK’estra
Trumpet: Amir ElSaffar
Trombone: Jacob Garchik
Soprano Saxophone: Jimmy Greene
Alto Saxophone: Caroline Davis
Tenor Saxophone: Ingrid Laubrock
Baritone Saxophone: Alex Harding
Clarinet: Matana Roberts
Flute: Rhonda Larson
Piano: Orrin Evans
Keyboard: Elio Villafranca
Organ: Roberta Piket
Guitar: Jakob Bro
Bass: Thomas Morgan
Electric Bass: Mimi Jones
Violin: Scott Tixier
Drums: Johnathan Blake
Percussion: Satoshi Takeishi
Vibraphone: Behn Gillece
Miscellaneous Instrument: Tomeka Reid (cello)
Female Vocalist: Jazzmeia Horn
Male Vocalist: Jamison Ross
Composer: Tyshawn Sorey
Arranger: Amir ElSaffar
Producer: Flying Lotus

www.downbeat.com

COLEÇÃO DE VINIL

26 junho, 2018
Coleção de Vinil é o disco de estreia do guitarrista e violonista Marcelo Pfeil. O título representa o trabalho no sentido da variedade de estilos e diversas influências que o artista carrega em sua música - o jazz, o samba, a bossa nova, o soul, o baião, o shuffle, o erudito e o choro.

Marcelo Pfeil é formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Uni Rio) e pós-graduado em Orientação Educacional e Pedagógica pela Universidade Cândido Mendes (UCAM) cuja dissertação desenvolveu o tema “Oportunizando, nas aulas de Música, o aprendizado de violão para os alunos das escolas regulares do Ensino Fundamental”. Complementou sua formação com uma temporada de dois semestres no Conservatório de Música de Kreuzberg em Berlim, formou-se em Harmonia e Improvisação pelo Centro Ian Guest de Aperfeiçoamento Musical, onde teve aulas com o próprio Ian Guest, estudou violão com Luiz Otávio Braga, Maria Haro e Maurício Carrilho e cavaquinho com Jayme Vignolli e Luciana Rabello.


O que o motivou a batizar a obra com este título foi promover uma reflexão sobre a relação que ele tinha com a música, sem tantos apelos externos, como afirma no texto do encarte do disco. Diz ele -
Naquelas tardes em meu quarto, não dispunha de toda a informação do mundo. Nada brotava na tela em décimos de segundo. Amigo virtual eu desconhecia, amizade instantânea me fugiria à compreensão. O que seria isso, isolamento, timidez? Talvez. Naquelas lentas tardes, em minha pequenez maravilhava-me um mero encarte. 
Havia cumplicidade e escassez rica em possibilidades. E contemplava intenções com escuta atenta à agulha que tecia o detalhe”.

Marcelo Pfeil tem ao seu lado Alex Rocha no baixo; Lúcio Vieira na bateria; Marcelo Martins e Zé Canuto nos sopros; Vander Nascimento no flugelhorn; Vanessa Rodrigues nos teclados; Naife Simoes na percussão; e Mac Willian Caetano no djembê e efeitos.
O repertório é autoral e traz 9 composições explorando uma diversidade musical bem brasileira. O disco abre com "Trapézio" em uma atmosfera muito particular e um belo desenho melódico com Zé Canuto ao soprano; "Olha o Rapa!" chega cheia de balanço e conta com o sax de Marcelo Martins, que também  aparece no groove de "Zona Leste"; "Andar da Carruagem" dá um ar sessentão ao som do orgão nos teclados de Vanessa Rodrigues.
Tem um choro para Pixinguinha em "23 de abril"; uma mistura de raizes em "No calor da hora; traz um jazz tradicional na formação de trio em "Montmartre"; faz uma balada-bossa em "Ateliê", aqui com o flugelhorn de Vander Nascimento; e um espaço para o belíssimo tema em violão solo em "Onde mil lagos havia".



"Coleção de Vinil" foi gravado no Studio Master 112 em um processo bem acústico explorando os microfones, e na mixagem poucos plug-ins aproveitando a acústica do estúdio. Dos instrumentos, Marcelo Pfeil usou uma Ibanez Artcore com captadores Gibson Classic 57 em linha ligada no amp Fender; um violão Ovation Celebrity e um cavaquinho do luthier Carlinhos, ambos microfonados; além de, eventualmente, usar instrumentos do estúdio - uma Strato Fender e uma 335 Gibson.
A direção artística do disco é de Marcelo Pfeil, mixagem e gravação de Marcelo Frisieiro e masterização de Toney Fontes. Desenhos de capa de Hildete Vodopives e projeto gráfico de Marcia Lisboa.

