SAUDADE MARAVILHOSA

10 março, 2017
O compositor e arranjador Mario Adnet apresenta novo disco intitulado Saudade Maravilhosa, trazendo um repertório quase todo autoral - das 10 composições, 8 delas são originais, e ainda uma regravação de "Viver de Amor" (Toninho Horta e Ronaldo Bastos) e uma versão bem abrasileirada do clássico standard "Caravan" (Ellington). Ao seu lado estão Marcos Nimrichter no piano e rhodes, Jorge Helder no contrabaixo e Rafael Barata na bateria; com as participações muito especiais de Armando Marçal na percussão, Leonardo Amuedo e Ricardo Silveira nas guitarras, Eduardo Neves na flauta e sax, Aquiles Moraes no trompete, Cristiano Alves no clarinete, Everson Moraes no trombone e a voz de João Cavalcanti.


No repertório, a abertura com "Ancestral", tema de influência afro e cuja linha de contrabaixo, sequência de acordes e rítmica foram ouvidas em sonho por Adnet, um belo solo de Aquiles e a presença da percussão de Marçal; "Cecilia no parquinho" é um choro feito para sua neta, em destaque a flauta de Eduardo Neves e o clarinete de Cristiano Alves; o tema título, nome sugerido por Bernardo Vilhena. é uma descrição de um Rio que, hoje, só existe mesmo na saudade, aqui a participação da guitarra de Ricardo Silveira; "Flor do dia", com introdução no violão por Adnet, é dedicada às mulheres de sua família; "Azul da Tarde" é uma balada, como um blues, introduzido pelo piano de Nimrichter e novamente em destaque o clarinete de Cristiano Alves na condução da melodia; "Valsa do baque virado" traz letra e voz de João Cavalcanti; "Viver de Amor" foi composta em 1980 por Toninho Horta presente em dois discos - "Terra dos Pássaros" e "Durango Kid", além de versões de Milton e Luciana Souza, aqui com a guitarra de Leo Amuedo; "Chorojazz" é um regravação do próprio Adnet, original do disco "Para Gershwin e Jobim"; "Sambaqui", como o título sugere, é um samba também regravado por Adnet, aqui com outro nome, original do disco "Rio Carioca", e as duas guitarras de Silveira e Leo em um belo diálogo; fecha o disco a clássica "Caravan", aqui com uma roupagem muito particular em que Adnet dedica a Moacir Santos, a quem ele chama de Duke Ellington brasileiro.

Adnet, ao longo da sua carreira, sempre trabalhou o repertório de outros compositores como Jobim, Villa-Lobos e Baden, além de fundador da extraordinária Orquestra Ouro Negro, que celebra a música de Moacir Santos. Esses trabalhos o levaram por 4 vezes ao Grammy Latino - em 2006 com "Choros e Alegrias" com composições inéditas de Moacir Santos, produzido com o saxofonista Zé Nogueira; em 2013 com "Um Olhar sobre Villa-Lobos"; em 2015 com "Dorival Caymmi Centenário"; e em 2016 com "Jobim Jazz ao vivo". Como ele mesmo afirma, esses trabalhos permitem a ele ter um leque maior de opções, trabalhando de forma independente e não preocupado com sua própria arte, mas também com produção e arranjo.



"Saudade Maravilhosa" foi gravado no estúdio da Biscoito Fino nos meses de junho e julho de 2016.
A bela capa é uma obra em acrílico sobre tela de Guilherme Secchin de nome "Pedra Bonita Mario e Tom", e o disco traz um super encarte com detalhes de todas as composições e fotos de Daryan Dorneles e Gabriel Pinheiro.

Você pode adquirir o disco nas unidades do SESC e em sua livraria na internet.

COM ALMA, A BANDA MANTIQUEIRA

19 janeiro, 2017
Após 12 anos sem lançar novo disco, a Banda Mantiqueira, uma das nossas mais respeitadas big bands, está de volta com o disco Com Alma, comemorando 25 anos de estrada.
O saxofonista Nailor Proveta, um dos fundadores da banda, afirma que o grupo sentiu necessidade de ratificar no CD a história da banda, e afirma - "Trouxemos elementos que fizeram a Mantiqueira ser singular em sua pluralidade desde o início da sua criação, em 1990."
Sem dúvida, e a maior prova disso tudo é poder contar com a participações muito especiais como o violonista Romero Lubambo e o trompetista Wynton Marsalis.


O repertório traz 7 composições que passeiam por Pixinguinha em "Segura Ele"; Jobim em "Desafinado"; Moacir Santos em "Stanats", que o autor dedicou a Stan Getz; João Bosco em "De frente pro crime"; e Dizzy Gillespie com o clássico "Con Alma", que inspirou o nome ao disco. Ainda traz 2 composições da fase inicial do grupo - "Forrólins", uma homenagem a Sonny Rollins; e "Chorinho para Calazans", dedicada ao artista plástico pernambucano J.Calazans.

Apesar do longo período de recesso do grupo, os músicos jamais estiveram parados. Para quem sentiu falta de um novo registro do grupo, Proveta explica que vários de seus integrantes, assim como ele, dedicaram seu tempo ao ensino musical, buscando transmitir a linguagem da banda às novas gerações. Paralelamente, a big band participou de projetos com as cantoras Monica Salmazo, Rosa Passos, Fabiana Cozza e Anaí Rosa.

Para o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos, ao registrar esse trabalho, resultado do talento coletivo de um grupo excepcional de músicos, o Sesc enriquece seu catálogo e oferece ao público a oportunidade de ouvir a Banda Mantiqueira com o que faz de melhor - música sem amarras ou rótulos, ou melhor, a boa música.

A Banda Mantiqueira aqui está formada por -
Nailor Proveta: direção musical, arranjos, sax alto e clarineta
Ubaldo Versolato, Josué dos Santos, Cassio Ferreira: sax
Odésio Jericó, Nahor Gomes, Walmir Gil: trompete
Valdir Ferreira, François de Lima: trombone
Jarbas Barbosa: guitarra
Edson Alves: contrabaixo
Cleber Almeida, Fred Prince: percussão
Celso de Almeida: bateria

"Com Alma" é dedicado ao saudoso saxofonista Vinicius Dorin, que por 13 anos atuou como titular no naipe de saxofones do grupo com imenso talento e generosidade do seu espírito harmonioso e alegre.



Você pode adquirir o disco nas unidades do SESC e em sua livraria na internet.

A CONEXÃO SOUL DA IGOR PRADO BAND

13 janeiro, 2017
A Igor Prado Band mais uma vez mostra excelência em seus trabalhos, dessa vez com o disco The Soul Connection ao lado do organista austríaco Raphael Wressnig
O disco já é destaque no cenário internacional e foi eleito o melhor na categoria soul-blues na premiação da Blues Junction dos lançamentos de 2016. Não podia ser diferente, quando você junta hammond e guitarra, ainda mais pelas mãos de dois extraordinários músicos, o resultado é puro veneno, e aqui com a força do blues, do soul e do R&B contagiando e entusiasmando os ouvidos daqueles que gostam de boa música.

"The Soul Connection" traz no repertório 13 composições, promovendo uma verdadeira conexão de estilos entre o blues, o swing jazz, o soul e o funk. Igor Prado assina 2 temas - "No-La-Fun-Ky" e 
"The Faceslap Swing Nr.05"; Wressnig assina "Turnip Greens"; as demais marcam por interpretações clássicas como em "Don’t Cry No More", "Turning Point", "Suffering with the Blues", "My Love is", "Trying to Live my Life Without You", eternizadas pelas vozes de Bobby Bland, Tyrone Davis e Otis Clay e aqui protagonizadas por Willie Walker, David Hudson e Leon Beal.

Além de Igor Prado na guitarra e Raphael Wressnig no hammod, o grupo traz Rodrigo Mantovani no baixo, Yuri Prado na bateria, Sidmar Vieira trompete e Sax Gordon no tenor, barítono e também nos arranjos de sopros. 
O disco foi gravado em duas sessões em fevereiro e novembro de 2015 no Rootsans Studios e no Prado Studios, ambos em São Paulo; e tem a produção de Igor Prado, Raphael Wressnig e Chico Blues.

"The Soul Connection" foi lançado na Europa em CD e LP pelo selo Pepper Cake Records; e por aqui pelo selo Chico Blues, e a grande novidade é que também foi lançado em LP no mercado nacional.