Você encontra o disco nas plataformas digitais iTunes, Spotify, Deezer e pode adquirir o CD físico nos shows e na página pessoal do artista no Facebook.

SIMPLICIDADE

11 junho, 2018
O duo de guitarras formado por Rodrigo Chenta e Ivan Barasnevicius apresenta o quarto trabalho - Simplicidade, em que traz um repertório autoral com 6 composições, destacando três suítes - "Suíte das Orquídeas" com 4 movimentos, "Suíte 4" e "Suite da Bailarina" com três movimentos cada. Com muitas experimentações, o duo faz uso de afinações alternativas, o que torna o trabalho do guitarrista bastante desafiador pois desconstrói as formas de acordes e digitação dos improvisos como se está acostumado usando a afinação padrão.
O título do disco foi uma forma de representar o conceito deste trabalho. Apesar da complexidade harmônica que se apresenta em alguns temas, o duo quis trazer simplicidade na execução comparado aos últimos trabalhos, além do processo de gravação no estúdio. Isso também se reflete na arte da capa do disco, um fundo branco com algumas linhas vermelhas.

É como se diz por aí - a simplicidade é a máxima sofisticação, e aqui não foi diferente.

O disco abre com "India", resultado de uma imersão que Ivan fez sobre a música deste país e a sua diferente riqueza de timbres e instrumentos, um mergulho em um universo cheio de modalismos. Interessante perceber a instrumentação do tema com afinação DADG#AD, cuja sonoridade fica bem explicita na introdução dando uma atmosfera bem folk, depois ganhando dinâmicas variadas com riffs, harmônicos e aqui Chenta conduzindo o improviso. "Latin do Cachorro" faz um trocadilho com o latin jazz explorando a rítmica percussiva nas guitarras, cadenciam um forrózinho e desenvolvem nossa linguagem instrumental com aquela alternância de baixos fazendo base para os improvisos, aqui destaca-se o solo de Ivan.
"Suite das Orquídeas" descreve o gosto de Ivan pelas flores, pelas plantas, e foi uma forma de transpor esse sentimento em uma pluralidade de formas musicais. Novamente a afinação fora do padrão, DGDGBD, e a melodia tem um tratamento diferenciado em cada movimento. O primeiro e terceiro movimentos se desenvolvem com um intenso riff , com Chenta e Ivan dialogando vozes em acorde e melodia; o segundo e quarto movimentos repousam em uma atmosfera mais densa, um ar um tanto progressivo, desenvolvidos com serenidade e delicadeza pela guitarra de Ivan. "Alegria" é o sentimento de Chenta em um momento de aquisição de um novo violão quando fez o registro da melodia que lhe veio à mente; traz uma roupagem mais funkeada, aqui Ivan faz o primeiro improviso e Chenta o segundo. "Suite 4" também é uma composição de Chenta, cujo título refere-se a sua quarta suite criada. Aqui percebe-se forte influência mineira com uma roupagem bem contemporânea, muito evidente no primeiro e segundo movimentos, destacando os improvisos de Ivan e Chenta respectivamente. "Suite da Bailarina" fecha o disco em três movimentos - Dança do Amanhecer, Dança das Águas e Dança do Entardecer, inspiração de Ivan para sua filha Pietra composta na Serra do Cafezal, lugar que, inclusive, inspirou tema homônimo gravado no disco "Novos Caminhos". Novamente o uso de afinação alternativa, DGDGBD, dando uma atmosfera bastante peculiar em todos os movimentos. Chenta improvisa nos primeiro e terceiro movimento, Ivan no segundo.

"Simplicidade" foi gravado ao vivo no Estúdio Baeta por Thiago Lima Diatroptoff em janeiro de 2018, com mixagem e masterização de Pedro Pimentel. Rodrigo Chenta está no canal esquerdo e Ivan Barasnevicius no canal direito.

www.rodrigochenta.com/duo

Você pode ouvir o disco nas plataformas digitais Spotify e Deezer.



Mais Ivan Barasnevicius e Rodrigo Chenta -

Standards II Antítese Novos Caminhos 3136