Com a palavra, Igor Prado -

Hammond e guitarra é uma combinação explosiva. Como você e Rafael Wressnig começaram tocando juntos?
Adoro essa formação, nos últimos anos quase todos os trabalho que eu toco tem guitarra e B3. Tudo o que envolveu os dois instrumentos me fascina desde Jimmy Mcgriff, Billy Preston, passando por Deep Purple a Soulive. Começamos a tocar junto numa tour na Europa juntamente com o Sax Gordon no renomado Festival Porretta Soul, na Itália abrimos uma das noites nesse festival que é bem calcado na galera "old school black" de Memphis, e foi uma mega honra conviver aqueles dias ao lado de Lattimore, Bobby Rush, David Hudson, Toni Green, etc. Foi dai que saiu a ideia do Hudson cantar no nosso disco também.

"Way Down South" chegou ao topo na execução das rádios e foi nomeado ao Blues Music Awards; agora "Soul Connection" ganha destaque novamente como melhor disco de soul-blues. Como surgiu a ideia do registro dessa sessão?
A gente já estava querendo gravar algo juntos, digo eu e o Raph; então no ano passado em uma tour com o Willie Walker entramos em estúdio dois dias e registramos o que seria um álbum mais de R&B em tributo ao Little Willie John, mas ao mesmo tempo começamos a escrever umas coisas mais funk instrumentais e gravamos também sem pretensão. Outro fato curioso é que estávamos em contato com a manager do Otis Clay para ele gravar um som do Willie John, mas nesse meio tempo o Clay faleceu, daí resolvemos colocar mais soul no álbum, registramos "Trying to Live My Life Without You", canção bem marcante dele, e decidimos fazer um álbum variado de soul, R&B e blues. O nome "The Soul Connection" às vezes confunde pois não é um disco somente de soul, mas tem bastante ali no contexto, o nome é mais uma brincadeira da nossa conexão de coisas que gostamos em comum e e também o fato de estarmos direto em aeroportos fazendo conexão em voos, além, também, por causa de ter gostos afinidades muito parecidas.
O approach do disco comercialmente dessa vez está totalmente voltado ao mercado Europeu, lançamos por um selo da Alemanha e aqui no Brasil pelo selo do Chico Blues, mas toda a media/marketing do álbum foi feito voltado para o mercado europeu. Nos EUA o álbum saiu somente importado sem nenhuma divulgação em massa igual o "Way Down South", mas estamos preparando um álbum novo da banda (Igor Prado Band) para ser lançado nos EUA, aguardem novidades.

Que equipamentos você usou nessa sessão?
Usei a velha Strato de guerra com dois z90s, pickups da harmonic design e uma Guild Starfire IV, bem parecida com aquela que o Buddy Guy usou no final dos 70. Aliás esse álbum foi 80% gravado com a Guild. De amps, usei um Super Reverb Reedição e o Fender Pro Jr ligado na caixa com 2x12' Weber California Speakers.
Gravamos ao vivo todos na mesma sala e usamos um Hammond B3 e Caixa Leslie.

O soul e R&B tem bastante presença em seus trabalhos; e você sempre tem ao seu lado vozes como Curtis Salgado, JJ Jackson, Tia Carrol, Annika Chambers, entre muitas outras. De que forma você define essa fronteira com o blues?
Ah sim, se você pegar o "Watch Me Move" de 2009 tem muito soul ali; até o primeiro álbum, o "Upsidedown" tem umas bonus track meio funk que não tinha nada a ver com o disco e eu já quis colocar na época em 2007. Sempre curtimos muito funk, R&B e soul music desde o começo, pra mim está tudo interligado não consigo mais separar blues do soul e do R&B.

Obrigado Igor Prado, e sucesso.

Você pode adquirir o disco "The Soul Connection" aqui.



Mais Igor Prado Band -

Way Down South Lowdown Boogie Igor Prado Band Donny Nichilo

MÚSICA NOVA

09 janeiro, 2017
Idealizado pelo maestro e compositor Gilberto Mendes, que faleceu em janeiro de 2016, o Festival Música Nova é um dos mais importantes eventos de música contemporânea e experimental da América Latina, realizado desde 1962 sob sua direção.
O CD duplo Festival Música Nova é o primeiro e único registro oficial desse evento e traz no repertório peças apresentadas pelo ensemble na edição de 2014 do festival na cidade de Ribeirão Preto, todas gravadas sob a regência do maestro americano Jack Fortner, amigo de Mendes de longa data. O repertório traz 13 composições escritas por 12 autores, e o jornalista Gil Nuno Vaz descreve no belo encarte do disco que se não chega a dar conta de toda a diversidade criativa que o festival vem mostrando há décadas, cumpre satisfatoriamente a função de representar esse espírito do evento idealizado por Gilberto Mendes.


A história desse registro deu-se quando Mendes procurou a direção regional do Sesc com a proposta de gravar um disco, o que foi uma iniciativa irrecusável, afinal é parte da missão do Sesc o compromisso com a história cultural do país. As gravações começaram e o primeiro registro começou a ganhar forma, mas, lamentavelmente, Gilberto Mendes faleceu, e esse trabalho tornou-se uma grande homenagem a ele, não só à sua música, mas ao ensino, companheirismo e generosidade para com muitos dos nossos compositores.

Um dos objetivos do Festival Música Nova é instigar o movimento por uma música revolucionária, nova, em oposição ao academismo dominante. Sua realização proporciona o desenvolvimento de uma história do segmento da vida musical brasileira, voltada para a criação de vanguarda, para o experimentalismo e a criação de novas linguagens e técnicas musicais.

O Ensemble Música Nova foi criado em 2003 por instrumentistas de formações distintas especificamente para a realização de concertos para o evento.
Para esse registro, com condução do maestro Jack Fortner, está formado por -
     Cassia Carrascoza e Sarah Hornsby, flauta;
     Daniel Oliveira e Luis Anotinio Montanha, clarinete;
     Samuel Pompeo, alto sax;
     Flavio Gabriel, trompete;
     Caroline de Comi, soprano sax;
     Ana de Oliveira, Martin Tuksa e Nikolay Iliev, violino;
     Eric Licciardi, viola;
     Adriana Holtz, Charles Brooks, Meryelle Maciente e Renato de Sá, violoncelo;
     Rubens de Donno, contrabaixo;
     Daniel Murray, guitarra;
     Beatriz Alesso e Karin Fernandes, piano;
     Heri Brandino e Karin Fernandes, percussão.
   

Você pode adquirir o disco  nas unidades do SESC e em sua livraria na internet.

GRUPO UM, UMA LENDA AO VIVO

26 dezembro, 2016
Após três décadas longe dos palcos, o Grupo Um, um dos ícones da música instrumental brasileira, está de volta. Liderado pelos irmãos Nazário, Lelo nos teclados e Zé Eduardo na bateria, o grupo foi formado em 1976 e retorna aos palcos e em disco com Mauro Senise no sax e flauta, Frank Herzberg no contrabaixo e Felix Wagner no clarinete baixo e percussão.
O CD Ao Vivo na Fábrica, uma Lenda ao Vivo é um lançamento do Selo SESC e foi gravado ao vivo no Festival Jazz na Fábrica em 2015. O repertório dá enfase ao disco "Marcha sobre a cidade" (1980) e traz alguns temas dos discos "Reflexões sobre a crise do desejo" (1981) e "A Flor de Plástico Incinerada" (1982); ainda uma composição do Duo Nazário gravada no disco "Amalgama" (2014) Duo Nazário e mais uma inédita.


Com a palavra, Lelo Nazário -

O que motivou reunir o grupo tanto tempo depois do último lançamento?
Recebemos um convite do SESC para nos reunirmos novamente em um concerto comemorativo dos 35 anos do LP “Marcha sobre a Cidade”, no Festival Jazz na Fábrica de 2015. Neste concerto tocamos integralmente o material do LP e incluímos também algumas faixas dos outros dois LPs do grupo. O concerto foi gravado e transformado em CD com o nome de "Grupo Um - Uma Lenda ao Vivo” e tem, além de mim, a participação de Mauro Senise, Felix Wagner, Zé Eduardo Nazario e Frank Herzberg.

A dinâmica e a exposição livre dos temas sempre foi muito presente na música do grupo, e naquela época o jazz já havia se transformado com a eletrônica e com a fusão com o rock e funk. De que forma isso influenciou a música do grupo?
É claro que somos todos produtos de nossa época. Embora o rock nunca tenha me interessado, quando éramos bem jovens estudávamos música erudita e o jazz contemporâneo. O Zé Eduardo estudava muito todos os ritmos brasileiros, hindus e africanos, então acho que essa é a base da música do Grupo Um. Dentro da música erudita, eu me interessava muito pelo música concreta e eletroacústica, então incorporei estes elementos na mistura.

Podemos esperar novos projetos do grupo com essa formação?
Esperamos que sim. O futuro do Brasil depois do golpe é incerto, já enfrentamos inúmeros retrocessos e na área cultural não será diferente. Tudo depende de como os produtores culturais vão lidar com recursos mais escassos, novos modos de produção,etc. Isto certamente vai acontecer, pois o Brasil é um país extremamente dinâmico. Estaremos sempre propondo novos projetos e esperamos que alguns se tornem realidade.

O disco "Marcha Sobre a Cidade" foi um dos primeiros registros independentes da música instrumental brasileira. Ainda é desafiador produzir de forma independente?
Bem, hoje existem inúmeros canais para escoar e distribuir a produção independente. Naquela época, dependíamos de distribuir um produto físico, o LP, para conseguir penetrar no sistema. Tínhamos que recorrer a estúdios profissionais, não havia a facilidade para montar um  home studio como hoje. Atualmente, com a internet e a música em formato digital, a distribuição se tornou muito mais rápida, então acredito que tivemos nestes anos uma enorme evolução no sistema distributivo de arte em todo o planeta.

Obrigado Lelo Nazário, e sucesso.

O lançamento do CD “Grupo Um: Uma Lenda ao Vivo” comemora 40 anos de fundação do grupo, e você pode adquiri-lo nas unidades do SESC e em sua livraria do internet.



Leia também sobre o CD "Amálgama" do DUO Nazário -

Amálgama

PULSE

01 dezembro, 2016
O baterista Alfredo Dias Gomes lança seu sexto disco, Pulse. Acompanhado por Widor Santiago no sax, Yuval Ben Lior na guitarra, Lulu Martin nos teclados e Marco Bombom no baixo, esse novo trabalho é dedicado ao grupo "The Eleventh House", importante formação da cena jazz rock dos anos 70; e traz ainda duas composições autorais.

O disco foi gravado no ADG Studio e produzido por Alfredo Dias Gomes, que afirma ter uma verdadeira paixão em gravar e sentir o astral no estúdio. Widor Santiago e Lulu Martin já gravam com ele há muito tempo e estão juntos desde seu primeiro disco gravado em 1991; Yuval Ben Lior está ao seu lado desde o disco "Corona Borealis" de 2010; e Marco Bombom participou do disco anterior "Looking Back" de 2015.

Com a palavra, Alfredo Dias Gomes -

"Pulse" traz uma referência ao grupo "The Eleventh House". Como deu-se a escolha do repertório?
The Eleventh House foi uma das minhas grandes influências. O meu objetivo é resgatar para as novas gerações um tipo de música pouco difundido hoje em dia que é o fusion. O líder da banda Larry Coryell é praticamente o criador do estilo, foi o primeiro músico a usar elementos de rock no jazz.
O repertório foi escolhido em cima dos discos "Introducing The Eleventh House", "Level One" e "Back Together Again". Assinam as composições não só os lideres Larry Coryell e Alphonse Mouzon mas também músicos e compositores como Michael Lawrence, John Lee, Wolfgang Dauner, Michael Mandel e Joachin Kuhn.

Uma interpretação do pianista alemão Joachin Kuhn com o tema "Shoreline"; este que foi um dos representantes da improvisação livre e experimental. Como essa forma de música se desenvolveu no processo de composição?
A balada "Shoreline" é do disco "In Search of a Dream", do baterista da banda Alphonse Mouzon. A livre improvisação relacionada a essa composição aparece na forma do intérprete criador que almeja a expressão pessoal (a criação). A livre improvisação assume como uma das suas propostas, a superação dos idiomas. Nessa linda balada, escolhida para uma mudança de clima no disco, Widor Santiago e Lulu Martin atingem o objetivo em seus improvisos.

Duas composições autorais - "Seven" e "Pulse". Como surgiu a ideia desses temas?
A música "Seven" eu compus no piano e quando eu componho a partir dele elas há a tendencia de puxar para um lado mais melódico; já a música que dá nome ao disco - "Pulse", eu compus na bateria e é uma ideia rítmica em um compasso de nove e outro de dez, que se repete em loop onde eu fico livre pra solar na bateria.

A distribuição deste trabalho está somente em mídia digital. Que razões levou você a não produzir um CD físico nesse momento?
O principal motivo é quase não se ouve mais CDs. Acredito que o CD não vai acabar, assim como o vinil não acabou, mas a verdade é que a nova geração escuta música de outra forma. A tendência é fazer download pela internet e ouvir em streaming pelas lojas como iTunes e Spotify, em que o consumidor assina um pacote e tem direito a ouvir toda a biblioteca.

Obrigado Alfredo Dias Gomes, e sucesso.

Pulse está disponível nas plataformas iTunes, CDBaby, AmazonGoogle Play e Spotify.



Leia também sobre o disco "Looking Back" -

Way Down South

UM POUQUINHO DO QUE ROLOU NO RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES 2016

22 novembro, 2016

Mais uma edição do Rio das Ostras Jazz e Blues Festival e, mesmo diante de tantas dificuldades e do momento de crise generalizada, a iniciativa e persistência do produtor Stenio Matos em promover um evento de qualidade superou as expectativas, conseguindo atrair um grande público e trazer diversão e boa música nos 3 dias de evento.

Não consegui chegar para a abertura nem para o tão esperado show de Gilson Peranzzetta, mas em tempo de assistir ao jazz grooveado do quinteto do trombonista Bocato. Ao seu lado, Glécio Nascimento no baixo, Clayton Sousa no sax, Ary Holland nos teclados e Igor Willcox na bateria, e um repertório passeando por clássicos de Donato a Hancock, tudo com muito groove sempre marcado pelos teclados de Ary. Bocato é uma referência no instrumento na música brasileira, do popular ao instrumental, e é sempre uma oportunidade ímpar vê-lo no palco.
Em seguida, o guitarrista argentino Danny Vincent subiu ao palco com seu blues elétrico, e teve a participação especial do gaitista Flávio Guimarães. Este que vos escreve, cansado do longo trânsito e de algumas horas de estrada, assistiu pouco da apresentação e partiu para o sono.

Noite de sábado e cheguei para assistir ao belíssimo tributo a Milton Nascimento liderado pelo contrabaixista Dudu Lima. Acompanhado pelo pianista Ricardo Itaborahy e pelo baterista Leandro Scio, fez uma viagem pelos temas deste que é um dos maiores artistas da nossa música. Na abertura, "Fé Cega, Faca Amolada", com direito a uma citação do nosso Gonzagão no improviso de Dudu. Em seguida um verdadeiro hino, "Clube da Esquina no.2", particularmente uma das mais lindas melodias já escritas, com uma introdução em improviso livre de Dudu fazendo uso do tapping, e, não resistindo a emoção generelizada, desceu do palco foi tocar junto com o público.
Chamou ao palco outro gênio da nossa música, Wagner Tiso, que abriu um improviso em piano solo. Dudu largou o baixo elétrico e assumiu o vertical, introduziram "Cravo e Canela" e emendaram uma contagiante "Vera Cruz" com passagens em uptempo frenético, vocalizes de Ricardo e espaço para o solo de Leandro.
Esta homenagem a Milton foi registrada no CD-DVD "Ouro de Minas".
Interpretaram Beatles com uma versão muito particular de "Come Together", novamente com um walking empolgante de Dudu; mandaram um tema original de Wagner Tiso, "Os Cafezais sem Fim"; e voltaram para o bis com "Nada Será Como Antes", aqui Dudu abraçado ao fretless.
Um belíssimo show.

A noite seguiu com o blues enraizado do grupo catarinense The Headcutters com a participação do cantor americano Bob Stroger. Aos 86 anos, a energia desse senhor do blues contagiou não só pela presença no palco mas também como baixista, assumindo o instrumento ao longo da apresentação. Empolgado com a recepção calorosa do público, Strogger desceu do palco e foi cantar junto com a galera. The Headcutters acaba de lançar um disco ao vivo, "Live At Mr. Jones Pub" pela Chico Blues Records, gravado no clube portenho e indicado pelo site americano Blues Junction. Tem na formação o guitarrista Ricardo Maca, que se apresentou com uma bela 335 recheada de P90 com bases e improvisos contagiantes. a harmônica e voz de Joe Marhofer, o baixo de Arthur Garcia e a bateria de Leandro Barbeta, e mostrou mostrou porque é um dos grandes nomes do blues nacional.

O grupo Afro Jazz subiu ao palco principal pela segunda vez no festival, antes na edição de 2014, e mostrou que o grupo mantém-se forte na fusão da música negra com os improvisos do jazz. Já passando da zero hora de domingo, lembrou a data da consciência negra e trouxe como convidada a cantora britânica radicada por aqui Jesuton, com destaque para a interpretação de "Feeling Good" (Nina Simone).
Para encerrar a noite, uma festa empolgante liderada pela multi-instrumentista Deanna Bogart. Visivelmente contagiada pelo público, fez uma apresentação impecável ao lado do guitarrista Big Joe Manfra, o baixista Cesar Lago e o baterista Claudio Infante, ainda com convidados especiais como o gaitista Jefferson Gonçalves e a cantora Taryn Spilman. Realmente quebraram tudo, Deanna cantou, alternou no sax e piano e ainda fez um belo duo com Taryn interpretando "Georgia" (Ray Charles). A noite foi longe e em verdadeiro clima de festa.

É isso.
Que a edição de 2017 volte com força total.

CONCEPÇÃO

08 novembro, 2016
O guitarrista Rodrigo Chenta lança o EP intitulado Concepção com duas composições autorais na estética da música contemporânea erudita.
Um trabalho único, experimental.
O tema título é uma peça para guitarra acústica solo; e “Suite for Schafer” é dividida em 6 movimentos, em que a guitarra, com improvisações e bastante liberdade, interagiu com a voz de Roberto Agnelli, que leu textos selecionados de 3 livros do autor canadense Raymond Murray Schafer.

Para quem não conhece, Schafer é escritor, compositor e educador musical, e também um dos responsáveis pelo desenvolvimento da terminologia "soundscape", trazendo à reflexão o conceito de ambientação sonora.


Com a palavra, Rodrigo Chenta -

O experimentalismo como protagonista. 
Como deu-se o processo de criação para a guitarra solo nesse trabalho? 
A primeira composição chamada “Concepção” foi criada em agosto de 2013 durante um concerto em uma escola de música na cidade de São Paulo. Trata-se de uma peça literalmente improvisada, criada no momento da performance. Este concerto foi gravado em vídeo e gostei tanto que resolvi posteriormente transcrever o resultado daquela improvisação musical. A ideia foi criar tensões não importando em qual tonalidade. O pensamento ali, de fato, não foi tonal. Pensei apenas no som que queria e a intenção desejada com o resultado dos complexos sonoros resultantes das escolhas que fiz naquele dia. Gostei da escolha do uso de arpejos, ralentandos, crescendo e o uso da mão direita em locais diferentes do instrumento para mudar o timbre.

Na segunda composição, “Suite for Schafer”, a guitarra acústica improvisa o tempo todo, no entanto, interage com o texto como nos movimentos “ritmo”, “caos” e “sussurro”, por exemplo. A voz teve liberdade de basicamente escolher os momentos de pausa. A escolha do Roberto Agnelli para ler os fragmentos de textos foi fácil, pois já o conhecia há quase 10 anos e sabia da voz maravilhosa que ele tem. Gravamos tudo ao vivo, sem cortes e com take único no estúdio do André Ferraz.

Raymond Schafer é uma referência no conceito de paisagem sonora. 
Qual sua expectativa em colocar texto e música juntos?
O meu objetivo na música “Suite for Schafer” foi proporcionar momentos de reflexão para quem a escutasse. Tive contato com a obra de Raymond Murray Schafer no departamento de música na pós-graduação da UNESP. Fui privilegiado ao ser aluno especial para o mestrado com a professora Marisa Fonterrada, que traduziu para o português três livros do Schafer que foram usados como referência para a escola dos trechos que o Roberto Agnelli leu no EP. Eu dividi esta música em seis movimentos onde cada um tratou de um assunto. São textos que sempre me incomodaram no sentido de provocarem reflexões sobre assuntos mais elevados da música.
Pelo feedback das pessoas que já baixaram o EP, vejo que o resultado esperado em relação a proposta de reflexão funcionou. Muita gente tem me falado de suas respectivas impressões e fico feliz que estão saindo da zona de conforto e pensando um pouco mais sobre música.

Haverá continuidade desse projeto?
Este projeto especificamente foi único. O lancei no formato de EP porque não é grande o suficiente como um full-album. Outros trabalhos experimentais virão com certeza no ano que vem, mas com propostas bastante diferentes e que gerarão álbuns completos.
Vou gravar o terceiro CD e primeiro EP com Ivan Barasnevicicus em duo de guitarras archtop (holowbody). Em 2017 gravarei um CD instrumental somente com música brasileira regional e atualmente estou na fase de escrita dos arranjos e escolha de quem gravará comigo. Terá samba, baião, xote, ijexá; tudo com saxofone, flauta, viola caipira, voz, percussão e guitarra acústica.

Obrigado Rodrigo Chenta, e sucesso.

Você pode fazer o download do EP na página de Rodrigo Chenta -
www.rodrigochenta.com/discografia, disponível nos formatos WAV e MP3.



Mais sobre Rodrigo Chenta -

Novos Caminhos Antítese

DOWNBEAT READERS POLL

27 outubro, 2016

DownBeat anunciou a lista dos premiados da edição 81 do Readers Poll, que será publicada na edição impressa de dezembro.
O destaque nessa edição é o saxofonista Phil Woods, reconhecido para o Hall of Fame, nomeação mais que merecida pelo legado da sua obra desde o movimento bebop.
Sem muitas novidades em relação a lista do ano passado, todos já muito conhecidos por nós, ganham destaque ainda o saxofonista Kamasi Washington, premiado como artista revelação e reforçando sua premiação no Critics Poll ainda esse ano; Buddy Guy na frente de blues; e David Bowie como artista além da cena jazz.


Confira os premiados -

Hall of Fame: Phil Woods
Jazz Artist: Kamasi Washington
Jazz Group: Snarky Puppy
Big Band: Jazz at Lincoln Center Orchestra
Jazz Album: Maria Schneider Orchestra: The Thompson Fields (ArtistShare)
Historical Album: John Coltrane, A Love Supreme: The Complete Masters (Impulse!)
Trumpet: Wynton Marsalis
Trombone: Trombone Shorty
Soprano Saxophone: Wayne Shorter
Alto Saxophone: Phil Woods
Tenor Saxophone: Chris Potter
Baritone Saxophone: James Carter
Clarinet: Anat Cohen
Flute: Hubert Laws
Piano: Chick Corea
Keyboard: Chick Corea
Organ: Joey DeFrancesco
Guitar: Pat Metheny
Bass: Christian McBride
Electric Bass: Marcus Miller
Violin: Regina Carter
Drums: Jack DeJohnette
Percussion: Poncho Sanchez
Vibraphone: Gary Burton
Miscellaneous Instrument: Béla Fleck, banjo
Female Vocalist: Diana Krall
Male Vocalist: Gregory Porter
Composer: Maria Schneider
Arranger: Maria Schneider
Record Label: Blue Note
Blues Artist or Group: Buddy Guy
Blues Album: Buddy Guy, Born To Play Guitar (RCA)
Beyond Artist or Group: David Bowie
Beyond Album: David Bowie, Blackstar (Columbia)

www.downbeat.com

CELEBRANDO ELVIN JONES

21 outubro, 2016
Um dos grandes bateristas do jazz, Elvin Jones é unanimidade, o motor do fantástico e eterno quarteto liderado por John Coltrane.
Para o baterista Will Calhoun, que o ouviu pela primeira vez no Village Vanguard quando tinha 14 anos, essa referência é marcante em sua música e afirma categoricamente - "Qualquer pessoa que ouça jazz pode ouvir um pouco de Elvin Jones em tudo que eu faço."
Calhoun reforça ainda que Elvin Jones tem todos os elementos que vai além do jazz - o rock, o fusion, a música africana e latina, o elétrico e o acústico.
A ideia de realizar um tributo ao mestre é um projeto que ele pretendia realizar há tempos, mas não sabia como; até que a gravadora Motema abraçou a iniciativa e tornou isso realidade.
Celebrating Elvin Jones é o resultado desse trabalho, em que Calhoun tem ao seu lado o contrabaixista Christian McBride, o saxofonista Antoine Roney, o pianista Carlos McKinney, o trompetista Keyon Harrold, o pianista Jan Hammer e o percussionista senegalês Doudou N’Diaye Rose. Com exceção de McBride, todos tiveram o privilégio de tocar junto com Jones.

No repertório, composições de várias fases de Elvin Jones - "Harmonique", gravada por Coltrane (1961, Coltrane Jazz); "Mahjong", por Shorter (Juju, 1965); e registros como líder em "Whew", original do contrabaixista Wilbur Little (Poly-Currents, 1969); "Destiny" (1975, On The Mountain); "Shinjitsu", tema de sua esposa Keiko (Jazz Machine Live At Pit Inn, 1985); "Doll of the Bridge" (1992, In Europe) e "E.J.Blues" (1999, The Truth: Heard Live).

http://www.willcalhoun.com/